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“Coragem, você consegue”: Ave hesita em voar e soltar a mão de quem a salvou até ouvir palavras que mudam tudo

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em Aqueça o coração

O que começou como um acidente doméstico transformou-se em um registro de reabilitação e retorno à natureza.

Em 16 de março dois filhotes de periquito-rico, encontrados imobilizados no fundo de uma piscina vazia na residência de Eloina Amorim, conseguiram retornar ao bando após um cuidadoso processo de resgate e soltura.

A cena da despedida, marcada pela hesitação de uma das aves em abandonar o braço de seu salvador, mostra o momento exato em que o instinto de liberdade prevalece sobre o acolhimento temporário.

As aves foram localizadas em uma situação crítica. Elas estavam no chão da piscina com as patas severamente emaranhadas em fios de origem desconhecida.

A imobilização impedia o voo e tornava os filhotes vulneráveis. Sem saber ao certo como o incidente ocorreu, a família iniciou imediatamente os primeiros socorros para salvar os animais e garantir que pudessem voltar a voar.

A primeira etapa do resgate exigiu precisão, utilizando uma tesoura de ponta redonda, um dos moradores removeu cuidadosamente as fibras que prendiam as garras dos pássaros.

Esse procedimento é considerado essencial, pois qualquer resquício de material nas patas pode causar ferimentos graves ou impedir que a ave se firme em galhos e capture alimentos na natureza após a soltura.

Após a remoção das amarras, os periquitos passaram por um período de recuperação. O objetivo era garantir a integridade física e o fortalecimento das aves antes de qualquer tentativa de retorno ao habitat.

Vídeos registrados pela família documentam a fase de adaptação, onde os filhotes aparecem calmos e alimentados, interagindo em um ambiente seguro dentro de casa.

A convivência, embora próxima, manteve o foco na reabilitação. O homem responsável pelo manejo das aves estabeleceu uma relação de confiança, oferecendo suporte enquanto os animais recuperavam o vigor.

Com o passar dos dias, o comportamento dos pássaros mudou. Eles deixaram o estado de letargia inicial para demonstrar um interesse ativo pelo ambiente externo, monitorando o movimento através das janelas, sinalizando que o momento da autonomia se aproximava.

O desfecho da história ocorreu quando o bando biológico localizou os filhotes. O som característico de periquitos adultos passou a ser ouvido com frequência nos arredores da residência.

Pelo que parece, os pais das aves resgatadas pousaram em fios de alta tensão e árvores próximas, emitindo chamados persistentes para atrair os jovens de volta.

A soltura foi planejada para coincidir com essa presença. Ao levar os pássaros para a área externa, o salvador serviu como apoio para o primeiro impulso.

Um dos vídeos mostra a ave hesitando no braço do cuidador, alternando o olhar entre o humano e o céu. O impasse foi rompido por um incentivo verbal direto.

"Coragem, você consegue! Vai. Isso!", exclamou Eloina.

Estimulada pelo comando e pelo barulho dos outros periquitos, a ave finalmente bateu as asas e ganhou altura, desaparecendo entre as árvores.

Os três vídeos sobre resgate, reabilitação e soltura das aves somam mais de 359 mil visualizações.

“Obrigada moço por cuidar desses bichinhos, olha a carinha deles, olhar puro e inocente”.
“Uma vez eu trouxe um para casa porque estava machucado. Cuidamos dele e quando vi que estava bem eu soltei. Foi lindo ... ele parou no muro de casa. Olhou para nós como se estivesse agradecendo e voou sentido às árvores com um canto de agradecimento. Foi tão lindo. Nunca me esqueço”.
“Que lindo!! Não tem como não se emocionar e ter a certeza que sim ainda existem pessoas que se importam!”.

Assista abaixo:

O comportamento social do periquito-rico

A espécie resgatada, conhecida cientificamente como Brotogeris tirica, possui características sociais marcantes que explicam o comportamento observado.

Esses psitacídeos vivem em grupos familiares coesos e os pais são conhecidos por procurar filhotes perdidos por longos períodos, orientando-os através de vocalizações específicas.

Diferente de outras espécies que podem abandonar membros feridos, o periquito-rico mantém a comunicação para reintegrar os jovens ao bando.

De acordo com o perfil >Amigos dos Pássaros, a espécie não é um animal doméstico, mas sim uma espécie silvestre nativa da Mata Atlântica brasileira. Então Eloina e sua família fizeram a coisa certa ao soltá-los novamente na natureza.

Beatriz é jornalista formada pela Universidade de Passo Fundo, com especialização em Escrita Criativa e Editoração pela Universidade Pitágoras Unopar Anhanguera. Apaixonada por narrativas envolventes e pelo universo pet, ela também possui certificação em Storytelling para Marketing Digital pela Santander Open Academy, o que complementa sua habilidade de transformar histórias reais em conteúdos informativos e inspiradores. Dedica-se à produção de reportagens que valorizam a convivência ética e afetiva entre humanos e animais de estimação, promovendo empatia, informação de qualidade e o respeito aos animais.