"Não era só uma adoção, era um destino": Protetora se emociona ao ver felicidade de cachorrinho ao abraçar futura adotante
Por Larissa Soares em Proteção Animal
Após perder a visão por conta de uma grave infecção nos olhos, o cachorrinho Chico acabou encontrando uma nova chance, graças ao trabalho da protetora Marinara Landim, de São José do Rio Preto (SP).
A história, compartilhada por Marinara, emocionou milhares de pessoas nas redes sociais.
O abandono
No dia 30 de janeiro, Marinara contou aos seguidores como Chico chegou até ela.
A protetora explicou que a história do cãozinho é, infelizmente, um retrato de algo muito comum: pessoas que compram animais sem pensar na responsabilidade que isso exige.
Segundo ela, Chico foi encontrado por um grupo de pessoas já em estado muito grave.
“Imagina essa situação: em um dia você enxerga e no outro não enxerga completamente mais nada. Pois é, essa é a história do Chico”, contou.
Quando foi resgatado, o cachorro estava com uma infecção severa nos olhos. A doença já havia avançado tanto que não havia mais como salvar sua visão.
“Ele ficou doente e precisava de cuidados. Em vez de ajuda, foi descartado como lixo”, lamentou a protetora.
Apesar do quadro delicado, Chico foi levado para atendimento veterinário e iniciou um tratamento. Mesmo tendo perdido completamente a visão, algo nunca mudou nele: a vontade de viver.
“Hoje ele é um cãozinho especial. Ele perdeu a visão, mas não perdeu a alegria”, explicou Marinara.
Um período de recuperação e cuidado
Depois do resgate, uma das pessoas envolvidas pediu ajuda à Marinada para cuidar do cão durante o período pós-operatório.
A protetora aceitou a missão e passou a acompanhar de perto a recuperação.
Durante esse período, Chico precisou de medicações, adaptação à nova condição e muita paciência para aprender a viver em um mundo diferente.
Em uma publicação posterior, Marinara relembrou esse momento com carinho.
“Cada medicação, cada cuidado, cada adaptação… cada passo da sua reabilitação em um mundo novo, onde você precisou aprender a ‘enxergar’ sem os olhos, mas com o coração.”
Segundo ela, conviver com o cachorro foi também uma lição.
“Você me ensinou que ver não é só com a visão. É com o afeto, com a paciência, com o amor.”
Mas desde o início havia um objetivo: encontrar a família perfeita para ele.
O encontro que parecia escrito
Poucos dias depois de contar a história de Chico e pedir ajuda para encontrar um lar, Marinara voltou às redes com uma notícia emocionante. O cãozinho havia sido adotado.
Segundo a protetora, a conexão com a nova tutora, Miriam, foi quase imediata.
No vídeo publicado por ela, é possível ver o momento em que a mulher abraça Chico com carinho, enquanto o cachorro parece relaxar completamente nos braços dela.
Para Marinara, aquilo não parecia apenas uma adoção.
“Nas mãos erradas, você perde o brilho. Mas nas mãos certas, você volta a brilhar lindamente”, escreveu.
Ela acredita que aquele encontro tinha algo especial.
“O Chico só precisava disso: as mãos certas, o amor certo, o tempo certo.”
Na legenda do vídeo, ela resumiu o sentimento de forma poética:
“Ele não era só um cachorro. Era destino.”
Segundo a protetora, algumas conexões simplesmente acontecem.
“Às vezes, a alma gêmea vem com quatro patas, um coração enorme e muda tudo para sempre.”
Cães cegos conseguem ter uma vida feliz?
Muitos animais com deficiência acabam enfrentando mais dificuldade para encontrar um lar. Mas isso acontece principalmente por falta de informação.
De acordo com orientações publicadas pelo site especializado PetMD, cuidar de um cão cego geralmente não é muito diferente de cuidar de um cachorro que enxerga.
O veterinário Jeff Werber explica que, na maioria dos casos, não existem custos veterinários maiores apenas pelo fato de o animal não ter visão.
“Na verdade, não há mais despesas relacionadas aos cuidados veterinários de um cão cego do que as de um cão que enxerga”, afirma.
As exceções costumam ocorrer quando a cegueira está associada a doenças que ainda precisam de tratamento, como glaucoma ou catarata em estágio inicial.
Fora isso, a rotina do animal pode ser bastante semelhante à de qualquer outro cachorro.
Como cães cegos se adaptam ao ambiente
Uma das maiores surpresas para quem adota um cachorro cego é perceber o quanto eles conseguem se adaptar rapidamente ao ambiente.
Segundo o veterinário Jeff Werber, esses animais usam principalmente o olfato, a audição e a memória para se orientar.
“Você ficaria surpreso com a rapidez com que os cães cegos aprendem a se locomover em casa”, explica.
Mesmo assim, algumas adaptações simples podem facilitar muito essa fase inicial.
- A treinadora profissional de cães Jessica Gore recomenda manter um ambiente previsível, com caminhos livres entre os cômodos e poucos obstáculos.
- Evitar mudar os móveis de lugar também ajuda o animal a memorizar melhor o espaço.
- Além disso, é importante proteger possíveis perigos dentro de casa, como escadas, quinas de móveis ou áreas externas com piscina.
Essas medidas ajudam o cão a ganhar confiança para explorar o ambiente.
Brincadeiras, aprendizado e vida normal
Outro mito comum é imaginar que cães cegos não conseguem brincar ou aprender novos comandos. Na prática, isso está longe da verdade.
Segundo Jessica Gore, esses animais podem se destacar em atividades que utilizam o olfato, como jogos de faro e rastreamento.
Brinquedos que fazem barulho também costumam ser ótimos aliados para estimular a brincadeira.
“O enriquecimento mental é importante para todos os cães”, explica a treinadora.
Além disso, métodos de treinamento baseados em som, como o uso de clickers, funcionam muito bem com cães cegos, já que utilizam estímulos auditivos para reforçar comportamentos positivos.
Larissa é jornalista e escreve para o Amo Meu Pet desde 2023. Mora no Rio Grande do Sul, tem hobbies intermináveis e acha que todos os animais são fofos e abraçáveis. Ela se formou em Jornalismo pela Universidade de Passo Fundo e é “mãe” de duas gatas.









