"Esse é o Mentira": ONG resgata spitz descartado por ter perninhas muito curtas e ele ganha nome inusitado
Por Beatriz Menezes em Proteção Animal
O mercado de pets de raça muitas vezes esconde histórias de sofrimento que ficam restritas aos bastidores de criadouros focados apenas no lucro financeiro.
No dia 10 de janeiro, a ONG Alma de Patas, situada em Goiânia, Goiás, trouxe a público o caso de Mentira, um cão da raça spitz alemão que ilustra essa realidade. O animal foi descartado pelo canil onde nasceu e vivia porque não conseguia cruzar.
O motivo apontado pelos antigos proprietários era a estrutura física do cão, que possui as pernas mais curtas que o padrão esperado para a reprodução da raça.
A história de Mentira ganhou repercussão após um vídeo publicado no Tik Tok da organização, onde a gravidade da situação foi detalhada.
O descarte de animais que não servem mais para a procriação é uma prática comum em estabelecimentos que tratam seres vivos como mercadorias descartáveis.
Quando o animal deixa de gerar retorno financeiro através da venda de filhotes, ele se torna um custo, o que leva ao abandono ou ao repasse para abrigos.
No relato emocionante feito pela responsável pelo resgate, fica claro que a incapacidade de reprodução era apenas a ponta do iceberg.
A aparência externa de um cão de raça valorizado no mercado muitas vezes mascara maus-tratos profundos na saúde básica e no bem-estar.
Mentira apresentava uma condição de pelagem alarmante, com nós tão cerrados que impediam o toque na pele do animal.
“E essa não é a pior parte, porque você pensa: 'Nossa, isso é um absurdo, né?'. A pior parte é a pelagem dele. Não sei se dá para salvar. Talvez eu não mostre tudo no vídeo do jeito que realmente é, mas a mão não passa aqui, ó.”, contou
O vídeo mostra que a mão da protetora não consegue deslizar pelo corpo do cachorro, evidenciando meses de negligência estética e falta de escovação.
“Cara meu coração dói de ouvir um como um “descarte” que coisa mais maravilhosa de Deus, se não tivessem adotado eu adotaria sem dúvidas!”.
“Tadinho”.
“Tenho certeza que agora ele está em boas mãos”.
Comentaram alguns internautas.
Muitos criadouros justificam a qualidade de seus animais citando o uso de rações premium e protocolos de vacinação rigorosos.
No entanto, o caso deste spitz revela que esse cuidado muitas vezes é seletivo. A manutenção da saúde básica serve apenas para garantir que as matrizes continuem produzindo novos filhotes e não infectem o restante do plantel.
Cuidados de higiene e bem-estar, que não impactam diretamente na produtividade, são deixados de lado por serem considerados gastos desnecessários pela administração desses locais.
A protetora da Alma de Patas comparou a dor causada pelos nós na pelagem do cão à sensação de manter o cabelo humano preso de forma muito apertada durante todo o tempo.
Essa tração constante na pele causa desconforto crônico, dor e pode evoluir para feridas e doenças dermatológicas graves.
É uma forma silenciosa de tortura que atinge animais de pelagem longa quando são mantidos em gaiolas ou ambientes sem a devida assistência.
O resgate de Mentira abre um debate necessário sobre a responsabilidade de quem lucra com a venda de vidas.
Enquanto canis de prestígio vendem filhotes por valores elevados, os adultos que serviram de base para esse lucro são frequentemente deixados à própria sorte quando perdem sua utilidade comercial.
A realidade triste mencionada no vídeo é o cotidiano de muitos animais que vivem em condições de exploração.
Sob os cuidados da ONG, Mentira passou por um processo de reabilitação que incluiu tosa higiênica especializada, tratamento de pele e, principalmente, acolhimento afetivo.
De acordo com atualizações da própria Alma de Patas em resposta aos seguidores, o cãozinho já encontrou um novo lar.










