“Ela podia ter me devolvido”: Protetora fica indignada ao descobrir atitude de adotante com cadela que havia salvado
Por Larissa Soares em Proteção AnimalA fundadora da ONG Alma de Patas, de Goiânia (GO), usou as redes sociais para fazer um desabafo que revoltou internautas.
Em um vídeo publicado no TikTok, a protetora contou a história de Laninha, uma cachorrinha resgatada em estado gravíssimo que, após ser adotada, acabou levada para uma fazenda e desapareceu.
Segundo a protetora, a justificativa apresentada pela adotante para não permanecer com o animal foi a separação do marido.
“‘Eu me separei do meu marido e não pude levar ela comigo’. Essa foi a mensagem que eu recebi depois de muito insistir com a adotante de uma das cachorras mais amadas aqui desse perfil”, relatou.
A situação gerou indignação, principalmente por causa do histórico de luta para salvar a vida de Laninha.
Um resgate que exigiu muita luta
De acordo com a protetora, Laninha foi encontrada em estado crítico enquanto ela realizava um trabalho voluntário com crianças, ao lado de uma amiga chamada Camila.
A cadelinha estava extremamente debilitada.
“Ela tinha cinomose, tinha doença do carrapato, estava com anemia gravíssima, estava muito desidratada. Quantos dias sem beber água e sem comer, porque ela não se levantava”, contou.
O tratamento foi longo, caro e exigiu dedicação intensa para que o animal sobrevivesse.
Mesmo após superar as doenças, Laninha ainda enfrentou outro desafio: perdeu os movimentos e precisou passar por sessões de fisioterapia com acupuntura para voltar a andar.
“Foi muito difícil e muito caro para ela sobreviver”, afirmou a protetora.
A adoção que terminou em frustração
Depois de todo o processo de recuperação, Laninha finalmente encontrou uma família adotiva. No entanto, a história não teve o final feliz esperado.
Meses depois, a protetora começou a tentar contato com a adotante para saber notícias da cadela, mas, segundo ela, as mensagens ficaram sem resposta por um longo período.
“Essa foi a resposta que ela me deu depois de eu ficar desde outubro mandando mensagem e nenhuma resposta”, relatou.
A justificativa apresentada foi a separação do casal. De acordo com a adotante, a cadela não caberia em uma kitnet e, por isso, foi levada para uma fazenda.
“Uma cachorra de porte pequeno, que não pesava nem 10 quilos, não coube numa kitnet e teve que ser levada para uma fazenda”, disse a protetora.
O que mais a revoltou foi descobrir que Laninha teria permanecido apenas dois dias no local antes de desaparecer.
“Ela ficou por dois dias e sumiu.”
Desaparecimento gera revolta
A protetora afirma que ficou profundamente abalada ao saber da situação, especialmente porque acredita que o desfecho poderia ter sido diferente.
Segundo ela, bastaria que a adotante tivesse entrado em contato quando surgiram os problemas.
“Quando aconteceu essa separação, ela poderia ter entrado em contato comigo e a gente teria resolvido de outra forma”, afirmou.
Ela ressaltou que, embora devoluções sejam difíceis, ainda assim seriam uma alternativa melhor do que abandonar o animal em um ambiente desconhecido.
“Não quer dizer que eu fico feliz com a devolução. Mas é mil vezes melhor você me devolver do que levar uma cachorra de 7 quilos para uma fazenda.”
Até hoje, a protetora afirma que não sabe exatamente quando Laninha desapareceu.
Reflexão sobre adoções por casais
Durante o desabafo, a fundadora da ONG também comentou sobre um problema que, segundo ela, é comum no trabalho de resgate: devoluções de animais após separações.
“Eu tenho muito receio de doar animal para casal jovem. Tenho ótimos adotantes, mas acontece muito isso. Separou, ninguém fica com o cachorro.”
Ela também questionou a falta de planejamento de algumas pessoas ao adotar um animal.
“Agora me diz: você só adota o cachorro quando a sua vida está boa, só para quando estiver tudo bem?”
A protetora ainda fez uma comparação para destacar a responsabilidade envolvida.
“Se fosse um filho, como será que eles iam fazer? Ia largar em algum lugar também ou ia dar um jeito?”
Veja o vídeo:
A importância da responsabilidade na adoção
O caso também reacende um debate importante: a adoção responsável.
Segundo a organização internacional Four Paws, antes de decidir levar um animal para casa é essencial avaliar cuidadosamente diversos fatores que envolvem essa decisão.
Entre as principais recomendações está o compromisso de cuidar do pet a longo prazo, compreendendo suas necessidades físicas, emocionais e de saúde.
Também é importante considerar o estilo de vida da família e as características do animal escolhido, garantindo que haja compatibilidade.
Outro ponto fundamental é estar preparado para os custos envolvidos. Alimentação, cuidados veterinários, treinamento e acessórios podem representar um investimento significativo ao longo da vida do animal.
Planejamento evita abandonos
Especialistas também recomendam que futuros tutores visitem o animal mais de uma vez antes da adoção e que, caso já tenham outros pets, verifiquem se a convivência será harmoniosa.
Além disso, é essencial garantir que a casa e todos os membros da família estejam preparados para receber o novo integrante.
A adaptação também exige paciência.
Quando chega a um novo lar, tudo é desconhecido para o animal. Por isso, ele precisa de tempo para se sentir seguro e desenvolver vínculo com a nova família.
Por fim, organizações de proteção animal reforçam que vale a pena esperar até encontrar o pet certo, em vez de tomar uma decisão impulsiva.
Afinal, para o animal adotado, aquele lar deve representar um compromisso para toda a vida.
Enquanto isso, o paradeiro de Laninha segue desconhecido, uma situação que, segundo a protetora, continua sendo uma das histórias mais difíceis que ela já enfrentou no trabalho de resgate.
Larissa é jornalista e escreve para o Amo Meu Pet desde 2023. Mora no Rio Grande do Sul, tem hobbies intermináveis e acha que todos os animais são fofos e abraçáveis. Ela se formou em Jornalismo pela Universidade de Passo Fundo e é “mãe” de duas gatas.
