“Obrigado por ajudar meus bebês”: Antes de ir embora, beija-flor se despede de moça que acolheu sua família
Por Larissa Soares em Mundo AnimalThaiz, moradora do Rio de Janeiro, passou a acompanhar de perto uma história que começou na janela de casa.
Em agosto de 2025, um beija-flor escolheu o local para construir um ninho e ali nasceram dois filhotes, dando início a uma convivência que trouxe mais alegria para a rotina da jovem.
“Quando a natureza te escolhe para testemunhar a vida”, escreveu ela ao mostrar o momento em que os bebês vieram ao mundo.
A partir dali, o dia a dia passou a incluir visitas da mãe beija-flor, que aparecia várias vezes ao longo do dia para alimentar e cuidar dos bebês.
A cena se repetia com frequência. A ave chegava, pairava no ar por alguns segundos e, com movimentos rápidos, alimentava os filhotes antes de sair novamente.
Aos poucos, Thaiz começou a notar as mudanças. Primeiro, os olhos se abrindo, depois, o crescimento das penas. Em pouco tempo, os dois já ocupavam mais espaço no ninho.
A visita que virou rotina
Com o passar dos dias, a relação entre a moradora e a ave foi ficando mais próxima. Segundo Thaiz, a mãe beija-flor não apenas aceitava sua presença como também se aproximava sem receio.
“A mamãe deles entrava na minha casa, interagia comigo e me permitia tocar nela e nos filhotes”, contou.
A confiança chamou atenção e fez com que a experiência fosse ainda mais marcante.
O crescimento dos filhotes seguiu até o momento em que começaram a testar as asas. O primeiro voo aconteceu em direção ao telhado.
O outro filhote, por sua vez, tomou um caminho diferente e acabou entrando no apartamento.
Thaiz registrou o momento em que ele ficou em sua mão, quietinho, como se estivesse descansando antes de seguir.
“Parecia estar se despedindo e agradecendo”, escreveu. Pouco depois, ele voou para fora.
“E foi porque seu lugar é na natureza e nenhum animal merece viver sem liberdade”, completou.
Reações de quem também já viveu algo parecido
A história despertou identificação entre outras pessoas que já passaram por situações semelhantes. Nos comentários, muitos relataram experiências com ninhos próximos de casa.
“Deixa o ninho, certamente ela voltará. Morava em um sítio e cresci vendo essas delicadezas”, escreveu uma internauta.
Outra contou que também acompanhou duas ninhadas e descreveu a rotina da mãe, que deixava os filhotes durante a noite e retornava pela manhã.
Outra pessoa também refletiu sobre o momento da despedida:
“Eu aprendi a amar com os animais. Ao mesmo tempo que eu queria muito que eles ficassem comigo, eu queria que eles fossem felizes e livres”, comentou.
Um reencontro meses depois
A história teve um novo capítulo em novembro do mesmo ano. Thaiz voltou às redes para contar que a ave tinha retornado.
“Ela voltou gente. Apareceu ontem e já passou a noite chocando os ovinhos. Nem acredito que vou presenciar isso de novo”, escreveu.
A expectativa de acompanhar mais uma ninhada trouxe de volta a rotina de observação e cuidado. No entanto, dessa vez, o desfecho foi diferente do primeiro.
Como a ave já estava habituada a entrar no apartamento, acabou sendo capturada pelos animais de estimação da casa. Os dois filhotes ficaram órfãos, e Thaiz passou a cuidar deles.
Curiosidades sobre o beija-flor
De acordo com informações da Cobasi, o beija-flor pertence à família Trochilidae e é conhecido pela capacidade de pairar no ar enquanto se alimenta do néctar das flores.
- Pairar no ar: esse comportamento é possível graças ao movimento extremamente rápido das asas, que podem bater até dezenas de vezes por segundo, criando a impressão de que a ave está parada no ar.
- Metabolismo acelerado: por gastar muita energia durante o voo, o beija-flor precisa se alimentar várias vezes ao dia, podendo visitar flores repetidamente ao longo das horas.
- Grandes viagens: apesar do corpo delicado, o beija-flor é capaz de percorrer longas distâncias. A espécie é considerada migratória e pode voar por milhares de quilômetros em busca de alimento.
- Diversidade: existem mais de 300 tipos espalhados pelo continente americano, sendo encontrados principalmente em regiões mais quentes.
- Efeito nas penas: as cores vibrantes, que costumam encantar quem observa de perto, não vêm apenas da pigmentação das penas. O brilho é resultado de um efeito chamado iridescência, que reflete a luz de diferentes formas dependendo do ângulo.
Larissa é jornalista e escreve para o Amo Meu Pet desde 2023. Mora no Rio Grande do Sul, tem hobbies intermináveis e acha que todos os animais são fofos e abraçáveis. Ela se formou em Jornalismo pela Universidade de Passo Fundo e é “mãe” de duas gatas.
