“Gangue da patinha”: Unidos, cães bolam estratégia perfeita para arrancar petiscos de turistas e truque nunca falha
Por Larissa Soares em Cães
Tales, de Belo Horizonte, estava aproveitando uma noite tranquila ao lado da esposa em um restaurante de Tiradentes, Minas Gerais, quando sentiu um toque na perna.
Ao olhar para baixo, deu de cara com um vira-lata caramelo de olhar marejado, postura tímida e… uma patinha estrategicamente apoiada sobre seu braço.
“Aí, gente, vê se tem base. Olha aqui. Que que foi que cê quer, meu? Que que cê quer, filho?”, diz ele no vídeo, já com a voz derretida.
O cão, especialista em expressão dramática, olha para o lado, como quem tem vergonha de pedir. Baixa o focinho. Suspira. Ensina, ali, uma verdadeira aula de atuação.
Tales não resistiu. Ofereceu comida. Mas mal sabia ele que acabara de cair no golpe mais organizado (e fofo) da cidade histórica.
Operação patinha
Poucos segundos depois do primeiro “ataque”, surge outro cão. E depois outro. E mais um.
Todos com o mesmo olhar comovente. A mesma postura humilde. A mesma patinha.
“Olha aqui, galera. Um. Dois. Três ali. Um aqui. Um aqui debaixo”, narra Tales, já rindo da situação.
Em outras mesas, o cenário se repetia. Cada turista parecia ter sido “designado” para um integrante diferente da equipe.
“Fico imaginando eles chegando e dividindo quem vai na mesa de quem”, comentou uma internauta.
“A gangue da doçura, tudo combinado com o restaurante”, riu outro.
O vídeo viralizou. E os comentários deixaram claro que aquela não era uma ação improvisada.
Ícones locais
Segundo moradores e frequentadores da cidade, os cães já são conhecidos em Tiradentes.
“Eles são famosinhos. São ícones de Tiradentes, sempre vão de restaurante em restaurante pedindo carinho e comida”, escreveu uma pessoa.
Outro comentou:
“São cuidados pelo pessoal da região… esse de olho azul não sai da unidade de pronto atendimento. Quando eu fazia estágio, na maioria das vezes era ele que me recebia pela manhã.”
Ao que tudo indica, a “gangue” não é exatamente abandonada. São cães comunitários, que circulam pela cidade, recebem cuidados informais da população e aprenderam rapidamente que turistas têm duas características importantes: coração mole e bolso aberto para petiscos.
Pets e suas táticas infalíveis para ganhar petisco
Em maio de 2024, uma gata ruiva chamada Macy viralizou pela forma que avisa a tutora que quer petisco.
Ela simplesmente se joga de costas no chão, imóvel, patas delicadamente dobradas sobre a barriga. Parece até uma cena dramática.
A performance só termina quando a tutora se aproxima. Nesse momento, Macy abre lentamente os olhos e vira a cabeça, como quem diz: “Estou à beira da morte… por petisco.”
A Sociedade Americana para a Prevenção da Crueldade contra os Animais (ASPCA) afirma que gatos podem ser bastante insistentes perto das refeições. Alguns miam, outros seguem os tutores pela casa.
Macy preferiu investir no teatro.
Segundo sua tutora, o número funciona cerca de metade das vezes. Nota artística: 10/10.
Marrom do Calçadão: o ator carioca
Outro caso clássico que chamou atenção no passado foi o do “Marrom do Calçadão”, no Rio de Janeiro.
No bairro Coelho da Rocha, Marrom aparenta ser um cachorro paraplégico, se arrastando pelo chão com olhar sofrido. Mas tudo não passa de atuação.

Marrom tem casa, tutora e rotina fixa. Enquanto a dona trabalha em uma loja da região, ele ocupa o tempo fingindo uma lesão estratégica para conquistar lanches e carinho dos desavisados.
A encenação é tão convincente que já fez muita gente chorar antes de descobrir a verdade.
Larissa é jornalista e escreve para o Amo Meu Pet desde 2023. Mora no Rio Grande do Sul, tem hobbies intermináveis e acha que todos os animais são fofos e abraçáveis. Ela se formou em Jornalismo pela Universidade de Passo Fundo e é “mãe” de duas gatas.









