“Era ela”: Homem viaja 724 km após ligação de abrigo e reencontra cachorrinha que ajudou 12 anos atrás
Por Ana Carolina Câmara em CãesEra um dia de nevasca em janeiro de 2014, na cidade de Boulder, Colorado, nos Estados Unidos, quando Aaron Foster avistou uma cena que partiu seu coração: uma cachorrinha vagando sozinha, tremendo de frio, em meio à paisagem completamente branca.
Sem pensar duas vezes, ele parou, se aproximou com cuidado e a resgatou. Aaron a levou para casa, a aqueceu, deu comida e água e, então localizou a família dela.
Com esperança de que tudo terminasse bem, Aaron entrou em contato com os tutores… mas recebeu uma resposta devastadora. A família não queria mais a cachorrinha.
A frieza daquela decisão foi tão chocante que Aaron não conseguiu simplesmente “seguir em frente”. Ele decidiu acolhê-la em lar temporário, prometendo a si mesmo que ela só sairia dali quando encontrasse uma família de verdade, disposta a amá-la como merecia.
E encontrou. Pouco tempo depois, uma família adotou a pequena e ela finalmente teve um recomeço.
Mas o que Aaron não imaginava é que a vida ainda guardava um capítulo inacreditável.
Doze anos se passaram, Aaron já havia se mudado para Las Vegas, quando recebeu uma ligação de um abrigo afirmando ter encontrado uma cachorrinha extremamente parecida com a que tinha resgatado… e que tudo indicava que era a mesma.
O destino, então, fez o impossível: colocou Aaron e aquela cachorrinha frente a frente mais uma vez, fazendo-o viajar mais de 724 km para, enfim, dar a ela o final feliz.
O resgate
O primeiro encontro de Aaron com a cachorrinha aconteceu quando ele saía de um prédio comercial e a viu no meio da nevasca.
Segundo Foster em entrevista ao People, ele conseguiu convencê-la a se aproximar e entrar em um lugar seguro, onde ofereceu comida e a aqueceu.
Ele também contou que a cadelinha usava uma coleira e tinha uma plaquinha de vacinação antirrábica, mas não havia nenhuma informação essencial, como nome ou número de telefone para contato.
No dia seguinte, Aaron levou a pet até um veterinário e, com a ajuda dos profissionais, conseguiu descobrir o contato dos tutores por meio das informações registradas.
Foi então que, ao ligar cheio de esperança para dar a notícia de que ela estava bem e em segurança, Aaron recebeu uma resposta que não esperava ouvir. Do outro lado da linha, a família informou, de forma fria, que não queria mais a cachorrinha e que não pretendia buscá-la.
“Eles disseram que moravam em um apartamento pequeno, que ambos trabalhavam fora de casa o dia todo e que ela era demais para eles”, contou.
Na época, Sadie — como a cachorrinha foi chamada — tinha apenas um ano de vida. Para Aaron, deixá-la nas ruas, especialmente depois de tudo o que ela havia passado, simplesmente não era uma opção.
Ele a acolheu com carinho e responsabilidade, decidido a mantê-la segura e bem cuidada até que surgisse uma família realmente amorosa, capaz de lhe oferecer o lar estável que ela merecia.
Aaron não a adotou de forma definitiva por um motivo: naquele período, ele já tinha planos de se mudar e não sabia se conseguiria garantir para ela a rotina, o espaço e a segurança necessários durante uma mudança tão grande.
Mesmo assim, ele não mediu esforços para ajudá-la da melhor forma possível, fazendo questão de encontrar pessoas que estivessem prontas para assumir o compromisso de cuidar dela por toda a vida.
Assim, Sadie passou a ser preparada para um recomeço, recebendo atenção, carinho e a chance de ser vista não como um problema, mas como uma companheira leal, doce e cheia de amor para dar.
Uma nova vida
O pai de Aaron, que na época morava no Arizona, participava de um grupo de busca e resgate de cães e logo se mobilizou para ajudar.
Foi ele quem indicou ao filho um profissional bastante respeitado na região: um treinador especializado em cães de caça que também atuava com uma função inusitada e muito procurada — treinar cães para detectar percevejos, um serviço conhecido por receber ótimas recomendações.
Aaron acreditou que, com esse apoio, Sadie teria mais chances de encontrar uma família rapidamente, já que estaria com alguém experiente e acostumado a trabalhar com cães de forma responsável. Antes disso, ele fez tudo o que estava ao seu alcance para garantir o bem-estar e a segurança da cachorrinha.
Segundo Foster, ele castrou Sadie, colocou um microchip e, nesse processo, acabou se apegando a ela. Ainda assim, ele sabia que precisava encontrar um lar definitivo antes de seguir com sua mudança.
Naquele momento, o Arizona pareceu ser a melhor opção: Aaron dirigiu até lá para entregá-la pessoalmente, e tudo indicava que ela finalmente teria o final feliz que merecia.
Por algum tempo, a decisão pareceu perfeita. No entanto, anos depois, Aaron perceberia que aquela história ainda estava longe de terminar.
O telefonema...
No dia 7 de janeiro de 2026, exatamente 12 anos após o dia em que encontrou aquela cachorrinha perdida na nevasca, Aaron recebeu uma ligação da The Animal Foundation.
As informações do microchip apontavam para um registro antigo — e tudo indicava que se tratava da mesma cachorrinha que Aaron havia acolhido tantos anos antes.
A notícia o deixou em choque. O passado, que ele acreditava encerrado com um final feliz, voltava à tona de forma surpreendente, como se o destino tivesse decidido reabrir uma história que nunca foi completamente concluída.
"Eu não fazia ideia do que eles estavam falando, mesmo quando mencionaram o nome dela, pensei: 'Não pode ser, já faz tanto tempo'", disse Aaron.
Quando foi confirmado que realmente se tratava de Sadie, Aaron não pensou duas vezes. Ele pegou um avião e foi ao encontro da cachorrinha, ansioso para vê-la novamente depois de tantos anos.
Ao chegar, descobriu que Sadie havia sido encontrada por uma família enquanto vagava sozinha. Preocupados com a segurança dela, essas pessoas decidiram levá-la até o Serviço de Proteção Animal da cidade.
De lá, a cadela foi encaminhada para a The Animal Foundation, onde recebeu cuidados e passou a ser avaliada pela equipe do abrigo.
Quando Sadie o viu, ela não o reconheceu. Afinal, doze anos haviam se passado desde o último encontro, e muita coisa mudou naquele tempo.
Mesmo assim, seu temperamento enérgico e brincalhão continuava o mesmo, como se ela ainda carregasse dentro de si aquela alegria que Aaron havia conhecido quando a salvou na neve.
“Ela parece saudável, mas estava muito nervosa quando nos conhecemos. Parecia não se lembrar de mim, mas assim que entramos no quarto do hotel antes da nossa longa viagem de volta para Reno no dia seguinte, ela se tornou muito carinhosa, brincalhona e confiante em mim”, ele conta. “Agora ela não gosta de sair do meu lado de jeito nenhum.”
Veja:
Aaron ficou de coração partido ao saber que Sadie havia sido rejeitada pela segunda vez. Para ele, era difícil aceitar que uma cadela tão doce, companheira e cheia de vida tivesse sido deixada para trás novamente.
Mas, dessa vez, Aaron fez questão de deixar claro que a história dela não terminaria com abandono. Ele garantiu que os anos dourados de Sadie serão completamente diferentes: repletos de cuidado, conforto e segurança, do jeito que ela sempre mereceu.
“Ela conheceu meu cachorro Bodie, um labrador mestiço de 9 anos que adotei em 2019, e eles já se dão muito bem, então isso selou o negócio – ela está em casa”, disse Aaron. “Agora Bodie tem uma irmã!”
Redatora e apresentadora do Canal Amo Meu Pet.
Com formação em Design de Produtos e especialização em Design de Interiores pela Universidade de Passo Fundo, a Ana encontrou sua verdadeira paixão ao unir criatividade, comunicação e o amor pelos animais.
Apaixonada por contar histórias que tocam o coração, ela estudou Escrita Criativa com o escritor Samer Agi e participa do programa JournalismAI Discovery, organizado pela Escola de Economia e Ciências Políticas de Londres e a Iniciativa de Notícias do Google, buscando se aprofundar no universo digital.
Hoje, dedica-se a produção de conteúdos que informam, emocionam, conscientizam e arrancam sorrisos.
