Menina emociona ao compor a ‘música mais triste do mundo’ após perder melhor amiga lagartixa: “Absurdamente performática”
Por Larissa Soares em Mundo Animal
Perder um bichinho é difícil, mesmo que ele seja pequeno, discreto e tenha vivido os dias escondido nas paredes da casa.
Quem sabe bem disso é Antônia, uma menininha de Franca (SP) que conquistou a internet ao transformar a dor da perda da sua “amiga” lagartixa em uma cena performática.
Uma amizade improvável e muito sincera
Segundo a tia, Patrícia, Antônia havia feito amizade com a lagartixa que morava na casa da família. Para a menina, ela tinha até nome: Lacoste.
Mas no início do mês, ao voltar da escola, Antônia se deparou com a notícia que ninguém queria receber: a lagartixa havia morrido.
Sem saber exatamente como lidar com a tristeza, ela fez o que muitos artistas fazem diante da dor e criou.
Luto… com trilha sonora
Patrícia flagrou a cena e compartilhou no TikTok. No vídeo, Antônia aparece chorando desesperadamente enquanto toca teclado. Em cima do instrumento, estava o corpinho da lagartixa.
“POV: você fez amizade com a lagartixa que morava na sua casa e quando chegou da escola ela tinha morrido”, escreveu a tia na legenda.
O vídeo viralizou: mais de 3,3 milhões de visualizações e 633 mil curtidas.
“Imagina você estar triste e ir tocar um instrumento, absurdamente performático”, comentou uma pessoa.
“Ela transformando dor em arte, que fofa”, disse outra.
“Ela emocionada e prestando a última homenagem, tocando no funeral da garlatisca”, disse mais uma.
“Ela explicando os sentimentos através da música”, escreveu mais uma.
O luto dos pequenos
Para um adulto, pode parecer exagero sofrer por uma lagartixa. Para uma criança, não existe hierarquia no afeto.
Se houve vínculo, houve amor e, consequentemente, há dor na despedida.
Especialistas apontam que a perda de um animal costuma ser uma das primeiras experiências de luto na infância.
Segundo o site The Gentle Counsellor, cerca de 63% das crianças passam pela perda de um animal de estimação nos primeiros sete anos de vida.
É um momento delicado, mas também uma oportunidade de aprendizado emocional.
Como ajudar uma criança a lidar com a perda
De acordo com orientações reunidas pelo The Gentle Counsellor, com base na experiência de educadores e terapeutas infantis, existem algumas atitudes que fazem toda a diferença:
1. Seja honesto e claro
Evite metáforas como “foi dormir” ou “virou estrelinha”. Embora bem-intencionadas, essas expressões podem confundir ou até gerar medo.
Usar a palavra “morreu”, com linguagem simples e adequada à idade, ajuda a criança a compreender que se trata de algo definitivo.
2. Valide os sentimentos
A criança pode sentir tristeza, raiva, culpa ou até alternar rapidamente entre chorar e brincar. Tudo isso é normal.
No caso de Antônia, a tristeza veio acompanhada de uma composição musical dramática e isso também é uma forma saudável de expressão.
Demonstrar que é permitido sentir e chorar fortalece a resiliência emocional.
3. Permita perguntas (mesmo as difíceis)
Crianças costumam perguntar: “Para onde ele foi?” ou “Ele vai voltar?”. Não é preciso ter todas as respostas.
É possível acolher a dúvida e, se houver crenças religiosas ou espirituais na família, compartilhar esse ponto de vista.
4. Crie rituais de despedida
Rituais ajudam a dar significado à perda. Pode ser um pequeno funeral, desenhos, cartas ou até uma música.
Segundo o The Gentle Counsellor, memoriais, como guardar uma lembrança, acender uma vela ou plantar algo em homenagem ao animal, ajudam a criança a elaborar o luto.
Como cada idade entende a morte
A forma como a criança compreende a perda varia conforme a idade.
- Entre 2 e 5 anos: ainda não entendem completamente que a morte é permanente. Podem perguntar quando o animal volta. Explicações curtas e repetitivas ajudam.
- Entre 6 e 12 anos: já compreendem que é definitiva. Podem sentir emoções intensas e precisar falar sobre o assunto várias vezes.
- Adolescentes: entendem plenamente a permanência, mas podem esconder a dor para parecer “maduros”.
Independentemente da idade, o mais importante é oferecer presença e escuta.
Final feliz
Se no primeiro vídeo Antônia era drama e lágrimas, no segundo ela já aparecia sorridente com um novo integrante da família: um coelho chamado Dudu.
“Curamos a dor da perda do Lacoste com outro pet. Seja muito bem-vindo, Dudu”, escreveu Patrícia.
Na legenda, uma frase bíblica: “O choro pode durar por uma noite, mas a alegria vem pela manhã.”
Seguidores comemoraram:
“Que ele viva para sempreeeee.”
“Que fofa ela toda felizinha.”
Embora o desejo seja compreensível, especialistas lembram que a perda faz parte da vida e aprender a lidar com ela é essencial.
Substituir ou acolher?
O próprio The Gentle Counsellor orienta que não se deve ter pressa em adotar outro animal apenas para “substituir” o que partiu.
No entanto, cada família conhece sua realidade. O importante é que a chegada de um novo pet não apague a memória do anterior, mas seja vista como um novo capítulo.
No caso de Antônia, o sorriso ao lado de Dudu mostra que o coração infantil tem uma capacidade impressionante de sentir profundamente e também de se abrir novamente.
Sinais de alerta
Embora o luto seja natural, alguns sinais podem indicar que a criança precisa de apoio profissional:
- Pesadelos persistentes
- Ansiedade intensa de separação
- Culpa prolongada (“foi minha culpa”)
- Perda de interesse em atividades habituais
Se esses sintomas aparecerem e persistirem, buscar ajuda de um psicólogo infantil é recomendado.
Larissa é jornalista e escreve para o Amo Meu Pet desde 2023. Mora no Rio Grande do Sul, tem hobbies intermináveis e acha que todos os animais são fofos e abraçáveis. Ela se formou em Jornalismo pela Universidade de Passo Fundo e é “mãe” de duas gatas.








