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“Ela cresceu e perdeu a graça”: Cadela adotada filhote é devolvida ao abrigo por motivo revoltante

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em Cães

Ela chegou pequena, cabia no colo, rendia fotos fofas e arrancava suspiros. Como tantos outros filhotes, Vick foi adotada cheia de promessas: de cuidado, de amor e de um lar definitivo.

Mas bastou o tempo passar para que tudo isso fosse desfeito.

Quando cresceu, Vick perdeu algo que jamais deveria ter sido condição para continuar sendo amada: a “graça”.

E assim, a cadela que um dia foi escolhida acabou devolvida, como se fosse um objeto que não servia mais.

Hoje, aos dois anos de idade, Vick carrega no currículo tudo o que qualquer adotante consciente deveria procurar: é jovem, castrada, vacinada, microchipada e saudável.

Ainda assim, segue esperando. Não porque tenha problemas, mas porque pesa mais de 25 quilos e isso, para muitos, parece ser imperdoável.

Adotada pequena, devolvida grande

A história de Vick é dolorosamente comum. Segundo protetores, cães adotados ainda filhotes têm muito mais chances de encontrar um lar do que aqueles que chegam à fase adulta.

O problema é que muitos adotantes não estão preparados ou dispostos a honrar o compromisso que assumiram quando o animal cresce.

Na legenda que acompanha o vídeo compartilhado no Instagram, o Instituto Fica Comigo desabafa: “Ela cresceu e perdeu a graça”.

Com o retorno ao abrigo, Vick perdeu algo ainda mais valioso do que uma casa: tempo.

Estima-se que, após os dois anos de idade, as chances de adoção de um cão caiam em cerca de 80%.

Não porque ele deixe de ser carinhoso, companheiro ou inteligente, mas porque a sociedade insiste em romantizar apenas a fase de filhote, ignorando tudo o que vem depois.

O tamanho que vira sentença

Além de adulta, Vick é um cão de porte grande. E isso, infelizmente, pesa contra ela. Muitos interessados sequer passam da primeira foto ao descobrir que ela é considerada porte G.

O preconceito contra cães grandes ainda é forte. Há quem associe tamanho a agressividade, dificuldade de manejo ou falta de espaço, mesmo quando o animal é dócil, equilibrado e acostumado à convivência com pessoas.

O resultado é cruel: cães grandes e adultos costumam permanecer mais tempo em abrigos, quando não passam a vida inteira em canis, aguardando uma chance que talvez nunca venha.

Adote a Vick

Para quem quiser ser exceção, Vick está disponível para adoção em Curitiba (PR). O contato é feito via WhatsApp, pelo número (41) 99746-6529, com Taiane.

Por que adotar um cão grande pode mudar sua vida

Organizações de proteção animal ao redor do mundo reforçam que cães grandes e adultos estão entre os mais injustiçados nos processos de adoção.

A Korean K9 Rescue, organização sem fins lucrativos, destaca que abrir o coração para um cão adulto é oferecer uma segunda chance e receber, em troca, um companheiro de lealdade rara.

Segundo a instituição, cães adultos resgatados carregam histórias difíceis, mas também uma enorme capacidade de se recuperar e amar novamente.

Conquistar a confiança de um animal que já foi abandonado cria um vínculo profundo, marcado por gratidão e conexão emocional.

Mais tranquilidade, menos caos

Diferentemente dos filhotes, cães adultos geralmente já passaram pela fase mais agitada da vida.

Isso significa menos destruição, mais previsibilidade e uma rotina mais compatível com quem busca um companheiro equilibrado.

Cães grandes, em especial, tendem a ser mais tranquilos dentro de casa, apreciando caminhadas, momentos de descanso e a simples presença do tutor.

Essa estabilidade faz deles ótimos parceiros para famílias, pessoas mais velhas ou quem deseja um amigo fiel sem a energia inesgotável de um filhote.

Eles sabem quando são escolhidos

Outro ponto ressaltado pela Korean K9 Rescue é a capacidade que cães adultos têm de reconhecer quando finalmente estão seguros.

Muitos deles parecem entender que aquela é sua última chance e respondem com um afeto intenso, constante e genuíno.

Não é raro que cães adotados já adultos desenvolvam vínculos profundos com seus tutores, como se soubessem que, daquela vez, foram escolhidos para ficar.

Larissa é jornalista e escreve para o Amo Meu Pet desde 2023. Mora no Rio Grande do Sul, tem hobbies intermináveis e acha que todos os animais são fofos e abraçáveis. Ela se formou em Jornalismo pela Universidade de Passo Fundo e é “mãe” de duas gatas.