“Que casinha feia, Cona”: Moça mostra abrigo que cão comunitário ganhou e estado degradado chama atenção

Por
em Cães

A existência de um cão comunitário em áreas urbanas exige mais do que apenas tolerância dos moradores; demanda um olhar atento e uma responsabilidade compartilhada que muitas vezes passa despercebida.

Estes animais, que fazem das calçadas o seu lar, dependem exclusivamente da percepção humana para sobreviver ao tempo e ao descaso.

Em Palhoça, Santa Catarina, essa rede de cuidado foi testada e fortalecida em torno de Cona, um labrador chocolate que mobilizou a vizinhança após ter a precariedade de seu abrigo exposta nas redes sociais.

No dia 29 de janeiro, a internauta @cunhaxvw9zs deu voz ao que muitos viam, mas poucos agiam para mudar. Ela registrou o estado de deterioração da antiga casinha de Kona, que estava com as madeiras podres e o assoalho cedendo.

"Olha ali que pecado, tadinho. O barraco dele... Ele ficou na rua e arrumaram uma casinha para ele, mas olha a casinha, tadinho. O assoalho, o assoalho... Kona! Ô Kona, tua casa está feia, hein? Pecado", relatou no vídeo que rapidamente viralizou.

A publicação serviu como um alerta sobre como a assistência a cães comunitários precisa de manutenção constante para ser efetiva.

Veja abaixo:

A resposta ao apelo foi imediata e um morador da região doou uma estrutura nova, e uma força-tarefa de voluntários se organizou para realizar a troca.

A instalação da nova casa azul ocorreu pouco antes de uma forte chuva atingir a cidade, evidenciando a urgência do cuidado preventivo.

"Olha só, faz meia hora que a casinha chegou. Tinha sol e agora caiu um temporal. Ó lá ele, já está usando a casinha. Oi Kona! Vem que não dá para te ver... Que lindo! Gostou?", celebrou a moradora ao ver o animal protegido do temporal.

Além do abrigo, Kona recebeu doações de ração premium, sachês e um novo comedouro.

Confira:

Entretanto, o cuidado com um cão comunitário não se encerra na entrega de bens materiais.

A repercussão do caso gerou uma onda de interessados na adoção definitiva de Kona, o que trouxe à tona o debate sobre a responsabilidade de longo prazo.

A autora dos vídeos assumiu a triagem dos candidatos, estabelecendo critérios rigorosos para garantir que o próximo passo na vida do labrador seja seguro.

Ela ressalta que Kona carrega traumas de um passado de abandono e maus-tratos, o que exige um tutor com perfil específico.

"O Kona foi um cachorro que viveu a vida toda amarrado numa corrente, num espaço super pequeno, debaixo de sol. Então eu, sinceramente, quero que seja uma pessoa boa, que tenha espaço, que tenha condição", explicou a responsável.

Ela reforçou que adotar um animal com esse histórico demanda paciência e estabilidade financeira.

"É uma responsabilidade grande adotar, sabe? Não é só pegar o cachorro e colocar dentro de casa. Um cachorro vive em média 12 anos, então são 12 anos de muita responsabilidade. Eu peço que a pessoa que vá adotar tenha consciência disso. Cachorro é gasto, tem que ter tempo, tem que ter disposição", completou.

A moradora também esclareceu que sua atuação é de mediadora, uma vez que sua própria configuração familiar, com uma cadela reativa e muros baixos, impede que ela acolha Kona permanentemente.

Essa transparência reforça o papel do protetor independente: identificar a necessidade, mobilizar recursos e garantir o melhor destino para o animal, mesmo quando não se pode ser o tutor final.

Enquanto a escolha do novo lar não é concluída, Kona permanece sob a vigilância da comunidade de Palhoça, agora em uma estrutura digna.

O caso de Kona exemplifica que o bem-estar dos cães comunitários é um reflexo direto da empatia e da organização dos cidadãos que dividem o espaço com eles.

A mobilização em Santa Catarina mostra que, quando o olhar individual se torna coletivo, a realidade de abandono pode ser substituída por uma rede eficiente de proteção e dignidade animal.

Estamos torcendo para que o próximo vídeo seja sobre Cona conhecendo sua nova família para viver o resto da vida amado e em segurança!

Beatriz é jornalista formada pela Universidade de Passo Fundo, com especialização em Escrita Criativa e Editoração pela Universidade Pitágoras Unopar Anhanguera. Apaixonada por narrativas envolventes e pelo universo pet, ela também possui certificação em Storytelling para Marketing Digital pela Santander Open Academy, o que complementa sua habilidade de transformar histórias reais em conteúdos informativos e inspiradores. Dedica-se à produção de reportagens que valorizam a convivência ética e afetiva entre humanos e animais de estimação, promovendo empatia, informação de qualidade e o respeito aos animais.