"Deve ser um bicho forte": Biólogo se surpreende ao encontrar balde com dois blocos de cimento em cima deixados na rua

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em Mundo Animal

Um balde no meio da rua, tampado com dois blocos de cimento, é o suficiente para deixar qualquer um apreensivo.

Quando o biólogo Gilberto Ademar Duwe, conhecido nas redes como Giba, recebeu o chamado para verificar a situação, a cena parecia indicar que havia algo grande e perigoso ali dentro.

“Deve ser um bicho forte”, comentou ele ao se aproximar, registrando tudo em vídeo para seus seguidores.

Segundo Giba, o recipiente havia sido colocado por moradores que preferiram não arriscar.

“Tá lá no meio da rua, olha só, colocaram um balde pra prender ele ali. Caraca, colocaram dois tijolos ali em cima do balde”, narrou, enquanto se preparava para descobrir o que estava escondido.

Mistério resolvido

Com cuidado, o biólogo retirou os blocos e levantou o balde. A expectativa era encontrar uma serpente grande ou potencialmente perigosa. Mas o que apareceu fez ele rir na hora.

“Ah, não acredito, sério? Ah, cê já sabe o que que é, né?”, disse, antes de revelar: “Uma dormideira, uma Dipsas mikanii, serpente totalmente inofensiva, que não é peçonhenta”.

A “ameaça” era, na verdade, uma cobra pequena e tranquila, conhecida justamente por não representar risco para humanos.

Ainda assim, o susto dos moradores é compreensível. Muitas pessoas confundem a dormideira com espécies peçonhentas, como a jararaca, o que costuma gerar medo.

Nos comentários do vídeo, internautas reagiram com alívio e bom humor.

“Ownn tadinha... ainda bem que não mataram”, escreveu uma pessoa. Outra brincou: “Se com a dormideira colocaram dois blocos, imagine se fosse uma sucuri”.

Apesar da confusão, Giba destacou um ponto positivo: mesmo com medo, os moradores optaram por não ferir o animal e chamaram alguém capacitado para fazer o resgate.

Conheça a cobra-dormideira

A espécie encontrada por Giba, a Dipsas mikanii, é considerada totalmente inofensiva. De acordo com informações do Porto de Itapoá, trata-se de uma serpente sem veneno e com hábitos predominantemente noturnos.

Ela costuma viver tanto no solo quanto em árvores, sendo classificada como semi-arborícola. Seu comportamento é discreto, e sua alimentação é bastante específica: a dormideira se alimenta principalmente de lesmas e caracóis.

Para isso, possui dentes adaptados, que ajudam a retirar esses pequenos animais de dentro das conchas. Esse detalhe mostra como cada espécie ocupa um papel importante no equilíbrio do ambiente.

Aliás, a presença desse tipo de serpente pode ser um bom sinal. Ainda segundo o Porto de Itapoá, espécies do gênero Dipsas costumam habitar áreas úmidas e preservadas, funcionando como bioindicadores da qualidade ambiental.

Por que tanta confusão?

Mesmo sendo inofensiva, a dormideira frequentemente é confundida com serpentes peçonhentas. Isso acontece principalmente por causa do formato do corpo e da coloração, que podem lembrar espécies como a jararaca.

Essa confusão faz com que muitas pessoas reajam com medo ao encontrar qualquer cobra, independentemente do risco.

No entanto, identificar corretamente uma serpente não é tarefa simples. Por isso, especialistas recomendam evitar qualquer tentativa de aproximação ou manuseio.

O que fazer ao encontrar uma cobra

De acordo com orientações divulgadas pela CNN Brasil, a principal recomendação é não tentar mexer no animal.

O diretor do Centro de Desenvolvimento Cultural do Instituto Butantan, Giuseppe Puorto, explica que o ideal é acionar profissionais capacitados.

“Se aparecer alguma serpente na sua casa, na sua área de trabalho, não importa se é perigosa ou não, procure socorro com pessoas que saibam lidar com animais. Chame o Corpo de Bombeiros, a Defesa Civil ou o Controle de Zoonoses do seu município”, orienta o especialista.

Essa atitude reduz o risco de acidentes e garante que o animal seja removido de forma segura.

Entre as serpentes que exigem mais atenção no Brasil estão espécies como a jararacuçu (Bothrops jararacuçu), a própria jararaca (Bothrops jararaca) e a coral-verdadeira (Micrurus corallinus), todas peçonhentas.

Como evitar encontros com cobras

Algumas medidas podem ajudar a reduzir a presença de serpentes em áreas residenciais. Segundo recomendações da Cobasi, manter o ambiente organizado faz diferença.

A limpeza do jardim, com poda de plantas e remoção de folhas secas, evita a formação de esconderijos. Também é importante não acumular lixo em áreas externas.

Outro ponto importante é reduzir a presença de presas. Como cobras se alimentam de pequenos animais, manter roedores e outros bichos afastados diminui o interesse delas pelo local.

Medidas físicas também ajudam: instalar telas em janelas, vedar frestas e manter portas fechadas dificulta a entrada desses animais nas casas.

Em áreas rurais, algumas pessoas recorrem à presença de aves, como galinhas, que podem atuar como um fator de alerta e até afastar serpentes.

Larissa é jornalista e escreve para o Amo Meu Pet desde 2023. Mora no Rio Grande do Sul, tem hobbies intermináveis e acha que todos os animais são fofos e abraçáveis. Ela se formou em Jornalismo pela Universidade de Passo Fundo e é “mãe” de duas gatas.