Enrolada em coberta, mulher se joga para proteger cachorrinha Maria de enxame assustador e atitude corajosa impressiona
Por Beatriz Menezes em Aqueça o coração
Recentemente uma moradora de Viamão no Rio Grande do Sul e sua cadela de estimação sobreviveram a um ataque de abelhas africanizadas após um enxame ser perturbado por um animal silvestre no quintal da residência.
Juliana Litran e a cachorra Maria do Bairro foram atingidas por centenas de ferroadas quando a tutora tentou resgatar o animal, que estava preso e sem possibilidade de fuga.
O incidente, que mobilizou a família em uma corrida contra o tempo, terminou com Juliana, o esposo e o animal hospitalizados na Unidade de Pronto Atendimento (UPA) da região.
O ataque ocorreu de forma repentina enquanto a cadela estava no pátio. Segundo o relato da moradora pelas redes sociais, a agressividade dos insetos foi desencadeada por um gambá que mexeu no local onde o enxame estava alojado.
Ao ouvir os latidos e perceber que Maria do Bairro era coberta pelas abelhas, Juliana correu para intervir. Como a cachorra fica presa a um cabo de aço por segurança, ela não conseguiu buscar abrigo, obrigando a tutora a se expor diretamente ao risco para soltá-la.
O socorro decisivo veio de Salomão, esposo de Juliana, que recebeu o chamado de pânico enquanto estava no trabalho, a seis quilômetros de distância.
Ele conseguiu chegar ao local em três minutos e entrou na residência para retirar a esposa e o animal da zona de perigo.
Durante o resgate, Salomão também foi alvo de um número expressivo de picadas, chegando a apresentar um quadro clínico mais grave que o de Juliana devido à carga de veneno.
Após o atendimento médico e um período de observação, todos receberam alta, mas o episódio deixou marcas físicas e o alerta para a comunidade local.
Corrente de solidariedade e proteção animal
A história de Maria do Bairro é marcada pela superação desde antes do acidente. A cadela foi abandonada pelos antigos proprietários e acabou adotada pela família de Juliana, que providenciou castração, microchipagem e cuidados constantes.
No entanto, a estrutura do pátio atual, que exige o uso do cabo de aço, mostrou-se um fator crítico de vulnerabilidade durante o ataque das abelhas.
Diante do trauma e dos custos com o tratamento de saúde do animal, a família organizou uma campanha de arrecadação online por meio do site Vakinha.
O objetivo da vaquinha é custear as despesas hospitalares e viabilizar a construção de um espaço externo seguro, estruturado e protegido para Maria e para os gatos da família.
O sonho de Juliana e Salomão é oferecer um lar definitivo onde os animais possam ter liberdade sem os riscos de novas invasões de enxames ou animais silvestres.
Juliana utilizou suas redes sociais para compartilhar o progresso da recuperação e agradecer o apoio recebido.
Ela enfatiza que o foco agora é a prevenção, pedindo que as pessoas não subestimem a presença de enxames em áreas residenciais.
A campanha de ajuda financeira segue aberta, contando com o apoio de quem se sensibilizou com o ato heroico da tutora para salvar sua companheira de quatro patas.
Confira o vídeo abaixo:
Entenda o fenômeno das abelhas no verão gaúcho
O incidente em Viamão reflete um comportamento biológico comum nesta época do ano. Especialistas explicam que, entre os meses de dezembro e fevereiro, o Rio Grande do Sul vive o pico do enxameamento.
Este processo é a forma natural de multiplicação das colônias, impulsionado pela grande oferta de flores na primavera e no verão.
Quando uma nova rainha nasce, ela parte para um voo de migração com parte das operárias para fundar um novo ninho.
Em entrevista à Rádio Planalto News, Cesar de Souza, presidente do Encontro Abelheiro de Carazinho, esclareceu que as abelhas encontradas na zona urbana são majoritariamente as africanizadas.
Diferente das espécies europeias, essas abelhas possuem um instinto de defesa muito mais agressivo. Quando o enxame se sente ameaçado, ele é capaz de liberar até 80% de seus indivíduos para o ataque.
Em colônias que podem abrigar até 100 mil insetos, a quantidade de ferroadas pode ser fatal mesmo para quem não possui histórico de alergia.
Muitas vezes, esses enxames em trânsito fazem paradas temporárias em telhados, árvores ou forros de casas para descansar ou se proteger de mudanças climáticas, como chuvas ou quedas de temperatura.
Nesses casos, o enxame costuma permanecer no local por um período de três a cinco dias antes de seguir viagem para um ambiente de mata ou ecossistema mais favorável.
Veja a atualização:
Dicas de segurança e manejo preventivo
Para evitar o momento de pânico vivido por Juliana e Maria, o especialista recomenda cautela máxima ao identificar a presença de abelhas.
A primeira regra é nunca tentar remover ou espantar os insetos por conta própria.
O uso de métodos caseiros, como atear fogo ou jogar água, é extremamente perigoso, pois as abelhas interpretam essas ações como um ataque direto e partem para a defesa imediata.
As principais recomendações de segurança incluem:
- Manter a calma e afastar-se do local sem fazer movimentos bruscos ou ruídos altos.
- Retirar crianças e animais de estimação da proximidade e mantê-los em locais fechados.
- Não utilizar fumaça sem equipamento profissional, pois o sinal químico pode instigar o enxame a patrulhar uma área de até cinco quilômetros.
- Aguardar o período de migração natural de até cinco dias.
- Se os insetos permanecerem, acionar imediatamente o Corpo de Bombeiros, a Defesa Civil ou um apicultor qualificado para a retirada técnica.
A convivência com as abelhas é essencial para a polinização de alimentos e da flora nativa, mas exige respeito ao comportamento da espécie e rapidez no acionamento de profissionais em situações de risco.










