“Ela não vê cicatrizes, vê apenas a melhor amiga”: Mãe se emociona ao ver filha cuidando de cadelinha que escapou de incêndio
Por Larissa Soares em Proteção Animal
Em menos de 30 minutos, uma casa inteira virou cinzas. Um curto-circuito na cozinha desencadeou um incêndio devastador na casa de Anette Emaus, em Ålesund, na Noruega, na tarde de 15 de novembro.
O fogo se espalhou com rapidez assustadora, consumindo praticamente tudo. A família perdeu bens, memórias, a estrutura que chamavam de lar.
E perdeu também Nautica, uma das duas gatas que viviam ali, inseparável do irmão, Hanoi.
Mas, em meio à destruição, uma cachorrinha fez o inimaginável para sobreviver.
E hoje, ela acumula milhares de admiradores que acompanham sua recuperação.
Uma tarde que virou pesadelo
Blossom, uma cachorrinha da raça whippet, estava no andar de cima quando o incêndio começou.
Segundo Emaus contou à Newsweek, a cadela havia se refugiado no quarto da tutora, o lugar onde se sentia mais segura.
Ela estava sobre a cama, protegida parcialmente por um edredom que ajudou a filtrar parte da fumaça.
O problema é que o calor se tornou tão intenso que os bombeiros não conseguiam chegar até ela com segurança. Eles tentaram, mas sofreram queimaduras graves.
A alternativa foi jogar água do chão, na tentativa de conter as chamas ao redor do cômodo.
Blossom estava sozinha, cercada por fogo e sem rota de fuga aparente. Então, algo extraordinário aconteceu.
Um ato de coragem
Quando o fogo tomou o quarto, o calor fez a janela rachar. Blossom, movida pelo instinto de sobrevivência, forçou a passagem.
No último segundo, ela conseguiu alcançar o parapeito e pulou do segundo andar, caindo na neve lá embaixo. E ela estava em chamas.
O impacto apagou o fogo que ainda consumia seu corpo, mas não evitou as consequências.
Blossom sofreu queimaduras em cerca de 40% do corpo, principalmente no lado esquerdo, incluindo olhos, rosto e patas. Mesmo assim, estava viva.
“Eu sei que ela estava focada em sobreviver porque sabia que eu não sobreviveria a esse pesadelo sem ela”, disse Emaus.
A primeira cadela a viajar de ambulância
A situação era crítica e Blossom precisava de atendimento urgente. Assim, ela se tornou a primeira cadela na Noruega a ser transportada em uma ambulância com luzes azuis acionadas. Cada minuto contava.
Durante o trajeto, recebeu oxigênio, monitoramento constante e suporte vital. Sem essa intervenção rápida, segundo a tutora, ela não teria resistido.
No hospital veterinário de Ålesund, os profissionais iniciaram um protocolo intensivo: fluidos intravenosos para reduzir a temperatura corporal, aplicação de gel para queimaduras humanas, curativos extensivos.
Blossom também sofreu trauma por inalação de fumaça, um dos riscos mais graves em incêndios.
Três semanas entre a vida e a morte
A whippet passou três semanas na UTI veterinária, sob cuidados 24 horas por dia.
Recebeu transfusão de sangue, medicamentos anti-inflamatórios e uma dieta rica em proteínas para auxiliar na regeneração dos tecidos.
O tratamento seria longo, estimado em pelo menos três meses, com retornos diários ao hospital para troca de curativos. Mas os veterinários se mostraram “cautelosamente otimistas”.
Um mês após o ocorrido, Blossom já apresentava sinais de recuperação. Os ferimentos foram cicatrizando, os sentidos se mostraram intactos e a personalidade começou a reaparecer.
“Ela é uma guerreira”, afirma a tutora.
No processo de recuperação, o amor da filha da tutora tem sido muito importante:
"Ela não vê cicatrizes, vê apenas a melhor amiga."
Whippets são conhecidos por sua musculatura potente e resistência física. Segundo o American Kennel Club, é um cão “robusto”, amável, gentil, além de um atleta ágil, veloz e de “baixa manutenção”.
Blossom estava em excelente forma antes do incêndio e essa condição pode ter sido decisiva para sua sobrevivência.
A rede que ultrapassou fronteiras
A recuperação de Blossom mobilizou pessoas de diferentes países. O hospital veterinário local aceitou o desafio de salvá-la. Um veterinário islandês e outro italiano ofereceram orientação. A criadora da cadela, em Trondheim, também prestou apoio.
Emaus criou uma campanha no GoFundMe para ajudar a custear as despesas médicas, já que a família perdeu praticamente tudo no incêndio.
“A sobrevivência de Blossom foi possível graças a uma extraordinária rede de pessoas que se uniram, ultrapassando fronteiras”, declarou.
Em meio à tragédia, a família testemunhou o que ela descreve como “a humanidade em seu melhor”.
O que ficou e o que não volta
Hanoi, o gato sobrevivente, está bem, mas sente a ausência de Nautica. Bella, a outra cadela da família, mal consegue esconder a felicidade por ter Blossom de volta.
A família está temporariamente morando com a mãe de Emaus, tentando reconstruir a rotina. O filho mais velho foi reconhecido como herói pelo prefeito de Ålesund, Håkon Lykkebø Strand, por salvar os irmãos mais novos do incêndio.
Eles perderam a casa, perderam objetos, perderam uma integrante felina. Mas saber que ainda têm Blossom os ajuda a recomeçar.
Larissa é jornalista e escreve para o Amo Meu Pet desde 2023. Mora no Rio Grande do Sul, tem hobbies intermináveis e acha que todos os animais são fofos e abraçáveis. Ela se formou em Jornalismo pela Universidade de Passo Fundo e é “mãe” de duas gatas.









