“Ela é diferente, mas só queria ser amada”: Cachorrinha albina e surda que ama gatos segue esquecida à espera de um lar
Por Beatriz Menezes em Cães
Hoje descansando em um lar temporário no bairro Santa Maria 2, em Passo Fundo, uma cachorrinha albina deixa para trás as marcas de um passado de vulnerabilidade.
Recentemente localizada nas ruas enquanto estava no cio, ela era seguida por diversos cães e demonstrava um estado de medo acentuado. A situação de risco mobilizou a rede de proteção animal da cidade para garantir que ela recebesse o suporte necessário antes que o abandono resultasse em uma ninhada indesejada ou em ferimentos graves.
O resgate foi efetuado pela protetora Doris Flores, que prontamente retirou o animal das ruas. Diante da falta de espaços disponíveis para alojamento imediato, a médica veterinária Lilian Ritter, da Clínica Veterinária IMV Saúde Animal, decidiu fornecer o lar temporário.
Desde o acolhimento, a cadela passou por uma transformação completa em sua saúde. Ela já foi castrada, recebeu a primeira dose da vacina e agora aguarda por uma família que compreenda suas necessidades particulares.
Com cerca de dois anos de idade, a cadela é descrita como um animal dócil e sociável. Ela convive harmoniosamente com outros cães e apresenta uma característica positiva para muitas famílias: a boa interação com gatos.
No entanto, sua aparência física revela uma condição genética que exige dedicação por parte dos novos tutores. Por ser albina, sua saúde é mais sensível aos elementos externos do que a de um cão comum.
Em entrevista ao Amo Meu Pet a veterinária Lilian ressaltou que o albinismo não é um impedimento para uma vida plena, desde que haja adaptação no manejo diário.
"Pra um cachorro com tutor ela pode ter uma vida normal, ensinando comandos visuais, na rua que vai ser perigoso. Precisa mais cuidados com a pele clara. Recomenda-se baixa exposição solar e uso de protetores.", explicou a veterinária.
A família ideal para ela deve estar disposta a monitorar os horários de passeio e investir em cuidados dermatológicos preventivos.
Confira abaixo:
Três décadas de dedicação: a trajetória de Doris Flores
Por trás do resgate desta cadela albina está o trabalho de Doris Flores, uma figura central na causa animal em Passo Fundo há mais de 30 anos. De acordo com o portal da Rede de Proteção da Prefeitura de Passo Fundo, sua história começou de forma orgânica, acolhendo animais em sua própria casa antes mesmo de compreender a dimensão do que significa ser uma protetora.
Hoje, ela é movida pela empatia e pelo amor, sentimentos que a sustentam em uma rotina que exige abrir mão de inúmeras questões pessoais para suprir as necessidades de seres que não têm voz.
A atuação de Doris é marcada por desafios constantes, sendo o financeiro o mais latente.
Manter a assistência médica, comprar insumos em agropecuárias e quitar despesas clínicas exige um esforço maior do que a arrecadação obtida por meio de sua rede de apoiadores.
Mesmo assim, ela mantém uma média de 150 atendimentos anuais, focando sempre na recuperação total do animal e na castração antes de encaminhá-los para uma adoção responsável.
Apesar das dificuldades, Doris se mantém persistente e otimista. Ela vê em políticas públicas, como o Programa de Castração em Passo Fundo, a única ferramenta ética para o controle populacional e a redução do abandono.
Para a protetora, cada final feliz, como o que se deseja para a cadela albina, é um reflexo da esperança de um futuro onde o bem-estar animal seja uma prioridade coletiva.
Quer adotar? Entre em contato com Lilian 54 9 9105-8818.











