"Segura firme nas nossas mãos, pequena": Veterinário segura patinhas de cachorrinha durante exame para ela se sentir segura
Por Larissa Soares em Aqueça o coração
Durante um exame delicado, uma cachorrinha resgatada, visivelmente assustada, encontrou conforto nas mãos de quem estava cuidando dela.
Vitória, como foi chamada, estava passando por um ultrassom abdominal quando o momento aconteceu.
Com medo, quietinha e sem entender o que estava acontecendo, ela teve as patinhas seguradas por um dos profissionais que acompanhavam o procedimento.
A cena foi publicada no dia 10 de março, no perfil de Bruno Campos, acadêmico de medicina veterinária, conhecido como Tio Bruno.
“Segura firme nas nossas mãos, pequena… a sua história ainda vai ter um final lindo”, dizia o texto que acompanha o vídeo.
Um resgate marcado por dor e medo
A história de Vitória, no entanto, começou dias antes e de forma bem mais difícil.
No dia 6 de março, Bruno contou que a cachorrinha foi resgatada após denúncias.
Ela havia passado dias dormindo na chuva e no frio, completamente exposta e sem qualquer proteção. Quando foi encontrada, o estado era crítico.
Vitória estava extremamente magra, com diversos ferimentos pelo corpo e sinais claros de negligência e possível agressão.
Além disso, apresentava um comportamento que chamava atenção: o medo constante.
“O olhar assustado mostra o quanto essa pequena provavelmente já sofreu na vida”, relatou Bruno.
Pela aparência, a equipe acredita que ela já seja uma cadela mais velha, o que torna tudo ainda mais delicado.
Desde então, ela foi internada e passou a receber cuidados intensivos, com medicação, alimentação assistida e acompanhamento veterinário constante.
Um comportamento que comove
Nos primeiros dias de internação, Vitória mal conseguia interagir. Segundo atualizações compartilhadas pelo projeto, ela passava a maior parte do tempo escondida, evitava contato visual e frequentemente mantinha a cabeça baixa.
Os sinais eram típicos de um animal que viveu situações de medo e violência.
“Grande parte do tempo ela fica olhando para a parede e evita contato visual com a gente, provavelmente por medo de ser agredida ou maltratada”, explicou Bruno.
Até mesmo a alimentação era um desafio. Ela só conseguia comer quando a comida era oferecida diretamente na boca, com muito cuidado e paciência.

Apesar disso, aos poucos, pequenos avanços começaram a surgir: Vitória passou a beber água sozinha e a aceitar, ainda que timidamente, a presença da equipe.
O exame e o gesto que fez diferença
No dia 10 de março, Vitória passou por um ultrassom abdominal, etapa importante para entender seu estado de saúde.
O exame revelou um quadro preocupante: início de piometra, uma infecção uterina grave que pode evoluir rapidamente e exige intervenção cirúrgica.
Mas foi durante esse procedimento que aconteceu o momento que emocionou tanta gente.
Assustada, Vitória permaneceu quieta enquanto o veterinário segurava delicadamente suas patinhas, transmitindo segurança.
O gesto, embora simples, fez toda a diferença.
“Mais uma vez parabéns pelo seu ato. Cada vidinha conta. Vamos juntos em doação e oração. Ela vai ficar bem”, escreveu uma internauta.
“Tadinha! Tão quietinha. Vai dar certo, Vitória”, comentou outra.
“Lindos! Ninguém solta a mão de ninguém. Um por todos e todos por um”, disse mais uma pessoa.
Mais do que tratamento, acolhimento
De acordo com especialistas, o comportamento apresentado por Vitória não é incomum em cães que passaram por situações de abandono ou maus-tratos.
Animais traumatizados tendem a apresentar medo intenso, evitar contato visual e demonstrar resistência ao toque, principalmente no início da recuperação.
Por isso, além dos cuidados médicos, o processo de reabilitação emocional é fundamental.
Segundo informações compartilhadas por Alexandre Rossi, o Dr Pet, ao portal Petz, “lidar com traumas em animais requer abordagens sensíveis e estratégicas”.
E é justamente nesse ponto que atitudes como segurar as patinhas, falar com voz calma e oferecer carinho fazem diferença.
“Ela precisa de cuidados profissionais, sim… mas algo que eu sempre acredito é que, antes de qualquer profissão, precisamos ser humanos”, destacou Bruno em uma das atualizações.
Uma batalha pela vida
Após o diagnóstico de piometra, a equipe iniciou uma nova etapa no tratamento de Vitória.
A condição não tem cura apenas com medicamentos e exige cirurgia. Antes disso, porém, é necessário realizar exames complementares, como o eletrocardiograma, para garantir a segurança do procedimento.
Enquanto isso, ela segue internada, recebendo medicações, fluidoterapia e todo o suporte necessário.
“Ela ainda está muito sensível, assustada e debilitada… mas seguimos fazendo tudo com muito cuidado para dar a ela a chance de recomeçar com saúde e dignidade”, escreveu Bruno.
Vitória talvez ainda não entenda o que está acontecendo ao seu redor. Mas uma coisa já mudou completamente: ela não está mais sozinha.
Larissa é jornalista e escreve para o Amo Meu Pet desde 2023. Mora no Rio Grande do Sul, tem hobbies intermináveis e acha que todos os animais são fofos e abraçáveis. Ela se formou em Jornalismo pela Universidade de Passo Fundo e é “mãe” de duas gatas.








