Motoboy recusa recompensa de R$ 5 mil após encontrar cão Pomsky desaparecido: “Eu tenho cachorro, mano, sei bem como é”
Por Beatriz Menezes em NotíciasA angústia de uma família residente no bairro Ferrazópolis, em São Bernardo do Campo, terminou após 62 horas de buscas ininterruptas.
O cão Duke, um filhote da raça Pomsky de nove meses, retornou ao lar na manhã da sexta-feira (23), depois de mobilizar moradores e redes sociais desde a noite de terça-feira.
O desfecho positivo contou com a participação de um motoboy que avistou o animal e priorizou o bem-estar do pet em relação ao valor financeiro oferecido como recompensa. O reencontro aconteceu por volta das 10h30 na Rua Eça de Queiroz, completando o ciclo de quase três dias de desaparecimento.
Vanderson, conhecido na região como Andinho, trabalhava no momento em que identificou o animal com as características descritas nos cartazes espalhados pela cidade.
Ele entrou em contato imediato com a tutora Isabela Costa para informar a localização. Duke estava perdido desde às 19h50 da terça-feira, quando saiu da residência no momento em que um familiar recebia uma encomenda.
De acordo com a TV São Bernardo, o incidente inicial ocorreu de forma rápida. No instante em que o portão foi aberto, o filhote aproveitou a brecha e saiu sem que os moradores percebessem a movimentação.
Por estar sem coleira de identificação, o rastreio dependeu exclusivamente de informações de testemunhas e registros de câmeras.
A família reforçou durante todo o período de buscas que o animal possui um temperamento dócil, mas apresenta comportamento arredio diante de barulhos de motocicletas e correria de crianças.
Imagens de sistemas de segurança de vizinhos ajudaram a traçar a rota inicial de Duke. Os vídeos mostraram o cão subindo uma via em direção ao Jardim Limpão pouco depois da fuga.
Esse dado foi o último ponto de referência concreto antes de o animal sumir do alcance das lentes monitoradas. A tutora relatou que o período de ausência foi marcado por um esforço coletivo para cobrir o máximo de terreno possível no bairro e arredores.
O papel do motoboy e a negociação da recompensa
Vanderson circulava pela Rua Eça de Queiroz quando notou o cachorro caminhando pela calçada. Mesmo ciente do receio que o animal costuma ter de motores, o entregador agiu com cautela para não assustar o filhote.
Ao confirmar a identidade do pet, ele acionou a família pelos números divulgados nas redes sociais.
Um ponto relevante do encerramento do caso foi a postura do trabalhador quanto ao incentivo financeiro. A família de Isabela havia estipulado uma recompensa de R$ 5 mil para quem trouxesse o Duke em segurança.
Ao ser confrontado com o valor, Vanderson optou por não aceitar a quantia total. O motoboy solicitou apenas R$ 2 mil com a finalidade específica de custear reparos mecânicos em sua motocicleta, utilizada para o sustento diário. O gesto de desprendimento foi destacado pela tutora como uma prova de solidariedade.
Estado de saúde e retorno ao convívio familiar
Assim que recuperaram o animal, os tutores realizaram uma conferência física básica. Duke não apresentava ferimentos profundos ou sinais de maus-tratos.
A principal observação recaiu sobre as patas do animal, que exibiam pequenos machucados decorrentes das longas caminhadas em terrenos ásperos e sob o calor das calçadas durante o intervalo de 62 horas em que esteve na rua.
Isabela utilizou os canais de comunicação e redes sociais para agradecer o empenho da comunidade e a visibilidade dada ao caso pela imprensa local.
Segundo ela, a corrente de compartilhamentos foi o fator decisivo para que a imagem do Duke chegasse ao conhecimento de Vanderson durante sua jornada de trabalho.
Assista abaixo:
O retorno foi celebrado com registros do cão já descansando em seu ambiente habitual. Uma publicação no Instagram da TV São Bernardo obteve 793 mil visualizações, 37 mil curtidas e 2479 comentários.
“Parabéns a esse cara bacana e a todos que compartilharam e ajudaram de alguma forma. Parabéns e muito obrigado. Família feliz”.
“Não tem como não se emocionar! Graças a Deus. Que encontro lindooooo”.
“Parabéns ao rapaz que segurou o doguinho. Deus é bom o tempo todo”.
Foram alguns dos comentários.
"Eu estava trampando e o comentário da região era sobre esse cachorro. Quando olhei para o outro lado da rua, vi ele descendo, desesperado", contou Andinho em entrevista ao jornalista @elilimaofc.
O motoboy não hesitou: "Corri atrás, foi quase um quilômetro de moto. Um monte de gente tentando pegar e nada. Na hora que ele cansou, parei, usei minha bolsinha como coleira e liguei para os donos".
Para Andinho, a motivação passou longe do valor financeiro. Dono de Floki, um American Bully Micro de 4 anos, ele se colocou no lugar da tutora, Isabela Costa.
"Eu tenho cachorro, mano. Eu sei o que um animal desse representa. Não tem como não ficar comovido vendo a dona chegar ali, clamando a Deus e agradecendo. A gente enche o olho d'água mesmo", desabafou o motoboy.
Ufa, final feliz! E aí, você também recusaria a recompensa?
