Vira-lata caramelo achou que tinha sido adotada mas é devolvida ao abrigo e protetora desabafa: “Tristeza absurda”

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em Proteção Animal

Durante quatro meses, Clotilde viveu algo que muitos cães resgatados sonham experimentar ao menos uma vez: uma casa, brinquedos, rotina e a sensação de pertencer a uma família.

Para ela, tudo indicava que aquele seria um recomeço definitivo. Mas não era.

A cadela, acolhida pela ONG Alimente Um Bichinho, de Belo Horizonte (MG), precisou voltar ao abrigo após concluir o tratamento contra o câncer.

A despedida foi dolorosa, principalmente para quem acompanhou de perto sua trajetória de luta, superação e esperança.

“Ela achou que tinha sido adotada, mas era só pra fazer o tratamento de câncer e hoje ela voltou para o abrigo. Ela teve uma amostra do que é ter uma família. Descobriu o que é ter brinquedos”, escreveu a ONG em uma publicação que tocou profundamente os internautas.

Um lar temporário que significou muito

Clotilde ficou em lar temporário por necessidade. Durante o tratamento, que envolveu sessões frequentes de quimioterapia, não era viável levá-la e buscá-la no abrigo devido à distância da clínica veterinária.

A solução encontrada foi garantir que ela ficasse hospedada em uma casa próxima, onde pudesse ser acompanhada de perto.

Na legenda do post, a protetora desabafou com sinceridade:

“Clotilde voltou hoje para o abrigo. E eu tô sentindo uma tristeza absurda com isso!”

A expectativa era de que, nesse período, alguém se encantasse de vez por ela.

“Eu tinha muita esperança de que ela seria adotada nesse tempo”, completou.

Quem é Clotilde?

Além da história comovente, Clotilde tem tudo o que muitos adotantes procuram.

Segundo a ONG, ela é:

  • Fêmea
  • Porte médio
  • 2 anos
  • Castrada
  • Vacinada
  • Negativa para leishmaniose
  • Extremamente dócil e carente
  • Ama pessoas e outros animais

Apesar disso, segue esperando alguém que a escolha “de verdade”.

Do resgate ao diagnóstico de câncer

A história de Clotilde começou de forma difícil. Ela foi resgatada em 27 de maio de 2025, desorientada, no cio e fugindo de uma matilha de machos.

Logo após o resgate, passou pela castração, um passo essencial para sua saúde e segurança.

Meses depois, em agosto de 2025, veio mais uma notícia difícil: o diagnóstico de TVT, um tipo de câncer transmissível entre cães.

A cadela enfrentou o tratamento, lutou com coragem e venceu. Hoje, está saudável. O que falta agora não é cura, mas um lar definitivo.

“Tadinha, não quiseram ficar com ela?”

Nos comentários, muitas pessoas se emocionaram e também se indignaram com o retorno de Clotilde ao abrigo. “Tadinha, não quiseram ficar com ela?”, perguntou uma seguidora.

A ONG fez questão de esclarecer:

“A pessoa não podia, desde o início estava acordado que seria lar temporário. Na verdade foi uma grande ajuda que tivemos, pois sem isso não conseguiríamos fazer o tratamento”.

Outros comentários reforçaram a torcida por um final feliz:

“Alguém de perto adote esta lindezaaaaaaa”
“Espero que seja adotada, tão feliz”
“Se eu pudesse adotar ela, eu adotaria, infelizmente não tem como. Ela é linda!”

O que é o TVT, câncer enfrentado por Clotilde?

O Tumor Venéreo Transmissível (TVT) é um tipo de câncer maligno que afeta cães e, diferentemente de outros tumores, pode ser transmitido de um animal para outro.

Segundo a VCA Animal Hospitals, o TVT se desenvolve a partir de células do sistema imunológico chamadas histiócitos.

A transmissão ocorre principalmente por contato direto com o tumor, que pode acontecer ao cheirar, lamber ou morder a região afetada. Por isso, é mais comum em cães não castrados e em situação de rua.

Os sinais variam conforme a localização do tumor.

Quando afeta a região genital, pode causar sangramento, inchaço e desconforto. Também pode surgir na boca, língua ou focinho, formando lesões com aspecto de couve-flor, que podem ulcerar e sangrar.

Diagnóstico, tratamento e prognóstico

De acordo com a VCA, o diagnóstico do TVT é feito, na maioria dos casos, por citologia, exame que analisa células coletadas diretamente do tumor.

Em situações menos conclusivas, pode ser necessária uma biópsia.

Apesar de assustar, o TVT tem alto índice de cura, especialmente quando tratado corretamente.

A quimioterapia é considerada o tratamento de escolha e, na maioria dos casos, leva à remissão completa. A cirurgia isolada costuma não ser indicada, pois há alto risco de recidiva.

O prognóstico é geralmente bom, e casos de metástase são raros, exatamente como aconteceu com Clotilde, que respondeu bem ao tratamento e hoje está saudável.

Larissa é jornalista e escreve para o Amo Meu Pet desde 2023. Mora no Rio Grande do Sul, tem hobbies intermináveis e acha que todos os animais são fofos e abraçáveis. Ela se formou em Jornalismo pela Universidade de Passo Fundo e é “mãe” de duas gatas.