"40 anos presa em uma gaiola": Veterinária se emociona ao falar de ave resgatada e promete a ela nova chance
Por Ana Carolina Câmara em Mundo Animal
Atendendo na clínica BEST VET, em São Paulo, a médica veterinária Maria Angela Panelli recebe diariamente pacientes de diferentes espécies, cada um carregando uma história única.
Alguns chegam cercados de amor e cuidados por seus tutores. Outros são atendidos após situações de negligência, enquanto muitos foram resgatados e precisam de atenção especial para superar anos de sofrimento.
Independentemente de sua origem, Maria procura acolher cada animal com carinho, responsabilidade e dedicação.
Há poucos dias, porém, uma paciente em especial mexeu profundamente com seu coração: uma papagaia resgatada, com mais de 50 anos, que chegou à clínica apresentando uma grande formação tumoral na região do peito.
A massa era sólida e havia crescido tanto que impedia a ave de realizar movimentos simples, como abaixar o corpo para alcançar o alimento. Até mesmo comer havia se tornado uma tarefa difícil e desconfortável.
Quatro décadas presa em uma gaiola
Por trás daquela condição delicada havia uma história marcada por anos de abandono e maus-tratos.
Segundo Maria, a papagaia viveu por cerca de 40 anos em uma gaiola minúscula, sem espaço suficiente para se movimentar adequadamente. A situação era tão grave que, no momento do resgate, a pessoa responsável quase não conseguiu retirar a gaiola da parede.

O objeto estava praticamente grudado ao local por causa da gordura que saía da janela da cozinha. Ao relatar o caso, a veterinária não conseguiu conter a emoção.
A gaiola, segundo ela, permaneceu naquele ambiente por décadas, sem os cuidados básicos de higiene.
“É para vocês terem ideia da dimensão da maldade”, declarou.
O caso também fez Maria refletir sobre a realidade de muitas aves mantidas como animais de estimação. Segundo a veterinária, cerca de 80% dos psitacídeos criados em ambiente doméstico sofrem algum tipo de negligência, muitas vezes por falta de informação sobre suas necessidades.
Papagaios, araras, periquitos e outras aves desse grupo precisam de espaço, estímulos, alimentação adequada, acompanhamento veterinário e oportunidades para expressar seus comportamentos naturais.
No entanto, muitos passam a vida inteira presos em pequenas gaiolas, sem conseguir abrir completamente as asas ou se movimentar livremente.
Aquela papagaia já havia sofrido mais do que qualquer animal deveria suportar. Agora, sob os cuidados da equipe veterinária, ela finalmente começou a receber atenção, respeito e uma nova chance.
Um apelo aos tutores de aves
Sensibilizada com a situação, Maria compartilhou o caso em seu perfil no Instagram, @maria_angela_veterinaria2, no dia 9 de julho, e fez um importante apelo aos tutores de psitacídeos.

A veterinária explicou que uma ave que passou muitos anos enclausurada não deve ser simplesmente solta na natureza.
Depois de tanto tempo presa, seus músculos podem estar atrofiados. Ela talvez consiga realizar apenas voos curtos e rasos, sem resistência para percorrer longas distâncias. Além disso, pode não saber encontrar alimento, reconhecer predadores ou sobreviver sem ajuda humana.
Por isso, quando o tutor não consegue oferecer uma vida digna ao animal, o correto é procurar uma pessoa responsável, uma instituição especializada ou um local autorizado para acolhê-lo.
“Se coloque no lugar dessa ave. Ela tem asas para voar, pernas para andar e fica presa o tempo todo. É revoltante”, declarou Maria.
A papagaia passou por uma cirurgia para a retirada da formação tumoral. Caso a recuperação aconteça como esperado, ela deverá iniciar sessões de fisioterapia para fortalecer a musculatura, recuperar parte dos movimentos e conquistar mais autonomia.
Assista:
Depois de mais de meio século de vida e décadas de sofrimento, essa pequena finalmente terá a oportunidade de descobrir uma realidade diferente.
Uma vida com espaço, cuidados, alimentação adequada e pessoas dispostas a respeitar suas limitações.
O caminho ainda exige paciência e acompanhamento, mas, pela primeira vez em muitos anos, ela não está mais sozinha.
Agora, cada pequeno movimento representa uma vitória — e cada dia longe daquela gaiola é o início da vida digna que sempre mereceu.
Redatora e apresentadora do Canal Amo Meu Pet.
Com formação em Design de Produtos e especialização em Design de Interiores pela Universidade de Passo Fundo, a Ana encontrou sua verdadeira paixão ao unir criatividade, comunicação e o amor pelos animais.
Apaixonada por contar histórias que tocam o coração, ela estudou Escrita Criativa com o escritor Samer Agi e participa do programa JournalismAI Discovery, organizado pela Escola de Economia e Ciências Políticas de Londres e a Iniciativa de Notícias do Google, buscando se aprofundar no universo digital.
Hoje, dedica-se a produção de conteúdos que informam, emocionam, conscientizam e arrancam sorrisos.







