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Homem do sertão é tomado pela emoção ao ver mãe da lua ao vivo: "Isso é muito raro, uma das imagens mais belas"

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em Mundo Animal

No início do mês, um morador do sertão do Ceará chamado Francisco se deparou com uma cena que, em mais de três décadas de vida, nunca havia presenciado.

Diante dele, empoleirada em um pé de jucá, estava uma ave conhecida por sua discrição e habilidade de se esconder à vista de todos.

Era uma mãe-da-lua, também chamada de urutau. E ela não estava sozinha.

“Uma das imagens mais raras e mais difíceis de você ver é a de uma famosa Mãe da Lua. Eu mesmo nunca tinha visto essa imagem dessa daqui ó, a Mãe da Lua e um filhote”, contou Francisco, impressionado com o que estava observando.

O encontro aconteceu em uma área típica do sertão, onde a vegetação e o clima favorecem a presença da espécie.

Ainda assim, encontrar um urutau já é considerado difícil. Ver um adulto acompanhado de um filhote torna a experiência ainda mais especial.

Francisco relatou que ficou tão impactado que decidiu acompanhar a movimentação da ave, tentando observar seus hábitos ao longo do dia e da noite.

“Eu vou tentar deixar a câmera aqui para ela estar captando as imagens dela aqui de noite, na saída dela de ida e volta.”

Acostumado com a fauna local, ele reforçou que nunca tinha presenciado algo semelhante. “Eu tenho 33 anos, nunca tinha visto, nasci e me criei no mato.”

Veja a ave com seu filhote:

O registro viralizou e despertou curiosidade e encantamento.

“Ela: tô invisível, tô invisível”, brincou uma pessoa. Outra completou: “Na cabeça dela, você continua sem ver ela.”
“Urutau!!!! Tive a honra de ver de pertinho! Lindo demais! Mas o canto dele à noite assusta”, contou outra pessoa.

A reação faz sentido. Segundo o Parque das Aves, o urutau é conhecido justamente por ser um mestre da camuflagem.

Suas penas possuem padrões que imitam galhos e troncos de árvores, o que permite que ele permaneça praticamente imperceptível quando está pousado. Em muitos casos, a ave só é notada quando se move ou vocaliza.

Essa habilidade rendeu à espécie o apelido de “ave fantasma”. Muitas pessoas escutam seu canto, especialmente à noite, mas têm dificuldade para localizá-la. A vocalização, longa e melancólica, também alimenta histórias e crenças populares.

A ave fantasma

Segundo o WikiAves, o nome “urutau”, de origem tupi, significa justamente algo próximo de “ave fantasma”.

Em diferentes regiões da América do Sul, existem lendas associadas ao animal. Algumas narrativas falam de amores perdidos e transformações, explicando o canto triste como uma espécie de lamento.

Imobilidade

Além da camuflagem, outro comportamento chama atenção. O urutau pode permanecer completamente imóvel por longos períodos, chegando a ficar até 12 horas na mesma posição. Isso ajuda a evitar predadores e reforça ainda mais sua capacidade de passar despercebido.

Para quem não conhece a espécie, essa imobilidade pode causar preocupação. Há casos de pessoas que acreditam que o animal está ferido ou doente e tentam “resgatá-lo”, quando, na verdade, esse é um comportamento natural.

Enxerga de olhos fechados

Outro detalhe curioso envolve a visão da ave. Mesmo quando parece estar de olhos fechados, o urutau consegue observar o ambiente.

Isso acontece por causa de pequenas fendas nas pálpebras, que permitem enxergar sem precisar abrir totalmente os olhos, uma adaptação importante para quem passa tanto tempo parado.

Características

Fisicamente, trata-se de uma ave de porte médio, com cerca de 33 a 38 centímetros de comprimento e coloração que varia entre tons acinzentados e amarronzados. Essa variação ajuda ainda mais na camuflagem, dependendo do ambiente em que está inserida.

O urutau costuma habitar bordas de florestas, áreas de cerrado e campos com árvores, sendo relativamente comum em várias regiões do Brasil, embora raramente seja visto com facilidade.

Outro hábito marcante é o comportamento noturno. A espécie se alimenta principalmente durante a noite, o que contribui para que passe o dia imóvel, descansando e se protegendo.

Azar ou sorte?

Apesar de toda a aura de mistério, especialistas reforçam que não há qualquer relação entre o animal e má sorte, como algumas crenças populares sugerem.

Pelo contrário, avistar um urutau é considerado por muitos um privilégio, justamente pela dificuldade de encontrá-lo.

Larissa é jornalista e escreve para o Amo Meu Pet desde 2023. Mora no Rio Grande do Sul, tem hobbies intermináveis e acha que todos os animais são fofos e abraçáveis. Ela se formou em Jornalismo pela Universidade de Passo Fundo e é “mãe” de duas gatas.