Dona faz cachorrinha de pelúcia para confortar ovelha que havia perdido melhora amiga e cena emociona
Por Larissa Soares em Mundo AnimalChanel, a ‘ovelha influencer’ que vive na casa de Cá Moreira, comoveu a internet após demonstrar sentir profundamente a morte de sua melhor amiga: a cachorrinha Joana.
Para tentar aliviar a saudade da ovelha, a tutora decidiu criar uma versão de pelúcia da cadela. A cena emocionou milhares de pessoas nas redes sociais.
Melhores amigas
Desde que chegou à família, Chanel encontrou em Joana uma companheira inseparável.
A cachorrinha e a ovelha faziam praticamente tudo juntas. Elas conviviam diariamente, compartilhando o mesmo espaço, descanso e momentos de tranquilidade.
A relação entre as duas se transformou em uma amizade verdadeira.
Mas, no início do ano, a rotina tranquila da casa começou a mudar.
O diagnóstico que pegou todos de surpresa
Joana passou a apresentar comportamentos estranhos. Cá percebeu que algo não estava certo e identificou um dente comprometido que poderia estar causando desconforto.
A solução foi realizar uma cirurgia para resolver o problema e, inicialmente, tudo correu bem.
No entanto, alguns dias depois do procedimento, a cachorrinha começou a apresentar novos sintomas.
Pouco tempo após a cirurgia, Joana começou a perder os movimentos das pernas. Ela não conseguia mais caminhar, o que preocupou ainda mais a tutora.
A cadela foi levada novamente à clínica veterinária para investigação. Foi então que os exames revelaram um quadro muito mais grave.
Joana estava cheia de nódulos espalhados pelo corpo e com diversos exames alterados. Além disso, o estado de saúde piorou rapidamente.
Ela precisou ser internada, mas mesmo com acompanhamento veterinário o quadro continuou se agravando.
Diante da situação delicada, Cá passou o dia com a cachorrinha e disse para ela que estava tudo bem descansar.
Na manhã seguinte, a cadela se deitou à sombra de uma árvore e partiu.
A saudade que ficou na casa
A perda de Joana abalou toda a família, tanto humanos quanto animais. Mas ninguém parecia sentir tanto quanto Chanel.
Segundo Cá, a ovelha demonstrou claramente a falta da amiga.
Quando foi buscar os pertences da cadela na clínica, a tutora trouxe o colchão que Joana usava durante a internação.
Antes de lavar o item, ela permitiu que Chanel e outra cachorra da casa, Lassie, pudessem cheirar o objeto pela última vez.
O gesto foi uma forma de permitir uma espécie de despedida. Mesmo assim, Chanel continuava inquieta.
Em um vídeo compartilhado nas redes sociais, Cá explica a situação.
“Após a repentina partida da Joana, de todos os bichinhos, Chanel é a que tem sentido mais falta dela. Joana sempre foi sua melhor amiga desde que Chanel chegou na nossa família. E elas nunca tinham ficado tanto tempo longe.”
Ela explica ainda que, embora Chanel também tenha sido criada com Lassie, a relação entre elas não era a mesma.
“Agora ela fica chamando por algo.”
Joana de pelúcia
Foi então que Cá teve uma ideia carinhosa e decidiu dar para Chanel uma pelúcia que representasse Joana.
A tutora pegou um brinquedo e pintou manualmente as manchas da cachorrinha, tentando deixá-lo o mais parecido possível com a amiga que a ovelha havia perdido.
Depois, colocou a “Joana de pelúcia” na caminha de Chanel. O resultado foi uma cena que emocionou quem assistiu ao vídeo.
A ovelha se aproxima do brinquedo, demonstrando curiosidade e interesse, como se reconhecesse, de alguma forma, algo familiar ali.
A publicação rapidamente tocou milhares de pessoas, que deixaram mensagens de apoio nos comentários.
Muitos internautas compartilharam experiências parecidas com animais que demonstraram tristeza após perder companheiros.
“Por favor, cuida muito bem dela. Algumas pessoas não levam à sério, mas o luto animal é real!”, escreveu um internauta nos comentários.
Animais também podem sofrer com a perda
Durante muito tempo, acreditou-se que emoções como o luto eram exclusivas dos seres humanos.
No entanto, estudos reunidos pela Sentient Media mostram que diversos animais apresentam comportamentos semelhantes ao luto quando perdem um companheiro.
A antropóloga biológica Barbara J. King, que estuda o luto no mundo animal, explicou em entrevista à BBC que emoções como amor e tristeza não pertencem apenas aos humanos.
“Nós, humanos, não somos donos do amor ou da tristeza — essas emoções são comuns em outros animais.”
Esse tipo de reação é frequentemente associado ao chamado comportamento epimelético, um termo usado para descrever atitudes de cuidado ou atenção demonstradas por animais em relação a membros do próprio grupo.
Essas respostas podem incluir vigília ao lado de um corpo, tentativas de estimular um companheiro morto ou mudanças no comportamento após uma perda.
Exemplos impressionantes na natureza
Diversos casos documentados por pesquisadores reforçam essa possibilidade.
Entre os exemplos mais conhecidos estão os Elefantes, que frequentemente tocam e permanecem próximos aos restos mortais de membros de sua manada.
Há também registros de Golfinhos carregando filhotes mortos ou empurrando seus corpos na água por longos períodos.
Pesquisadores já observaram ainda aves como as Pegas realizando algo semelhante a um “velório”, reunindo-se ao redor do corpo de um companheiro morto.
Outro exemplo famoso envolve o jovem chimpanzé Flint, observado pela primatóloga Jane Goodall, que morreu poucas semanas após perder a mãe, demonstrando apatia e recusa em se alimentar.
Esses registros sugerem que os animais possuem uma vida emocional mais complexa do que se imaginava décadas atrás.
Nem todos os cientistas concordam totalmente
Apesar dessas observações, alguns pesquisadores defendem cautela ao interpretar esse tipo de comportamento.
O psicólogo comparativo James R. Anderson argumenta que ainda é difícil afirmar se os animais experimentam o luto exatamente da mesma forma que os humanos.
Segundo ele, sentimentos como dor pela perda podem exigir uma compreensão mais profunda sobre o conceito de morte.
Por outro lado, especialistas em comportamento animal afirmam que o sofrimento observado após a perda de um membro do grupo sugere que os vínculos sociais entre animais são extremamente importantes.
O cientista comportamental Paul Rose, da Universidade de Exeter, explica que espécies que formam laços sociais fortes tendem a reagir de maneira mais intensa quando esses vínculos são rompidos.
Larissa é jornalista e escreve para o Amo Meu Pet desde 2023. Mora no Rio Grande do Sul, tem hobbies intermináveis e acha que todos os animais são fofos e abraçáveis. Ela se formou em Jornalismo pela Universidade de Passo Fundo e é “mãe” de duas gatas.
