Família vai ao abrigo decidida a adotar um cão com deficiência, mas um olhar de cachorrinho sem nome muda todos os planos
Por Beatriz Menezes em Proteção AnimalA decisão de abrir a porta do motorhome para um novo integrante já estava tomada, assim como a certeza de que o escolhido seria um animal que o mundo costuma ignorar.
Alejandra, criadora de conteúdo do perfil Alejandra Travels, viajou até Ibagué, na Colômbia, com um propósito definido: adotar um cão com deficiência.
O que ela e sua família não previam era que o destino, movido por dois olhares distintos e a mesma necessidade de afeto, dobraria o tamanho daquela missão em poucos minutos.
O cenário do encontro foi a CAPA, uma ONG dedicada a resgatar vítimas de atropelamentos e abandono. Para Alejandra e seus pais, o local já guardava memórias afetivas, pois foi ali que encontraram Moncho, outro pet da família.
Ao cruzarem os portões da instituição, o planejamento encontrou a realidade de centenas de animais que esperam por uma chance que raramente chega para aqueles que possuem limitações físicas.
O primeiro sim para Nubi
A primeira história que cruzou o caminho do grupo foi a de Nubi. A cadela de oito anos viveu a maior parte da vida nas ruas, enfrentando a fome e a incerteza até ser atropelada.
O acidente resultou na amputação de uma das patas dianteiras e em uma espera de dois anos dentro do canil. Durante todo esse tempo, ninguém havia perguntado por ela.
A conexão com Nubi foi imediata. A maturidade e o comportamento sereno da cadela confirmaram que ela era a escolha certa para o estilo de vida itinerante da família.
No entanto, o roteiro daquela tarde ainda não estava encerrado. Enquanto os trâmites avançavam, a equipe da ONG mencionou um segundo animal que também aguardava por um milagre.
O inesperado encontro com Darío
Um filhote branco, sem nome e com apenas dois anos de idade, apareceu logo em seguida. Assim como Nubi, ele também sobreviveu ao trauma de um atropelamento e à perda de um membro anterior.
O pequeno cão, que transbordava energia e alegria apesar das cicatrizes, lançou um olhar que desarmou qualquer tentativa de seguir o plano original.
Diante do filhote brincalhão, a família percebeu que não conseguiria fechar a porta para ele.
A lógica da adoção planejada cedeu espaço para a compaixão e o grupo tomou a decisão de levar ambos. Eles foram buscar um amigo e terminaram o dia com dois.
Uma casa para os corajosos
Nubi e o agora batizado Darío não são os primeiros animais com necessidades especiais na vida de Alejandra. Eles se juntam a Valenato, um cão com paralisia nas patas traseiras adotado há cinco anos, e a Arturo, um gato cego.
A influenciadora define a união desses animais como uma alcateia de corajosos, reforçando que a adoção é um ato de amor incondicional que enxerga além das limitações físicas.
Nubi e Darío deixaram para trás o ‘caos’ do canil em Ibagué para ganhar não apenas um teto, mas o coração inteiro de uma família que sabe que o amor não precisa de todas as patas para caminhar junto.
O vídeo conta com 730 mil visualizações, 67 mil curtidas e 5.345 comentários.
“Alejandra, hoje queremos agradecer por abrir sua casa para Nube e Darío. Temos certeza de que eles estarão cercados de carinho, amor e proteção. Obrigada por vir à CAPA e dizer sim à adoção desses amiguinhos peludos. Histórias como essa enchem nossos corações de amor.”, comentou o administrador do Instagram da ONG.
“Aleja, obrigada por ser uma verdadeira influência em toda a sua comunidade. É revoltante ver como, em um país com mais de 3 milhões de animais abandonados, as pessoas continuam a apoiar a indústria mais cruel: a venda de animais. Muito, muito obrigada.”, diz um segundo comentários.
“Muito obrigada por dar uma chance a esses anjinhos. Eles serão muito felizes com sua linda família, Ale. Abraços a todos e muitas felicidades!”, acrescentou uma terceira internauta.
De acordo com site Ringo desde 2016, a Colômbia possui a Lei 1774 sobre os animais, que os reconhece como seres sencientes.
Essa lei proíbe qualquer ato que cause sofrimento, dor ou dano ao seu bem-estar físico ou emocional. E o abandono é incluído como uma forma de maus-tratos.
Estima-se ainda que existam entre 2 e 3 milhões de cães sem lar no país.
É muito importante que vira-latas de abrigos sejam adotados, para que novos possam ser resgatados!
