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"Frajola, me perdoa!": Protetora pede desculpas após descobrir o absurdo que aconteceu com cão doado por ela

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em Proteção Animal

A protetora de animais Deise Falci, de Porto Alegre (RS), viveu um reencontro tão improvável quanto emocionante.

Em um desabafo publicado no Instagram, ela contou como acabou reencontrando uma cachorrinha que havia doado meses antes e que, de forma quase inacreditável, voltou a cruzar seu caminho na véspera de Natal.

“Nunca repassem um cachorro que vocês adotarem comigo”

Visivelmente abalada, Deise começou o relato com um aviso direto, quase como um pressentimento que se confirmou:

“Nunca, nunca repassem um cachorro que vocês adotarem comigo. Porque eu sempre vou descobrir. Mais cedo ou mais tarde, eu vou ficar sabendo.”

Segundo ela, a conexão que mantém com os animais que resgata e doa é profunda, algo que vai além da lógica.

E foi justamente essa “energia”, como ela define, que fez com que a história da cadelinha Frajola viesse à tona da forma mais inesperada possível.

Uma ligação no meio da noite

Tudo começou quando Deise recebeu uma ligação à noite.

Do outro lado da linha, uma mulher se desculpava pelo horário e explicava que o marido, Junior, havia acabado de atropelar uma cadela na Avenida Sertório, uma das vias mais movimentadas de Porto Alegre.

Junior levou a cadelinha até eles. Mas Deise não estava preparada para o que encontraria.

“Eu fiquei em choque, gente, porque vocês não vão acreditar. Era uma afilhada minha, a Frajola.”

A cachorrinha havia sido doada por Deise no dia 13 de setembro, durante uma vitrine de adoção no shopping Iguatemi.

O casal adotante havia preenchido um questionário considerado excelente, o que, em tese, indicava que Frajola teria um lar seguro e responsável.

As primeiras suspeitas e o silêncio que levantou alertas

A primeira reação de Deise foi tentar entender o que havia acontecido. Frajola era uma cachorrinha assustada, então a hipótese inicial foi fuga. Mas algo não fechava.

“Eles moravam em Canoas. Eu pensei: como que ela já estaria aqui na Sertório?”

Sem perder tempo, Deise tentou contato com a adotante para confirmar se a cadelinha havia escapado.

No primeiro momento, não foi atendida. Depois, quando conseguiu falar, a ligação “caiu” justamente quando a pergunta foi feita. Mensagens no WhatsApp ficaram sem resposta.

Quando finalmente houve retorno, a versão apresentada não convenceu. A adotante afirmou ter ligado várias vezes para pedir ajuda, mas não apresentou nenhum comprovante das chamadas. Para Deise, isso soou como uma desculpa frágil.

O termo de adoção ignorado

Indignada, a protetora lembrou que no termo de adoção consta que, caso o tutor não possa mais ficar com o animal, ele deve ser devolvido à ONG ou à protetora responsável.

“Eu sou a pessoa mais fácil de encontrar. Todos os sábados eu faço vitrine. O que custava levar a cachorra numa vitrine e devolver?”

Para Deise, o mais doloroso foi perceber que Frajola pode ter sido repassada a terceiros ou até abandonada, algo que ela afirma não conseguir afirmar com certeza, mas que, de qualquer forma, configura uma quebra grave de confiança.

Coincidência ou conexão?

Outro ponto que deixou a protetora profundamente abalada foi o contexto do reencontro. Frajola não havia sido resgatada originalmente em Porto Alegre, mas em um sítio. Ou seja, não fazia sentido pensar que ela estaria “tentando voltar para casa”.

“Qual era a chance disso acontecer? Numa noite de Natal, de ele atropelar um cachorro e ser uma cachorra minha que tava perdida.”

Para Deise, o reencontro foi como uma prova da ligação que ela acredita ter com cada animal que passa por suas mãos.

Veja o vídeo:

A importância da adoção responsável

Adotar um animal vai muito além do impulso ou da emoção do momento. É uma decisão que precisa ser pensada, planejada e respeitada.

Segundo a Dogs Trust, uma das maiores organizações de proteção animal do mundo, fazer as perguntas certas antes da adoção é fundamental para evitar devoluções, abandonos ou situações de risco.

O que perguntar antes de adotar um cachorro?

A Dogs Trust recomenda que futuros tutores busquem o máximo de informações possíveis sobre o animal antes de levá-lo para casa. Conhecer o histórico do cão ajuda a entender suas necessidades emocionais e comportamentais.

Algumas perguntas importantes incluem:

  • Há quanto tempo o cão está no abrigo ou com a protetora?
  • Ele já foi realocado outras vezes?
  • Demonstra medos específicos?
  • Como se comporta com outros animais, crianças e durante passeios?

Essas respostas ajudam o adotante a entender se está preparado para lidar com aquele animal e reduzem drasticamente o risco de abandono futuro.

Saúde, rotina e expectativas precisam estar alinhadas

Outro ponto destacado pela Dogs Trust é a saúde do animal. Saber se o cão faz uso de medicação, se já passou por cirurgias ou se tem restrições alimentares é essencial para evitar frustrações e dificuldades.

Além disso, entender o nível de energia do cão, a necessidade de exercícios e como ele lida com a solidão ajuda a construir uma convivência mais saudável.

Quando essas informações são ignoradas, o resultado pode ser exatamente o que aconteceu com a Frajola: uma adoção que não se sustentou no longo prazo.

Larissa é jornalista e escreve para o Amo Meu Pet desde 2023. Mora no Rio Grande do Sul, tem hobbies intermináveis e acha que todos os animais são fofos e abraçáveis. Ela se formou em Jornalismo pela Universidade de Passo Fundo e é “mãe” de duas gatas.