“Será que é um sonho?”: Cão parece não acreditar quando motorista para ao seu lado e resolve mudar sua vida para sempre
Por Larissa Soares em Proteção Animal
Era madrugada, fazia frio e chovia em Teresina, quando o advogado Heitor Bezerra voltava para casa, dirigindo por uma das vias da cidade.
Ao passar por um túnel, ele avistou um cãozinho encolhido no cantinho da calçada.
O cachorro parecia acreditar que era invisível para todos os carros que passavam e para as pessoas apressadas. Mas aquela invisibilidade acabou ali.
“Não basta enxergar, é preciso agir”
Heitor parou o carro, abriu a porta e chamou. Mas o cão apenas levantou a cabeça.
No vídeo publicado depois nas redes sociais, o advogado narrou a cena sob o ponto de vista do animal:
“Começou a me chamar, mas eu não entendia, não aguentava”.
Sem ter nada além da própria roupa para protegê-lo da chuva, Heitor tirou a camisa, envolveu o cão e colocou-o no carro.
“De repente eu já não era invisível, estavam me vendo outra vez”, escreveu.
O cachorro não conseguia sequer ficar em pé. Havia sido atropelado.
Confuso, assustado, desconfiado, parecia se perguntar: quem era aquela pessoa? Por que estava cuidando dele?
“Todos os dias sabemos de casos de atropelamentos, de abandono e de maus-tratos aos animais. Muitas dessas situações ocorrem do nosso lado, na nossa frente”, escreveu Heitor na legenda.
Ele trouxe a reflexão de que, muitas vezes, escolhemos não enxergar situações como essas.
“Não basta ver, é preciso querer enxergar. Não basta enxergar, é preciso agir”, concluiu.
Hoje, Lucky, como foi chamado o cão, não é mais invisível. Ele está sendo cuidado e logo ficará bem.
O vídeo comoveu internautas.
“Ele já tava tão desacredito que no primeiro momento ignorou”, comentou uma pessoa.
“Eu chorando com um pão na boca”, brincou outra.
“Obrigada moço. mil vezes obrigada! que Jesus cuide de você por toda sua vida”, escreveu mais alguém.
Mas uma pergunta se repetia: como está o Lucky?
Fratura e luta pela recuperação
Após o resgate, Lucky foi levado imediatamente ao veterinário, onde passou por exames.
O diagnóstico revelou fratura no fêmur, o que explica a incapacidade de ficar em pé, e a necessidade de cirurgia. Mas não era só isso.
Em atualização publicada no dia 24 de janeiro, foi informado que Lucky segue internado.
Ele precisará de cirurgia ortopédica, porém um problema adicional trouxe preocupação: a chamada doença do carrapato já havia provocado prejuízos severos aos rins.
Antes de passar pelo procedimento no fêmur, Lucky precisa de estabilização clínica com fluidoterapia intensiva.
Esse processo pode levar até uma semana, dependendo da resposta do organismo.
Atualmente, ele está sob cuidados veterinários e, segundo Anna Bel, pessoa próxima ao resgatante, encontra-se em abrigo de confiança.
“Ele fraturou a patinha, mas o Heitor levou e pagou o veterinário pra cuidar do Lucky. Ele agora está no abrigo de uma pessoa de confiança dele e está sendo muito bem tratado!! Esperamos que quando melhorar ele encontre um bom tutor que o adote”.
Questionada sobre por que Heitor não ficou com o cão, ela explicou que ele já tem cinco cachorros e, infelizmente, não teria como assumir mais um. Mas Lucky irá para um lar amoroso e responsável quando estiver saudável.
O que é a doença do carrapato?
Em um artigo no PetMD, a médica-veterinária Brittany Kleszynski explica que doenças transmitidas por carrapatos são infecções causadas por bactérias ou protozoários.
Quando o carrapato se fixa ao cão, pode transmitir esses agentes infecciosos por meio da saliva para a corrente sanguínea.
Para que a transmissão ocorra, o carrapato geralmente precisa permanecer fixado ao animal por pelo menos 24 a 48 horas.
Entre as doenças mais comuns estão: anaplasmose, erliquiose, febre maculosa, doença de Lyme (borreliose), babesiose e hepatozoonose.
No Brasil, a erliquiose é uma das mais frequentes e costuma ser popularmente chamada de “doença do carrapato”.
Sintomas e riscos
Os sintomas variam, mas podem incluir:
- Letargia
- Diminuição do apetite
- Febre
- Perda de peso
- Claudicação e dor nas articulações
- Gengivas pálidas
- Hematomas na pele
- Vômito e diarreia
- Urina com sangue
- Dificuldades respiratórias
- Inchaço nas pernas ou abdômen
Alterações renais
Nem todos os cães apresentam sinais clínicos evidentes. Alguns conseguem controlar a infecção inicialmente, especialmente se têm sistema imunológico forte.
No entanto, filhotes, idosos e animais debilitados podem desenvolver quadros graves.
Em casos como o de Lucky, as complicações podem atingir órgãos vitais, como os rins, exigindo internação e suporte intensivo.
Segundo a veterinária, doenças transmitidas por carrapatos podem progredir rapidamente e, se não tratadas, levar à morte.
Diagnóstico e tratamento
O diagnóstico envolve histórico clínico, exame físico e testes laboratoriais.
O tratamento depende do agente envolvido.
- Antibióticos são amplamente utilizados para infecções bacterianas, geralmente por três a quatro semanas.
- Casos mais graves podem exigir internação, fluidoterapia intravenosa, anti-inflamatórios, estimulantes de apetite e, em situações de anemia severa, transfusão de sangue.
- Quando o tratamento é iniciado precocemente, muitos cães apresentam melhora já nos primeiros dias. Ainda assim, a recuperação completa pode levar semanas.
- Algumas doenças, como a hepatozoonose, podem se tornar crônicas e demandar acompanhamento prolongado.
Prevenção é fundamental
A melhor forma de proteger os cães é a prevenção contínua contra carrapatos. O uso de medicamentos preventivos durante todo o ano reduz significativamente o risco de infecção. Além disso, é recomendado:
- Evitar áreas com grama alta e vegetação densa
- Examinar a pelagem após passeios
- Remover imediatamente qualquer carrapato encontrado
- Manter acompanhamento veterinário regular
A conscientização é essencial, principalmente porque os carrapatos podem estar presentes em áreas urbanas, não apenas em regiões rurais.
Larissa é jornalista e escreve para o Amo Meu Pet desde 2023. Mora no Rio Grande do Sul, tem hobbies intermináveis e acha que todos os animais são fofos e abraçáveis. Ela se formou em Jornalismo pela Universidade de Passo Fundo e é “mãe” de duas gatas.









