"Foi a rotina que eu escolhi para minha vida": protetora mostra como cuida sozinha de 21 cães resgatados
Moradora de Rondônia acumulou dívida de R$ 500 mil e vendeu bens próprios para manter o acolhimento de animais em Ji-Paraná.
Por Beatriz Menezes em Proteção Animal
O empenho em manter uma matilha de cães resgatados em plenas condições de saúde e segurança transformou a rotina de Anita Matilha, em Ji-Paraná, Rondônia.
A dedicação diária exigida para o manejo desse numeroso grupo envolve um cronograma rigoroso de limpeza, alimentação e organização do espaço, tarefas executadas na área externa da residência de seus pais de forma individualizada.
Os animais abrigados não residem com a responsável pelo resgate devido às limitações físicas do local onde ela mora, um apartamento que não comporta o volume de pets. Em entrevista ao Amo Meu Pet, Anita explicou que a mudança das atividades de manutenção para o imóvel familiar ocorreu por extrema necessidade financeira.
"Fiquei atolada em dívidas e não consegui mais pagar o aluguel do local onde eles ficavam antes", afirmou.
Recentemente, Anita compartilhou na internet a rotina de limpar, alimentar e visitar os animais diariamente. O protocolo de cuidados estabelecido envolve a higienização completa dos pátios, fornecimento de água fresca e distribuição de ração.
O processo começa com a varrição das folhas, recolhimento de resíduos sólidos e lavagem do piso com água e produtos de limpeza para garantir as condições sanitárias adequadas.
Em dias específicos, o cronograma sofre alterações quando outros membros da família conseguem adiantar etapas, como a primeira alimentação da manhã.
A área externa é subdividida em três setores distintos, sendo eles a parte frontal, a intermediária e a traseira. A separação física dos cães é uma medida técnica adotada para evitar conflitos territoriais ou disputas por alimento, riscos comuns em grupos numerosos de animais de origens diferentes.
Em uma área específica do quintal o solo é composto por terra batida para atender às necessidades específicas de dois cães com deficiência física, identificados como Lucas e Xavier.
O piso natural reduz o impacto e o atrito nas articulações durante a locomoção, prevenindo lesões na pele que seriam causadas pelo contato constante com o concreto ou superfícies ásperas.
"E eu só consigo lidar com esses animais porque eu tenho meus pais que me ajudam. No entanto, nesses últimos dias, meu pai não está podendo me ajudar porque ele está se recuperando de um baita susto. Então, eu estou dando conta de tudo sozinha. A rotina tá muito puxada, tá tudo muito cansativo, mas foi a rotina que eu escolhi para minha vida", contou no vídeo.
O afastamento ocorreu após o pai da protetora sofrer um infarto e passar por procedimentos cirúrgicos, o que elevou o esforço físico necessário para concluir as tarefas do canil de forma solitária.
Desafios operacionais, custos e critérios rigorosos
O grupo faz parte de um histórico de acolhimento iniciado em meados de 2018 que já contabilizou a passagem de mais de 400 animais pela mesma estrutura. Atualmente, o número de cães subiu para 21 indivíduos devido a novos recebimentos recentes. Para dar conta dos custos operacionais, a protetora sacrificou patrimônios pessoais.
"Na pandemia de 2020, o abandono estourou. Para dar conta de tudo, vendi meu veículo e dois terrenos que conquistei trabalhando. Fiz empréstimos sucessivos e hoje tenho uma dívida de quase 500 mil reais", revelou Anita, que recentemente recebeu uma notificação extrajudicial de um hospital veterinário.
A maior parte dos antigos abrigados passou por processos de reabilitação antes de ser encaminhada para adoção responsável, uma etapa em que Anita aplica critérios rígidos. Dos animais abrigados, 15 são considerados fixos por ela, enquanto os demais rodam pelo sistema de adoção.
"Eu me desdobro tanto para mudar a vida do animal que o mínimo que quero é uma casa que dê continuidade a esse amor. Eu não aceito menos que isso", justificou ela, que monitora os mais de 400 cães já doados conversando diariamente com cerca de 20 adotantes diferentes.
A manutenção financeira do projeto é mantida majoritariamente por recursos próprios de seu salário particular. O custeio de medicamentos e exames é composto 80% por verba própria e o restante por descontos e procedimentos gratuitos oferecidos por veterinários parceiros.
Além disso, ela recebe auxílio fixo de cerca de 500 reais mensais de moradores locais e três sacos de ração doados por apoiadores. A escolha por não pedir ativamente insumos nos vídeos reflete timidez com a exposição recente.
"Acredito que as pessoas precisam ajudar de forma genuína. Talvez eu precise perder o medo e a vergonha, pois ainda é muito novo ver essa quantidade de pessoas me acompanhando", avaliou.
Os três cães resgatados mais recentemente estão recebendo um manejo nutricional diferenciado, com livre acesso aos comedouros durante todo o dia.
"Cada animal possui sua particularidade, cada animal sofreu maus-tratos absurdos, mas seguimos. Esses animais aí atrás são os últimos três resgatados. Fui lá limpar também, dar água para eles, deixar a comidinha dele que fica o dia inteiro por eles serem os últimos resgatados, eu gosto de deixar eles bem alimentados, extremamente alimentados para recuperar peso e pra ter mais e mais e mais vitamina", acrescentou.
O vídeo publicado tanto no Instagram como no TikTok soma mais de 280 mil visualizações, 40 mil curtidas e 2.600 comentários, gerando forte comoção e mensagens de apoio dos internautas na internet.
Confira abaixo:
"Nossa meu sonho ter uma casa grande pra mim pôde adotar e cuidar com amor e carinho Deus abençoe sempre sua vida, que você prospere sempre".
"Que lindo trabalho".
"Me identifiquei atualmente estou com 15,ano passado passaram por mim quase 100, eles são minha prioridade".
São alguns dos comentários deixados pelo público em apoio à causa. Diante do cenário financeiro atual, novos resgates estão suspensos temporariamente pela protetora.
"Não tenho condição de aceitar nenhum novo animal agora. Preciso doar pelo menos uns quatro antes, porque estou completamente atolada em dívidas", explicou Anita.
Se você é distribuidor ou tem empresa de produtos pet e tem interesse em ajudar Anita nessa causa, entre em contato pelo Instagram anitaematilha.










