“GPS do coração”: Pastor Alemão decide seu destino ao rastrear o casal por 15 km e reaparecer na casa de quem o ajudou
Por Larissa Soares em Cães
No fim do ano passado, Madu e Vitor encontraram, próximo a uma praça a cerca de 2 km de casa, um pastor alemão andando sozinho, machucado e visivelmente perdido.
Eles não imaginavam que aquele encontro casual daria início a uma saga de fugas, reencontros e uma conexão que desafiaria a lógica.
“Parece coisa de filme, mas aconteceu”
A história começou quando o casal encontrou o Meninão perdido na rua.
Eles tiraram fotos para tentar localizar os donos e, enquanto isso, o levaram para casa. Meninão ganhou comida, água, carinho e abrigo naquela noite que parecia ser a única, já que os donos foram encontrados.
“Ele dormiu uma noite aqui, e no dia seguinte eu levei ele embora”, contou Madu no TikTok. “E aí, dois dias depois, ele retornou.”
O detalhe mais impressionante é que o cão morava em uma fazenda a 15 km dali.
Para chegar até a casa, ele precisava atravessar estrada, enfrentar movimento de carros e percorrer um longo caminho sozinho.
E ele não fez isso apenas uma vez. Voltou três vezes.
Um reencontro que parecia destino
Quando o pastor apareceu novamente na porta da casa de Madu, a reação foi de choque.
“Eu não acredito que você voltou! Gente, olha quem apareceu aqui na porta de casa!”
Segundo a tutora original, o cão tinha cerca de dois anos, havia sido adotado com apenas 32 dias de vida e nunca tinha saído da fazenda. Não conhecia a cidade.
Mesmo assim, conseguiu rastrear o caminho de volta.
Para Madu, era como se ele já os conhecesse há anos. “Eu acho que é encontro de alma”, disse no vídeo.
Tentativa de diálogo e preocupação
Preocupada com os riscos que o cão corria atravessando rodovias e andando sozinho por quilômetros, Madu entrou em contato com a dona, Ana, perguntando se existia a possibilidade de ficarem com ele.
Ela explicou que o cachorro chegou com o focinho cortado, a orelha machucada e parecia exausto.
Também demonstrava um comportamento diferente: chegava, deitava e relaxava profundamente, como se buscasse refúgio.
Ana respondeu que não poderia abrir mão dele. O cão era do filho e companheiro da outra cachorra da família.
Explicou ainda que, por ser de sítio, às vezes ele se desencontrava com outros cães e acabava se afastando.
Mas os episódios de fuga continuaram.
O risco constante
Mesmo depois de ser levado para a casa da dona, na cidade, o pastor voltou a aparecer próximo à residência de Madu.
Seguidores começaram a enviar fotos dele andando perto de postos, rádios e ruas movimentadas.
O medo de atropelamento, brigas com outros cães e acidentes atormentava a mente de Madu diariamente.
A preocupação era tanta que ela chegou a procurar orientação com pessoas que trabalham com proteção animal e seu marido registrou denúncia, preocupados com o bem-estar do cachorro.
“Um cachorro é que nem um filho”, desabafou ela. “Tem que cuidar.”
A reviravolta
Em meio a tudo isso, Madu adotou uma filhotinha chamada Lola. Como todo filhote, ela precisava cumprir o protocolo de vacinação antes de ter contato com outros animais, o que impedia que o pastor fosse levado imediatamente para a casa deles.
Enquanto isso, o cão continuava aparecendo pela cidade.
Até que, no dia 23 de janeiro, ele voltou mais uma vez à porta de Madu. Dessa vez, em situação delicada: estava com bicheira.
O casal não hesitou. Levaram ao veterinário, iniciaram tratamento e passaram a cuidar dele.
Pouco depois, em resposta a um seguidor que perguntou: “Pelo amor de Deus me diz que conseguiram ficar com o cachorro!”, Madu respondeu:
“Ele está com a gente siiiiim.”
Final feliz? Ao que tudo indica, sim.
Pastor Alemão
Segundo o American Kennel Club (AKC), o pastor alemão é descrito como corajoso, confiante e extremamente inteligente.
Considerado um dos melhores cães de trabalho multifuncional do mundo, é leal, constante e profundamente apegado à sua família.
Especialistas apontam que seu traço definidor é o caráter: lealdade, coragem e disposição para proteger aqueles com quem cria vínculo.
Embora o padrão da raça mencione uma “certa reserva” com estranhos, também é comum que desenvolvam conexões muito intensas quando se sentem seguros e acolhidos.
Energia acumulada e necessidade de estímulo
Outro ponto importante é o nível de energia da raça. O AKC reforça que o pastor alemão é atlético e precisa de bastante exercício físico e mental.
Quando não estimulado adequadamente, pode desenvolver comportamentos indesejáveis, como fugas.
São cães que se destacam em atividades como agility, rastreamento e pastoreio. Precisam de desafios, rotina e interação constante com a família.
Além disso, a socialização precoce e o treinamento contínuo são fundamentais para garantir que o cão se torne um adulto equilibrado.
Se ele não se sente plenamente integrado ou estimulado, pode buscar novos estímulos.
Larissa é jornalista e escreve para o Amo Meu Pet desde 2023. Mora no Rio Grande do Sul, tem hobbies intermináveis e acha que todos os animais são fofos e abraçáveis. Ela se formou em Jornalismo pela Universidade de Passo Fundo e é “mãe” de duas gatas.








