“Devolvido por crescer demais”: Protetor lamenta após cachorrinho especialista em 'lambeijos' voltar para abrigo

Por
em Cães

Gabo é um vira-latinha que, por um breve momento, pôde experimentar a alegria de ter uma família. Ele conheceu o que era ter um cantinho para dormir, uma rotina e carinho. Pela primeira vez, sentiu que pertencia a algum lugar.

Mas o destino pregou uma peça cruel. Depois de viver esse sonho, Gabo foi devolvido ao abrigo. De repente, o que era segurança virou incerteza outra vez. O colo sumiu. A casa ficou para trás. E ele voltou para a baia, tentando entender por que o amor que parecia definitivo teve prazo de validade.

Agora, tudo o que esse lindinho mais quer é uma família de verdade — daquelas que não desistem, que entendem que adaptação leva tempo e que amor não é impulso, é compromisso.

Gabo não precisa de promessas passageiras. Ele precisa de alguém disposto a oferecer lar, paciência e permanência. Porque nenhum coração deveria aprender duas vezes o que é ser deixado para trás.

Gabo, um fofinho

Em setembro de 2025, Gabo foi resgatado por Gabriel Chaves, fundador do abrigo Casa do Vira-Lata, localizado em Guarulhos, São Paulo.

O cenário do resgate não poderia ser mais assustador: ele havia sido descartado na Rodovia Anhanguera, uma das estradas mais movimentadas do estado.

Seis pistas de asfalto. Carros trafegando a 120 km/h. Nenhuma casa por perto. Nenhum comércio. Nenhuma chance real de pedir ajuda.

E no meio disso tudo, apenas ele.

Gabriel desconfia que o motivo do abandono tenha sido cruelmente banal: Gabo era um filhote que cresceu demais. Já não cabia mais no ideal de “cachorrinho pequeno”. Já não era novidade.

“Como eu sei disso? Bom, ele tem apenas um ano, é lindo, como todo filhote saudável tem energia, estava fisicamente bem numa estrada onde eram apenas seis pistas de asfalto, carros a 120 km/h… e ele.”

A cena não deixava dúvidas. Gabo não nasceu na rua. Não caminhou sozinho até aquela rodovia. Ele foi covardemente descartado.

“Ele não nasceu na rua, tampouco foi caminhando até essa movimentada rodovia. Ele foi covardemente descartado”, declarou Gabriel.

O resgate foi imediato. E, a partir dali, começou uma nova fase. Gabriel acolheu Gabo, ofereceu amor, proteção e segurança. Ele foi castrado, vacinado, recebeu acompanhamento e, principalmente, cuidado. Em troca, demonstrava uma gratidão que só quem convive com um resgatado entende: doçura, carinho e muitos lambeijos.

Gabo não carregava mágoa. Carregava esperança.

No dia 29 de janeiro, Gabriel publicou um post anunciando que aquele lindinho estava disponível para adoção. Na legenda, descreveu com carinho:

“Gabo é porte médio, loiro dos olhos castanhos hahah, tem 1 ano e meio, gosta de brincar, passear, mas é um cão até que tranquilo em relação à casa, não vejo ele destruindo nada, não é ansioso. Ele é um filhotão chegando na fase adulta que infelizmente já conheceu a maldade humana.”

Junto com a apresentação, veio também um alerta firme e necessário:

“Adote por amor e com muita responsabilidade, porque eles são pra sempre em nossas vidas, não importa o que venhamos enfrentar, são pra sempre. Um animal doméstico vive 10, 15, 20 anos ou mais e muita coisa pode mudar em nossas vidas, menos o amor deles por nós. Abandono é crime.”

O post repercutiu. Compartilhamentos, comentários, mensagens. E, finalmente, Gabo encontrou aquela que seria sua família para sempre — ao menos era isso que Gabriel acreditava.

Mas, infelizmente, parece que a parte mais importante do texto — “adote com responsabilidade” — não foi lida com a atenção que merecia.

Porque amor não é impulso. Não é fase. Não é teste.

Amor é permanência.

A rejeição

No dia 24 de fevereiro, Gabriel voltou ao Instagram do abrigo Casa do Vira-Lata, no perfil @casadoviralata, com uma notícia que ninguém queria ler: Gabo foi rejeitado.

A publicação não veio carregada de revolta. Veio carregada de verdade.

Com maturidade e responsabilidade, Gabriel deixou claro que não estava ali para apontar culpados. Pelo contrário. Ele assumiu parte da dor para si e escreveu algo que surpreendeu muita gente:

“Digo de coração que estou feliz que o Gabo voltou para mim e que agora posso me redimir e encontrar um lar verdadeiramente incrível e definitivo.”

Em vez de alimentar ataques ou julgamentos, ele transformou a situação em um momento de conscientização.

O objetivo da postagem era claro: lembrar que adoção não é impulso, é compromisso. Cães têm sentimentos. Eles se apegam. Criam vínculos. Se adaptam à rotina, reconhecem cheiros, horários, vozes. E, sim, sofrem com a separação.

Gabriel explicou que alguns cães conseguem se recompor mais rapidamente, especialmente quando recebem afeto e atenção. Mas nem sempre o processo é simples. E, acima de tudo, abrigo não é lar.

“Mas abrigo não é lar e atenção por aqui é bastante concorrida. São 76 animais que estão sob o cuidado da casa.”

Ele reforçou que adoção exige tempo, paciência e recursos. Nem sempre o processo é como idealizamos. Alguns cães são mais tranquilos, outros mais agitados. Alguns se adaptam rápido, outros precisam de acompanhamento. Mas, em qualquer cenário, a decisão deve ser definitiva.

“Adoção é um passo responsável. É importante ter ciência que, independente do que venhamos a enfrentar, eles são pra sempre em nossas vidas. Um animal vive 10, 15, 20 anos ou mais e nesse tempo muita coisa pode mudar. A única coisa que não muda é o amor dele por nós.”

A rejeição aconteceu porque o cão da família não aceitou Gabo. Em determinado momento, houve uma briga séria entre os dois.

“Pra quem já presenciou sabe: é um evento assustador e preocupante”, contou Gabriel.

Conflitos entre cães podem acontecer. Exigem adaptação gradual, manejo correto, orientação profissional. Mas nem todas as famílias estão preparadas para enfrentar esse tipo de desafio.

Apesar da dor, ele respondeu:

“E que bom que ele tem pra onde voltar. Os animais que eu pego na rua são minha responsabilidade para sempre. Eu vou ter que dar um jeito e seguir. Não tenho pra quem devolver. E numa adoção responsável deveria ser assim: um compromisso eterno.”

Essa talvez seja a parte mais forte de toda a história.

Para Gabriel, resgatar é assumir um vínculo que não expira. Não existe “devolver para a rua”. Não existe “cancelar responsabilidade”. Existe cuidar até o fim.

E, mesmo depois de tudo, ele encerrou a publicação com esperança:

“Gabo merece um recomeço lindo. Adote nosso príncipe por amor e com muita responsabilidade.”

Agora, Gabo está de volta ao abrigo. Confuso, talvez. Mas ainda doce. Ainda disposto a confiar outra vez.

Ele não precisa de pena. Precisa de uma chance real.

Se você se sentiu tocado por essa história e entende que adoção é compromisso para toda a vida, pode entrar em contato com Gabriel pelo direct do Instagram @casadoviralata.

Porque Gabo não precisa de um lar temporário. Ele precisa de um para sempre de verdade.

Redatora e apresentadora do Canal Amo Meu Pet.

Com formação em Design de Produtos e especialização em Design de Interiores pela Universidade de Passo Fundo, a Ana encontrou sua verdadeira paixão ao unir criatividade, comunicação e o amor pelos animais.

Apaixonada por contar histórias que tocam o coração, ela estudou Escrita Criativa com o escritor Samer Agi e participa do programa JournalismAI Discovery, organizado pela Escola de Economia e Ciências Políticas de Londres e a Iniciativa de Notícias do Google, buscando se aprofundar no universo digital.

Hoje, dedica-se a produção de conteúdos que informam, emocionam, conscientizam e arrancam sorrisos.