“Cuida dos meus bebês por mim”: Protetora se emociona na despedida de cães adotados e momento emociona milhões
Entre despedidas silenciosas e recomeços, protetora cria um ritual para continuar cuidando mesmo depois da adoção
Por Sabrine Paludo em Proteção AnimalTem despedidas que não fazem barulho.
Elas acontecem no meio da rotina, entre um portão que se abre e um olhar que insiste em ficar mais um segundo. Não é sobre perder, é sobre confiar. Sobre entregar um pedaço de cuidado para o mundo e torcer para que ele volte em forma de amor.
Foi exatamente isso que emocionou no vídeo publicado por Bia Sanchez, do perfil do Threads e do Instagram do Projeto Entre Patas.
Depois de dias, semanas ou até meses cuidando de cães como lar temporário, ela faz sempre a mesma coisa quando eles vão embora.
Ela para.
Respira.
E faz uma oração.
“Sempre que eles vão pra um novo lar, eu paro e faço isso. Porque eu não posso acompanhar eles pela vida inteira… mas Deus pode.”
Um trabalho que começa no sentir
Bia explica que não existe um grande planejamento por trás dos resgates. Na maioria das vezes, começa com algo muito mais simples.
“Eu olho para o cachorro. Não precisa estar morrendo, não. Se ele me tocar de um jeito diferente e eu puder me endividar um pouquinho, eu estou indo.” afirmou Bia Sanchez em entrevista ao portal Amo Meu Pet.
Foi assim desde o começo, em 2018, quando ainda estava desempregada. Mesmo sem dinheiro, decidiu ajudar um cachorro que encontrou na rua.
“Eu pensei: esse cachorro vai morrer se eu não ajudar ele” lembrou ela.
Criou um perfil, pediu ajuda, conseguiu doações e encontrou uma família para ele.
A partir dali, não parou mais.
Hoje, o trabalho envolve muito mais do que resgatar. Ela mantém parceria com um hotel para abrigar os animais e arca com custos altos todos os meses. Bia afirmou que gasta cerca de 7 mil reais por mês somente com hotel para abrigar os pets resgatados.
Enquanto isso, ela faz a parte que considera essencial. Divulgar, contar histórias, aproximar pessoas.
“Eu trabalho com vendas e sei que vendas é conexão. As pessoas só adotam quando se conectam com o animal” afirmou ela sobre o trabalho que realiza em seu perfil do Instagram de protetora de animais, onde posta conteúdos sobre os pets que estão em lares temporários.
O valor do lar temporário
Mesmo com o apoio do hotel, Bia também abre quando falta vagas sua própria casa para abrigar cachorrinhos. E é ali que tudo muda.
“Eu gosto muito de ser lar temporário. Acho que é um dos trabalhos mais lindos que a gente pode ter”, contou Bia.
Recentemente, ela chegou a cuidar de nove filhotes ao mesmo tempo. Vieram doentes, frágeis e precisando de atenção constante.
“Eles iam morrer, literalmente. Então eu trouxe tudo pra minha casa”, destacou a protetora e lembrou que receber tantos pets faz com que a rotina acabe virando um desafio. "Eu não estava conseguindo sair de casa. Era muito xixi, muito cocô. Eu limpava o dia inteiro” complementou Bia.
Mas, aos poucos, os filhotes foram melhorando. E começaram a ser adotados.
Desapegar também faz parte
Esse é, sem dúvida, o momento mais difícil para ela. Bia não esconde que sente.
“Eu choro, sim. Hoje mesmo já chorei umas três vezes”, conta.
Mas, junto com a emoção, vem também uma consciência muito clara do que tudo isso significa. Cada despedida não é só um fim, é espaço para um novo começo.
“Quando um vai embora, abre espaço para outro. E para outro” afirmou a protetora.
Ela sabe que não pode ficar com todos. E nem é esse o objetivo, já que o seu foco é ajudar o maior número de animais possíveis a encontrar um lar. Mesmo assim, o vínculo não se perde quando eles vão embora. Ele só muda de forma.
“Eu acompanho todos depois. Sigo no Instagram, vejo como estão. A maioria dos adotantes eu mantenho contato até hoje” destacou.
E é justamente por isso que, antes de cada adoção, ela faz questão de parar por alguns segundos. É ali que entra o gesto que mais chamou atenção no vídeo.
Não é um adeus definitivo, nem um desapego frio. É uma forma de continuar cuidando, mesmo à distância.
“Então fica o meu único pedido hoje: cuida dos meus bebês por mim” disse em sua oração.
No fim, o que fica não é só a despedida.
É a escolha de confiar.
E de entender que, às vezes, amar também é deixar ir para que outros tenham a mesma chance.
