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‘Só mais um carinho’: Ave resgatada ‘não deixa’ cuidadora que salvou sua vida ir embora e gesto de puro afeto viraliza

Por
em Aqueça o coração

Estamos acostumados a ver donos de gatos ‘impedidos’ de levantar quando os felinos adormecem no colo, mas para Michelle Amaro fundadora do Projeto Brisa, o único animal capaz de atrasá-la para seus afazeres, é uma tucana chamada Aurora.

A fêmea da espécie tucanuçu foi resgatada de situações de cativeiro ilegal e maus-tratos, tornou-se símbolo de um processo de reabilitação emocional bem-sucedido no Sul de Minas Gerais.

Em registros compartilhados no Instagram a ave demonstra um comportamento de extrema segurança e vínculo com sua cuidadora.

O animal, que deveria apresentar instintos de fuga ou alerta, busca voluntariamente o colo de Michelle ao final do dia, onde permanece deitada e se recusa a sair, mesmo diante das tentativas da tutora de encerrar as atividades e retornar à residência.

No vídeo, a ave aparece relaxada no colo da mulher fechando os olhos enquanto recebe carinho na região da cabeça e do pescoço.

Quando Michelle a incentiva a levantar, a tucana emite pequenos sons de satisfação, frequentemente descritos por observadores como "resmungos" de dengo, e se aninha ainda mais ao corpo da cuidadora.

Essa entrega física revela que o trauma causado pelo antigo cativeiro foi substituído por uma percepção de proteção e estabilidade no ambiente atual.

A espécie Ramphastos toco, conhecida popularmente como tucano-toco ou tucanuçu, possui uma inteligência aguçada e uma estrutura social complexa.

Em ambiente de reabilitação, o estabelecimento de um porto seguro é fundamental para que o animal consiga superar os danos psicológicos da negligência. No caso de Aurora, o colo de Michelle funciona como esse espaço de descompressão.

A história de Aurora começou com um resgate que envolveu não apenas a recuperação física, mas o desafio de reconstruir a dignidade do animal. Muitas aves que chegam ao projeto são oriundas do tráfico ilegal, apresentando corte de asas e sinais de estresse crônico.

O manejo adotado por Michelle Amaro foca na paciência e na previsibilidade da rotina. Segundo a idealizadora, a tucana desenvolveu o hábito de pular em seu colo sempre que percebe a aproximação do horário de encerramento das atividades externas.

O gesto é interpretado como um pedido silencioso para que o momento de afeto e companhia não termine.

A reabilitação de um tucano exige conhecimentos técnicos específicos sobre nutrição, biologia e comportamento. Michelle, que atualmente cursa Ciências Biológicas para aprimorar o atendimento, explica que o vínculo não acontece de forma imediata.

É necessário um investimento contínuo de tempo e dedicação para que a ave aprenda que o contato humano não representa mais uma ameaça.

"Ela venceu e eu fiquei sentada com ela um bom tempo, quem resiste?", declarou a fundadora em suas redes sociais.

O estresse é um dos principais fatores de mortalidade em aves silvestres, e o trabalho de Michelle foca justamente na mitigação desse risco através do acolhimento.

Para manter essa estrutura de cuidado, o >Projeto Brisa opera de forma 100% voluntária em um sítio preparado para a soltura e reabilitação. O local já foi responsável pela devolução de aproximadamente 400 aves à natureza, a maioria maritacas que ainda visitam a propriedade diariamente.

Atualmente, os tucanos somam cerca de 20 indivíduos, cada um com uma necessidade específica, desde filhotes órfãos até adultos com sequelas permanentes que impedem a vida livre.

O custeio de toda essa operação é um desafio diário. Sem auxílio governamental, as despesas fixas com alimentação de alta qualidade, frutas, suplementos e atendimento veterinário especializado ultrapassam o valor de 7 mil reais por mês.

Algumas aves chegam em estado crítico, necessitando de exames complexos, medicamentos e cirurgias ortopédicas. Todo esse montante é custeado por Michelle Amaro e por uma rede de doadores pontuais que reconhecem a seriedade do trabalho realizado no Sul de Minas.

Para garantir que aves como Aurora continuem recebendo esse tratamento humanizado e técnico, o projeto lançou uma campanha de financiamento recorrente.

A meta é garantir a sustentabilidade financeira para que Michelle possa focar na missão de salvar vidas e aprimorar os recintos de treinamento de soltura.

O amor de Aurora por sua cuidadora é, em última análise, o combustível que mantém o Projeto Brisa em funcionamento, provando que a dedicação humana pode, de fato, apagar as cicatrizes da crueldade.

Assista:

Sobre o Projeto Brisa

Fundado em 2020, o Projeto Brisa é uma iniciativa voltada ao resgate, reabilitação e soltura de aves silvestres e domésticas em Minas Gerais.

Atuando em parceria com órgãos como a Polícia Ambiental e o Corpo de Bombeiros, a fundadora Michelle Amaro dedica sua rotina ao cuidado de espécies vitimadas pelo tráfico e pelo abandono.

O trabalho sobrevive exclusivamente de doações e recursos próprios, buscando transformar a realidade da fauna local através da educação ambiental e do manejo ético de animais em situação de risco.

Beatriz é jornalista formada pela Universidade de Passo Fundo, com especialização em Escrita Criativa e Editoração pela Universidade Pitágoras Unopar Anhanguera. Apaixonada por narrativas envolventes e pelo universo pet, ela também possui certificação em Storytelling para Marketing Digital pela Santander Open Academy, o que complementa sua habilidade de transformar histórias reais em conteúdos informativos e inspiradores. Dedica-se à produção de reportagens que valorizam a convivência ética e afetiva entre humanos e animais de estimação, promovendo empatia, informação de qualidade e o respeito aos animais.