“Mesmo sem forças, ela abanava o rabinho”: Protetora se emociona ao resgatar cachorrinha que nunca de desistiu do amor

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em Proteção Animal

Resgatada em estado crítico, Lily foi encontrada em uma estrada rural, sem forças sequer para ficar em pé. Mesmo à beira do colapso, a cachorrinha ainda encontrava forças para abanar o rabinho.

Era como se ela ainda não tivesse desistido do amor. E a equipe da Sociedade Viçosense de Proteção aos Animais, de Minas Gerais, retribuiu a confiança ajudando ela a chegar no seu final feliz.

O resgate

O caso chegou até a ONG em 26 de maio de 2024, por meio de um pedido de ajuda. A cadela havia sido abandonada em uma estrada na região de Airões, em Viçosa (MG), em condições extremamente precárias.

Ela estava à beira de um barranco, magra, desidratada, infestada por carrapatos e apresentando sinais neurológicos preocupantes.

Quem a encontrou foi um homem chamado Viano Rodrigues. Sensibilizado, ele não apenas ofereceu água e alimento, como também improvisou uma pequena casinha para protegê-la enquanto aguardava socorro.

A cena já era difícil de encarar. Mas havia algo que tornava tudo ainda mais impactante.

“Mesmo com toda debilidade, Lily não parava de abanar o rabinho”, relatou a ONG.

Sem recursos sobrando e com dívidas acumuladas em clínicas veterinárias, a equipe ainda assim decidiu agir. Lily foi levada às pressas para atendimento.

Um diagnóstico preocupante

Na clínica, os exames começaram a revelar a gravidade do quadro. Além da infestação severa por carrapatos, com mais de 100, Lily apresentava sinais compatíveis com cinomose, uma das doenças mais perigosas para cães.

Segundo o American Kennel Club, a cinomose é altamente contagiosa e potencialmente fatal. Causada por um vírus da família dos paramixovírus, ela ataca múltiplos sistemas do organismo, incluindo o respiratório, gastrointestinal e neurológico.

A doença pode se espalhar por contato direto, pelo ar, através de gotículas liberadas ao tossir ou espirrar, e até mesmo da mãe para os filhotes durante a gestação.

O mais preocupante é que, além de difícil tratamento, cães infectados podem transmitir o vírus por meses, colocando outros animais em risco.

No caso de Lily, os sinais neurológicos já indicavam um estágio avançado.

Dias difíceis e uma luta diária

Os primeiros dias foram críticos. Lily precisou ser internada, receber medicação intensiva e suporte constante. Mas, aos poucos, ela começou a reagir.

Com o apoio de lares temporários, Lily iniciou sua recuperação em um ambiente mais acolhedor.

Ela ganhou peso, voltou a andar e viu seu pelo começar a brilhar. A cadela que antes mal conseguia se manter de pé começou a se transformar diante dos olhos de todos.

Em 29 de junho, pouco mais de um mês após o resgate, a ONG já comemorava os avanços.

“É uma alegria imensa ver essas vidas restauradas!”, compartilharam.

Uma vitória, mas ainda sem lar

Pouco mais de um ano depois, em janeiro, Lily já era outra cadela. Saudável, dócil, carinhosa e cheia de vida, ela havia vencido a desnutrição, superado a cinomose e recuperado sua energia.

Mas ainda faltava algo. Apesar de toda a transformação, ela continuava sem uma família definitiva. Vivia em um hotelzinho, esperando por alguém que enxergasse além de sua história.

“Mesmo fraca, Lily abanava o rabinho sem parar — como quem implorava por uma segunda chance”, relembrou a ONG.

O apelo tocou muitas pessoas, mas a espera continuava.

O final feliz que todos esperavam

Então, no dia 19 de março, veio a notícia mais feliz: Lily foi adotada.

A cadela, que antes havia sido descartada como se não tivesse valor, encontrou uma família completa, com pai, mãe, avós e até irmãos humanos, todos prontos para tratá-la como ela sempre mereceu.

“Lily surpreendendo e superando as expectativas”, escreveu a ONG.

Nas redes sociais, a emoção tomou conta.

“Apesar da situação, balançava o rabinho e isso me quebrou!!!! Não merecemos eles”, comentou uma internauta.
“Recuperação fantástica. Realmente impressionante”, escreveu outra.
“Como alguém tem coragem de abandonar os bichinhos?”, questionou mais uma.

Como a cinomose pode ser prevenida

A cinomose, apesar de extremamente grave, é uma doença que pode ser prevenida.

De acordo com o American Kennel Club, a vacinação é a principal forma de proteção. Ela faz parte do protocolo essencial para cães, junto com outras vacinas importantes.

Além de manter a vacinação sempre em dia, outras medidas podem ajudar na prevenção dos animais que ainda estão vulneráveis, como filhotes:

  • Evitar contato com animais doentes ou desconhecidos;
  • Ter cuidado em ambientes com alta circulação de cães;
  • Redobrar a atenção em áreas com presença de animais silvestres, que também podem transmitir o vírus.

Embora o vírus não sobreviva por muito tempo no ambiente e possa ser eliminado com desinfetantes comuns, sua capacidade de transmissão direta é alta, o que exige vigilância.

Larissa é jornalista e escreve para o Amo Meu Pet desde 2023. Mora no Rio Grande do Sul, tem hobbies intermináveis e acha que todos os animais são fofos e abraçáveis. Ela se formou em Jornalismo pela Universidade de Passo Fundo e é “mãe” de duas gatas.