Conheça Adilson, o vira-latinha de carência infinita que se apaixonou pela veterinária: ‘Pedi um paciente, não um obsessor’

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em Aqueça o coração

Julia Teixeira trabalha como veterinária para um abrigo de animais de Recife e já viu de tudo um pouco.

Mas Adilson definitivamente entrou para a lista dos inesquecíveis. Não apenas pelo quadro delicado de saúde, mas pelo jeitinho dele de demonstrar carinho.

“Pedi um paciente, não um obsessor”, brincou ela em um vídeo no TikTok que viralizou.

E a internet, claro, se apaixonou pelo vira-latinha de pelagem preta.

Quadro delicado

Adilson chegou ao abrigo ainda filhote, mas já enfrentando um diagnóstico pesado: leishmaniose.

Segundo a VCA Animal Hospitals, a leishmaniose é uma doença causada por um protozoário (parasita unicelular) transmitido pela picada de flebotomíneos, pequenos insetos.

Ela pode afetar cães, gatos e até humanos, sendo mais comum em regiões do Mediterrâneo, Oriente Médio, América do Sul e América Central.

A doença pode se manifestar de duas formas:

  • Visceral (nos órgãos internos)
  • Cutânea (na pele)

Na forma visceral, que praticamente todos os cães desenvolvem quando infectados, os sinais clínicos incluem:

  • febre
  • falta de apetite
  • fraqueza
  • perda de peso acentuada
  • vômitos
  • diarreia
  • insuficiência renal

Cerca de um terço dos cães podem apresentar linfonodos e baço aumentados, evoluindo para quadros mais graves.

Já a forma cutânea pode causar espessamento da pele do focinho e das patas (hiperqueratose), perda de pigmentação, queda de pelos e crescimento anormal das unhas.

O prognóstico costuma ser reservado a grave, especialmente quando há comprometimento renal.

Não existe cura definitiva, e o tratamento busca controlar os sinais clínicos e melhorar a qualidade de vida.

No caso de Adilson, o quadro era sério.

“Ele estava muito fraquinho”

Quando chegou ao hospital veterinário, Adilson mal conseguia ficar em pé.

“Ele tava muito fraquinho. Toda vez que se levantava, caía”, contou Julia em um dos vídeos.

O hemograma trouxe um alerta urgente: ele precisava de uma transfusão de sangue.

Em casos de leishmaniose, a anemia pode ser intensa, resultado tanto da ação do parasita quanto das alterações imunológicas provocadas pela doença.

A transfusão era essencial para estabilizar o cãozinho. E foi aí que começou a força-tarefa.

Toda a equipe do hospital se mobilizou. Doadores, monitoramento constante, cuidados redobrados. Em meio à tensão, havia também esperança.

“Ele é um guerreiro por passar por isso tudo”, disse Julia.

A transfusão foi realizada. Aos poucos, os parâmetros começaram a melhorar. O hemograma evoluiu positivamente. Ele voltou a se alimentar. Recuperou peso e, principalmente, recuperou energia.

Mas ninguém estava preparado para o que viria depois.

O obsessor mais fofo

Quando melhorou, Adilson revelou um novo traço de personalidade: ele virou uma sombra, um par de olhos atentos.

Nos vídeos publicados por Julia, ele aparece frequentemente espiando a veterinária. Às vezes, atrás de uma gaiola, apenas um olhinho preto visível.

Outras vezes, surgindo discretamente de uma porta ao fundo. Sempre presente. Sempre observando.

Mas quem pensa que é medo está enganado. Julia fez questão de mostrar que, por trás daquela cabecinha surgindo pela fresta, havia um rabinho abanando sem parar.

Agora, quando ela atende outros pacientes, lá está Adilson. De longe, de perto ou de muito, muito perto.

Aparentemente, ele decidiu que sua missão na Terra é supervisionar cada passo da veterinária que o ajudou a sobreviver.

Por que cães ficam encarando?

Se você já teve um cachorro, provavelmente já se sentiu observado enquanto comia, trabalhava ou simplesmente existia. E não é só impressão.

De acordo com o American Kennel Club (AKC), os cães têm diversos motivos para encarar os humanos.

1. Eles estão nos lendo

Cães são extremamente atentos ao comportamento humano. Eles observam nossos gestos, expressões e rotinas para prever o que vai acontecer.

Exemplo: o humano pegou a guia = Hora do passeio. Abriu o armário da ração = Hora do jantar.

Eles nos observam para entender o ambiente e antecipar recompensas.

2. Eles querem algo

Às vezes, o olhar fixo é uma forma de comunicação. Pode ser fome, vontade de sair para passear, um pedido de carinho…

Se o olhar já foi recompensado antes, com atenção, petisco ou afago, o cão aprende que essa estratégia funciona. E repete.

3. É amor mesmo

Aqui entra a parte mais fofa. Segundo o AKC, o contato visual entre humanos e cães libera ocitocina, o chamado “hormônio do amor”.

Esse hormônio fortalece vínculos, aumenta sentimentos de confiança e conexão.

Larissa é jornalista e escreve para o Amo Meu Pet desde 2023. Mora no Rio Grande do Sul, tem hobbies intermináveis e acha que todos os animais são fofos e abraçáveis. Ela se formou em Jornalismo pela Universidade de Passo Fundo e é “mãe” de duas gatas.