Pingo, cachorrinho adotado em posto de gasolina, passa dos 22 anos e entra para o grupo mais longevo já registrado no país
Por Beatriz Menezes em Cães
O cão Pingo superou a marca de 22 anos de idade em Vinhedo, no interior de São Paulo, e se consolidou como um dos animais mais longevos registrados no Brasil.
A idade do animal equivale a mais de um século na cronologia humana. Pingo ganhou notoriedade nacional após viver por anos como cão comunitário em um posto de combustível na cidade paulista.
Hoje, o animal reside em um abrigo particular adaptado com recursos tecnológicos e monitoramento constante.
A história do animal é acompanhada de perto pelo comunicador Vinicius Di Nardo, que documenta a evolução do quadro de saúde e a rotina do cão. O relato sobre a longevidade de Pingo baseia-se em registros históricos de moradores e funcionários do antigo local de moradia do animal.
A confirmação da idade mínima de duas décadas coloca o cão em um grupo restrito de animais que desafiam a expectativa média de vida da espécie, geralmente fixada entre 12 e 15 anos para portes semelhantes.
A vida no posto de combustível e o fenômeno digital
Durante boa parte de sua existência, Pingo fez do asfalto e das bombas de combustível o seu lar. No posto em Vinhedo, ele não era apenas um animal de rua, mas uma figura central da comunidade local.
Os funcionários e clientes garantiam que o cão tivesse alimentação e abrigo básico.
A estrutura montada no estabelecimento comercial incluía até um espaço com climatização para que o animal enfrentasse as altas temperaturas do interior paulista sem desgaste físico excessivo.
O novo lar e a infraestrutura de suporte
Há cerca de um ano, a trajetória de Pingo mudou com a intervenção de Áurea, moradora da região que decidiu oferecer uma estrutura mais robusta para os anos finais do animal.
A mudança do posto de gasolina para uma residência particular foi motivada pela necessidade de cuidados médicos mais frequentes e de um ambiente controlado.
Na nova casa, o cão dispõe de um quarto exclusivo que os cuidadores chamam de mansão devido ao nível de detalhes instalados para o conforto dele.
O ambiente conta com monitoramento por câmeras de vídeo que permitem a observação remota em tempo real.
Além disso, o cão utiliza ventiladores e mantém uma dieta baseada em proteínas frescas, como frango cozido, e hidratação com água gelada constante.
A rotina é milimetricamente calculada para garantir que o ciclo de sono e as curtas caminhadas pelo gramado ocorram sem riscos de quedas ou exaustão.
Embora o animal tenha vivido em um ambiente público por anos, a rede de apoio formada pela comunidade de Vinhedo garantiu que ele não sofresse privações severas de alimento ou proteção contra intempéries.
A mobilidade de Pingo é o ponto de maior atenção. Com o passar do tempo, as articulações sofrem desgaste natural, o que exige superfícies planas e macias para circulação.
De acordo com o jornal Metrópoles, ele é o animal mais antigo de Vinhedo. Pingo é acompanhado há anos pela veterinária Lígia Fernandes, ela acredita que o cão deve ter "uma genética ótima" para ter vivido tanto tempo sem doenças, apenas enfrentando os sintomas da senilidade, um conjunto de alterações físicas e mentais que ocorrem com o envelhecimento.
A transição para um lar fixo não foi imediata. Pingo, acostumado à liberdade do posto, rejeitou as primeiras tentativas de adoção de Áurea. A mudança só se concretizou quando a saúde do animal declinou, tornando o ambiente doméstico indispensável para sua sobrevivência.
Confira o vídeo abaixo:
O que explica a resistência de Pingo
De acordo com O Globo, pesquisadores do Reino Unido analisaram dados de 584.734 cães para entender os fatores que prolongam a vida animal. O estudo indica que o porte e a morfologia do crânio são determinantes.
Cadelas pequenas de focinho longo lideram a expectativa de vida com 13,3 anos, enquanto animais de focinho achatado registram média de 11,2 anos.
A pesquisa também apontou que cães mestiços, grupo no qual Pingo se enquadra, vivem em média 12 anos. O número é inferior aos 12,7 anos registrados para cães de raça pura.
O tamanho do corpo também exerce influência direta no tempo de vida. Raças grandes apresentam uma redução de 20% na longevidade quando comparadas a animais de pequeno porte.










