“Preciso doar esses anjinhos”: Protetora com doença terminal faz apelo emocionante para salvar seus dois cães
Em tratamento paliativo, Margarida busca uma família cheia de amor para Lucy e Felipe, seus últimos resgatados
Por Sabrine Paludo em Diário do BemA câmera do celular registra uma cena simples, mas carregada de significado. Sentada, com a voz serena e ao mesmo tempo atravessada pela urgência do tempo, Margarida fala sobre dois cães que estão ao seu lado. Lucy e Felipe não são apenas mais um resgate. Eles são, agora, o centro de um último pedido.
A história foi compartilhada em um vídeo publicado no Instagram do Hyppet, aplicativo conhecido por conectar animais a novos lares e que já foi tema de outras histórias emocionantes. Desta vez, no entanto, o apelo tem um peso diferente. Ele não fala apenas de adoção, mas também de despedida.
Margarida está em tratamento paliativo após receber o diagnóstico de câncer em estágio terminal. Ao longo da vida, ela construiu uma relação profunda com os animais. Pessoas próximas descrevem como algo quase inexplicável, como se os cães reconhecessem nela um lugar seguro em meio a um mundo muitas vezes duro demais.
Essa conexão virou propósito. Durante anos, Margarida resgatou inúmeros animais, cuidou de cada um deles e encontrou lares onde pudessem recomeçar. Um trabalho silencioso, contínuo e cheio de dedicação. Um daqueles esforços que raramente ganham destaque, mas que transformam vidas todos os dias.
Ao longo desse caminho, muitos cães passaram por suas mãos. Chegaram assustados, doentes, abandonados. E partiram diferentes, confiantes, acolhidos por novas famílias. Margarida sempre fez questão de acompanhar cada etapa, garantindo que todos fossem para lares responsáveis e cheios de cuidado.
Mas desta vez, a história tomou um rumo que ela não podia controlar.
Há pouco tempo, veio o diagnóstico que mudou tudo. Com a confirmação de um câncer em estágio terminal e a indicação de tratamento paliativo, a prioridade passou a ser outra. Ainda assim, mesmo diante da própria fragilidade, Margarida não voltou o olhar para si. Sua maior preocupação continuou sendo aqueles que dependem dela.
Lucy e Felipe.
A cadelinha e seu filhote são os últimos sob seus cuidados. Dois cães descritos como extremamente dóceis, carinhosos e acostumados ao contato humano. Felipe tem cerca de dois anos. Lucy, por volta de quatro. Ambos já estão vacinados e castrados, prontos para seguir para um novo lar sem qualquer pendência.
No vídeo, Margarida fala com uma sinceridade que atravessa a tela. Ela explica que sempre conseguiu doar a maioria dos animais que resgatou, mas que, desta vez, o tempo não está ao seu lado.
Ela conta que está fazendo quimioterapia e que a previsão é curta. Não entra em detalhes, mas o suficiente para que se entenda o peso daquele momento. Ainda assim, seu pedido é simples e direto. Encontrar uma família boa, cheia de amor, para os dois.
Não há desespero na forma como fala. Há cuidado. Há responsabilidade. Há um amor que não diminui nem mesmo diante da despedida.
Ela pede ajuda. Não por ela, mas por eles.
O receio que expressa é um dos mais humanos possíveis. O medo de faltar e não saber o que vai acontecer com aqueles que ficaram para trás. Um pensamento que muitos tutores compartilham, mas que, no caso de Margarida, se tornou urgente.
Lucy e Felipe cresceram nesse ambiente de acolhimento. São animais que conhecem o carinho, o toque, a rotina de um lar. E é justamente isso que Margarida quer garantir para eles, mesmo quando ela já não puder estar presente.
Quando o amor pelos animais vira legado
Histórias como a de Margarida ajudam a entender que o cuidado com os animais vai muito além do momento do resgate. Existe uma rede invisível de pessoas que dedicam tempo, energia e afeto para transformar realidades que, muitas vezes, começariam e terminariam nas ruas.
No caso dela, esse cuidado virou um legado. Cada animal salvo, cada adoção bem-sucedida, cada vida recomeçada.
E agora, Lucy e Felipe representam a continuidade desse legado.
Garantir um lar para os dois não é apenas um gesto de solidariedade. É também uma forma de honrar toda a trajetória de alguém que fez da empatia um modo de viver.
O papel do Hyppet nas adoções responsáveis
O pedido de Margarida ganhou visibilidade através do Hyppet, aplicativo que conecta animais a possíveis adotantes por meio de um processo estruturado e responsável. A plataforma organiza entrevistas, apresenta perfis detalhados e busca garantir que cada adoção aconteça com segurança tanto para o animal quanto para a família.
Ao longo dos últimos anos, iniciativas como essa têm mudado a forma como as adoções acontecem, ampliando o alcance de histórias que, de outra forma, poderiam passar despercebidas.
No caso de Lucy e Felipe, a esperança é que essa visibilidade ajude a encontrar pessoas dispostas a abrir espaço em suas casas e, principalmente, em suas rotinas.
A adoção responsável envolve compromisso, adaptação e tempo. Mas também devolve em forma de afeto tudo aquilo que Margarida sempre enxergou nos animais que resgatou.
Como adotar Lucy e Felipe
Para quem se sensibilizou com a história e quer dar um novo lar para os dois, o processo acontece por meio do Hyppet.
O primeiro passo é acessar o aplicativo e procurar pelo perfil de Lucy e Felipe. Lá, estão reunidas as informações sobre os dois, incluindo idade, temperamento e histórico. A partir disso, é possível se candidatar à adoção diretamente pela plataforma.
Depois do envio do interesse, o processo segue com uma etapa de entrevista, que faz parte da adoção responsável. Esse cuidado existe para garantir que os cães sejam encaminhados para um ambiente seguro, com pessoas preparadas para assumir o compromisso.
A equipe responsável avalia fatores como rotina, espaço disponível e experiência com animais, sempre pensando no bem-estar de Lucy e Felipe. Em alguns casos, também pode haver acompanhamento inicial para ajudar na adaptação.
Neste momento, o que ela mais espera é simples. Saber que, independentemente do que aconteça, Lucy e Felipe estarão protegidos, seguros e cercados de amor.








