“Decidimos ficar com os 6 filhotes”: Casal desiste de férias na praia para salvar gatinhos órfãos e faz a escolha mais linda
Por Beatriz Menezes em Gatos
Imagine interromper o descanso de fim de ano para se tornar responsável pela vida de sete recém-nascidos. Foi exatamente isso que aconteceu com a criadora de conteúdo Mari, do perfil @casa_doze no TikTok, no último dia de 2025.
Ao encontrar uma gata de rua parindo no quintal da casa de sua mãe, em Florianópolis, Santa Catarina, ela tentou ajudar a proteger a ninhada da chuva.
O gesto, no entanto, resultou no abandono por parte da mãe felina, que, por ser muito arisca, rejeitou os filhotes após a intervenção humana.
O que se seguiu foi uma corrida contra o tempo. Mari e seu namorado, Amadeu, decidiram assumir o papel de cuidadores integrais da ninhada órfã.
O casal adaptou toda a logística de retorno das férias para garantir que os animais sobrevivessem, transformando a rotina de descanso em um plantão veterinário doméstico que dura 24 horas por dia.
A jornada pela sobrevivência não foi isenta de dor. Dos sete filhotes originais, a ninhada sofreu perdas marcantes. A primeira foi Vitória, uma gatinha encontrada com um quadro grave de miíase horas após o parto.
Ela chegou a ser internada, mas não resistiu à debilidade física. A segunda perda ocorreu já em solo paulista.
A filhote Branca, que apresentava uma respiração preocupante, faleceu pouco depois de chegar ao destino final, mostrando quão sensível é o sistema imunológico de animais que não recebem o leite materno nos primeiros dias.
Mesmo diante do luto, o casal não interrompeu os cuidados com os sobreviventes. A decisão de levar os animais para São Paulo foi tomada após Mari constatar que as ONGs e protetores de Florianópolis operavam acima da capacidade.
Sem vagas em abrigos que pudessem oferecer a amamentação a cada duas horas, o casal entendeu que a única chance dos animais estava em suas próprias mãos.
Momento da decisão:
A logística terrestre de 700 quilômetros
Transportar filhotes tão jovens exigiu um planejamento minucioso. O uso de aviões foi descartado de imediato por causa dos riscos da pressurização e do frio excessivo no compartimento de carga.
O ônibus também se mostrou inviável, já que o trajeto de mais de 12 horas não permitiria as paradas necessárias para alimentação e higiene constante.
Como Mari não dirige e a habilitação de Amadeu estava vencida, a solução foi alugar um carro e contratar um motorista particular indicado por amigos.
A viagem foi estruturada para que o casal pudesse manter o controle térmico da caixa de transporte, utilizando bolsas de água quente repostas em postos de combustível ao longo da estrada.
O objetivo era simular o calor corporal que a mãe gata forneceria, evitando o estresse térmico que é fatal para felinos neonatos.
Vida nova e olhos abertos em São Paulo
Agora estabelecidos em São Paulo, os filhotes sobreviventes alcançaram um marco fundamental no desenvolvimento.
Foi no apartamento do casal que os pequenos começaram a abrir os olhos, sinalizando que estão prosperando apesar das adversidades iniciais.
A rotina de Mari e Amadeu continua sendo ditada pelo relógio, com mamadeiras de leite especial preparadas durante toda a madrugada.
No apartamento, o isolamento é total. Como o casal já possui três gatos adultos, os órfãos permanecem em um ambiente separado até que tenham idade para realizar os testes de doenças virais e receber as primeiras vacinas.
Mari reforça em suas redes sociais que, embora o vínculo criado seja profundo, o plano é encaminhar os animais para adoção responsável assim que estiverem fortes e independentes.
Cuidar de gatinhos órfãos é uma tarefa que exige precisão e paciência, simulando ao máximo o papel que a mãe desempenharia na natureza.
Quando a amamentação natural não é possível, a intervenção humana precisa seguir protocolos rígidos para garantir a sobrevivência e o desenvolvimento saudável dos filhotes.
Confira dicas do Pet Anjo:
Alimentação: substitutos e regras
O sistema digestivo dos filhotes é frágil. O erro na escolha do leite pode ser fatal.
- Proibição: nunca ofereça leite de vaca puro. Ele causa diarreia e desidratação severa, levando rapidamente ao óbito.
- O que usar: priorize leites comerciais específicos para gatos (sucedâneos). Em emergências, misture 78ml de leite integral (preferência sem lactose), 4ml de creme de leite e 18ml de gema de gema crua. Ferva e adicione uma gota de mel antes de servir morno.
- Posição correta: alimente o gatinho sempre de barriga para baixo. Jamais coloque o animal de barriga para cima, pois o leite pode ir para os pulmões e causar sufocamento.
- Frequência: até o 10º dia, amamente a cada 2 horas. Entre 11 e 18 dias, o intervalo sobe para 3 ou 4 horas.
Aquecimento: vida e digestão
Filhotes não regulam a própria temperatura até a terceira semana. Se estiverem frios, eles param de digerir o alimento.
- Cama protegida: isole a caixa do chão com papelão ou jornal. Use cobertores macios para manter o calor.
- Fontes de calor: utilize bolsas de água quente ou luvas de plástico com água morna envolvidas em pano. O contato direto com a borracha quente pode queimar a pele sensível deles.
Higiene: estímulo às necessidades
Recém-nascidos não urinam nem defecam sozinhos. Na natureza, a mãe faz isso através de lambidas.
- Simulação: após cada mamada, use um algodão umedecido em água morna para massagear suavemente a barriga e as genitais do filhote.
- Limpeza: mantenha-os sempre secos. Após as necessidades, limpe os resíduos com um pano úmido para evitar infecções na pele.










