Um simples comentário muda a vida de cão idoso que viveu por duas décadas em abrigo: ‘Vai viver o melhor da vida”

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em Aqueça o coração

O cachorro branco que aparece andando com cuidado pela areia da praia talvez não saiba disso, mas ele se tornou a prova de que nunca é tarde para ser escolhido.

O nome dele é Davi, mais conhecido como Vô Davi, e seus 22 anos fazem dele um dos cães mais velhos já acolhidos pelo Centro de Bem-Estar Animal de Santa Cruz do Sul, no Rio Grande do Sul.

Durante anos, Vô Davi foi apenas mais uma presença no abrigo. Um cachorro idoso, de olhar doce, corpo marcado por cicatrizes e uma história cheia de lacunas.

Ninguém sabe exatamente o que ele viveu antes de chegar ali. Apenas que ele foi resgatado já velho, ferido e sozinho, no bairro Bom Jesus.

Os veterinários estimam que ele tinha cerca de 17 anos no momento do resgate.

O que se sabia, com certeza, era que ele era dócil. Daqueles cães que não pedem muito: um canto tranquilo, carinho sem pressa e a chance de descansar em paz.

A postagem que mudou tudo

A virada na história do Vô Davi começou com uma simples postagem nas redes sociais. A protetora Bruna Molz compartilhou uma foto do cachorro e contou um pouco sobre sua trajetória no Centro de Bem-Estar Animal.

"Às vezes, a vida responde", disse Bruna.

E, sim. Respondeu!

Do outro lado da tela, em Santa Catarina, alguém olhou para aquele velhinho e pensou: “eu quero”.

O adotante se chama Vitor, e mesmo morando em outro estado, decidiu abrir o coração para um cachorro que muitos já considerariam velho demais para começar de novo.

"Que alegria chegar no Centro de Bem-Estar Animal pra buscar o Vô Davi", relatou Bruna, em um vídeo emocionante.

A emoção tomou conta no dia em que Vitor chegou ao abrigo para buscar o novo companheiro.

O Vô Davi, sem saber, estava prestes a viver algo que parecia improvável até para quem acredita em finais felizes.

Dia de príncipe antes da mudança

Antes da viagem, Vô Davi teve um dia especial. Um “dia de príncipe”.

Ele passou pelo pet da Lê, onde foi cuidadosamente preparado para o primeiro encontro com seu novo pai.

Banho, carinho, atenção e aquele cuidado extra que transforma qualquer cachorro, mas que, para ele, tinha um significado ainda maior.

Afinal, não era qualquer adoção. Vô Davi estava deixando o abrigo para morar na praia. Mais especificamente, em Balneário Gaivota, em Santa Catarina.

Um vovô estiloso, cheiroso e pronto para começar uma nova fase da vida.

O primeiro encontro com o mar

Uma das cenas mais emocionantes do vídeo mostra Vô Davi conhecendo o mar pela primeira vez. Caminhando devagar, sentindo a areia sob as patas, o vento no rosto e o som das ondas.

O fato é que Vô Davi não gostou. Ele amou o mar!

Depois de anos dentro de um abrigo, ele finalmente podia explorar o mundo de um jeito calmo, no ritmo que a idade pede.

Um passado difícil, um presente de amor

As cicatrizes espalhadas pelo corpo do Vô Davi levantam muitas perguntas sem resposta. O que aconteceu antes do resgate? Por que ele estava machucado? Por que envelheceu sozinho?

Essas respostas talvez nunca venham. Mas o que importa agora é o presente. E o presente do Vô Davi é feito de cuidado, tranquilidade e pertencimento.

Nada disso teria sido possível sem Vitor, que decidiu enxergar além da idade.

“Hoje, ele vai viver sendo amado”, diz a legenda da publicação. “Que ele seja muito feliz no tempo que ainda tem.”

Até onde um cachorro pode chegar?

A história do Vô Davi chama atenção não apenas pela adoção tardia, mas também pela idade impressionante. Afinal, 22 anos é uma longevidade rara entre cães. Mas não é um recorde.

O título de cão mais velho do mundo pertence a Bobi, um cachorro de Portugal que viveu até os 31 anos e 165 dias, segundo o Guinness World Records.

Nascido em 1992, Bobi teve sua idade confirmada por registros veterinários oficiais e por uma base de dados governamental portuguesa.

A história de Bobi também é marcada por sobrevivência. Condenado ao nascer, ele escapou por pouco de um destino cruel e acabou vivendo toda a vida com a família Costa, em um ambiente calmo, longe das cidades.

Os segredos da longevidade de Bobi

Segundo seu tutor, Leonel Costa, alguns fatores podem ter contribuído para a vida longa de Bobi:

  • um ambiente tranquilo
  • liberdade para circular
  • convivência com outros animais
  • acompanhamento veterinário regular
  • uma rotina sem estresse

Com o passar dos anos, Bobi diminuiu o ritmo. Dormia mais, caminhava com dificuldade, preferia ficar deitado após as refeições e buscava calor nos dias frios. Ainda assim, viveu com dignidade até o fim.

Por que adotar um cão idoso?

De acordo com a veterinária Brittany Kleszynski, em um artigo do PetMD, cães idosos são frequentemente negligenciados em abrigos. Enquanto filhotes costumam ser adotados rapidamente, apenas cerca de 25% dos cães idosos conseguem um lar.

Um cão é considerado idoso, em geral, a partir dos 7 anos, embora isso varie conforme o porte. Raças grandes envelhecem mais cedo; raças pequenas, mais tarde.

Mesmo assim, esses animais têm muito a oferecer.

Companheiros mais calmos e previsíveis

Cães idosos costumam ser mais tranquilos, o que os torna ideais para pessoas com um estilo de vida mais calmo.

Eles geralmente já passaram da fase destrutiva, têm temperamento conhecido e, muitas vezes, já sabem fazer as necessidades no lugar certo.

Além disso, ainda são capazes de aprender. Ensinar pequenos truques ou rotinas ajuda a manter a mente ativa e fortalece o vínculo com o tutor.

Amor sem prazo de validade

Adotar um cão idoso é um gesto de amor consciente. É saber que o tempo pode ser curto, mas intenso. É oferecer conforto, segurança e carinho quando eles mais precisam.

Vô Davi talvez não viva mais uma década. Mas agora, cada dia importa. Cada cochilo ao sol, cada caminhada lenta na areia, cada afago sem pressa.

Aos 22 anos, ele é mais um cão que mostra que finais felizes não têm idade para acontecer.

Larissa é jornalista e escreve para o Amo Meu Pet desde 2023. Mora no Rio Grande do Sul, tem hobbies intermináveis e acha que todos os animais são fofos e abraçáveis. Ela se formou em Jornalismo pela Universidade de Passo Fundo e é “mãe” de duas gatas.