"Ele ficou agradecido": Casal ajuda pássaro preso em barbante e recebe ‘tchauzinho’ lindo como presente de despedida
Por Larissa Soares em Proteção AnimalEra começo de ano quando Murilo Henrique e Lara Almeida, de São Paulo, se depararam com uma cena preocupante: uma maritaca estava no chão, com a asa enrolada em um barbante, sem conseguir voar.
O casal não pensou duas vezes antes de ajudar.
“Conta pra gente como é que você se meteu nessa?”, perguntou Murilo para a ave, enquanto filmava a cena.
A situação, no entanto, era delicada. A linha prendia a asa da ave, impedindo qualquer tentativa de fuga.
Com calma e cuidado, Lara começou a desenrolar o barbante, fio por fio, até libertá-la. Mas havia um detalhe que preocupava o casal.
“A patinha dela tá meio torta, será que prejudicou?”, perguntou Lara. “Deve ter machucado. Você cria ela em casa um pouco, até ela ficar boa”, respondeu Murilo.
E assim fizeram.
Água, comida e um tempo para se recuperar
O casal ofereceu água e alimento, deixando a maritaca descansar até recuperar as forças. Aos poucos, ela foi mostrando sinais de melhora.
Quando finalmente conseguiu voar com firmeza, seguiu até uma árvore próxima, onde outra maritaca estava pousada.
Antes de desaparecer entre os galhos, virou-se brevemente na direção do casal e levantou a asa. O gesto foi interpretado como um “aceno”.
“De nada, foi ótimo cuidar de você. Tchau”, disse Murilo no vídeo.
O vídeo viralizou e recebeu centenas de comentários encantados.
“Que vídeo mais lindo”, escreveu uma pessoa.
“Nessa situação o recomendável é acionar o órgão competente para fazer a avaliação e manejo correto”, orientou outra.
“Eu já cuidei de um periquito rei, ele se apegou a mim, reintegrei ele no bando, até hoje volta pra casa fazer um lanchinho e traz a namorada kkkk”, contou outra pessoa.
Maritacas
O termo “maritaca” é popular e bastante abrangente. Segundo o portal WikiAves, a palavra é usada para se referir a diversas espécies da família dos psitacídeos, o mesmo grupo que inclui papagaios, araras e periquitos.
Dependendo da região, as maritacas também são chamadas de maitaca, baitaca, cocota, humaitá, suia ou caturrita.
De modo geral, o nome costuma designar aves de médio porte, menores que papagaios, mas ainda assim bastante expressivas, tanto no visual quanto no vocal.
São conhecidas pelo canto alto, pelo comportamento sociável e pela inteligência típica dos psitacídeos.
Com a urbanização, muitas dessas aves passaram a viver também em cidades, adaptando-se a árvores urbanas e encontrando alimento em áreas arborizadas.
Perigos
Infelizmente, casos como o da maritaca encontrada por Murilo e Lara não são raros.
Linhas de pipa com cerol, barbantes descartados de forma inadequada e fios soltos em áreas urbanas representam riscos sérios para aves.
Elas podem ficar presas pelas asas ou patas, sofrer cortes profundos ou até fraturas ao tentar se libertar.
Nesses casos, a boa intenção de ajudar é importante. Mas também é fundamental saber como agir corretamente.
O que fazer ao encontrar um animal silvestre em apuros?
De acordo com orientações do Instituto Butantan, o principal é minimizar a interação e acionar os órgãos responsáveis.
A recomendação é entrar em contato com:
- Polícia Ambiental
- Centro de Controle de Zoonoses
- Corpo de Bombeiros
- Secretaria Municipal de Saúde
Esses órgãos avaliam a situação e decidem se o animal deve ser encaminhado para atendimento especializado ou solto em local adequado.
Capturar ou transportar um animal silvestre sem autorização pode ser ilegal e perigoso, tanto para a pessoa quanto para o próprio animal.
Além disso, apenas um profissional pode avaliar se houve:
- Luxação
- Fratura
- Lesões internas
- Comprometimento neurológico
Mesmo que a ave consiga voar após o resgate, pode haver sequelas invisíveis.
Quando a intervenção é inevitável
Há situações em que o animal está claramente em risco, como: preso, ferido ou exposto a predadores. Nesses casos, a intervenção cuidadosa pode ser necessária até que o suporte especializado chegue. Nesse caso, é importante:
- Usar luvas ou pano para evitar contato direto.
- Evitar movimentos bruscos.
- Manter o animal em caixa ventilada e escura para reduzir estresse.
- Não oferecer alimentos inadequados.
O estresse é um fator crítico em aves silvestres. Quanto mais manipulação, maior o risco.
Larissa é jornalista e escreve para o Amo Meu Pet desde 2023. Mora no Rio Grande do Sul, tem hobbies intermináveis e acha que todos os animais são fofos e abraçáveis. Ela se formou em Jornalismo pela Universidade de Passo Fundo e é “mãe” de duas gatas.
