Biólogo recebe 20 ovos misteriosos achados em jardim e se surpreende com nascimento raro: “Não sabia o que eram”
Por Beatriz Menezes em Mundo AnimalO biólogo Christian Raboch Lempek registrou um evento raro em sua trajetória profissional ao acompanhar o nascimento simultâneo de 20 lagartos da espécie teiú em Jaraguá do Sul, Santa Catarina.
O especialista, que acumula uma audiência de mais de 2 milhões de seguidores no Instagram, recebeu uma caixa contendo os ovos após um morador encontrá-los em um jardim residencial.
O caso ganhou repercussão pelas redes sociais pela incerteza inicial sobre a espécie e pelo desfecho da soltura na natureza.
No momento do recebimento, a identificação dos espécimes não era precisa. O biólogo relatou que a estrutura dos ovos gerou dúvidas se pertenciam a serpentes ou lagartos.
Com cerca de dez anos de atuação e um histórico que supera 4 mil resgates de fauna silvestre, Lempek afirmou que presenciar o nascimento desse volume de filhotes de forma coordenada foi uma experiência marcante.
"Confesso que isso foi uma das coisas mais inéditas que eu presenciei em dez anos trabalhando com resgate de fauna", declarou o profissional sobre o momento da eclosão.
O processo de nascimento ocorreu de forma gradual. Inicialmente, três filhotes romperam as cascas e foram encaminhados para a soltura imediata. Em uma etapa posterior, outros 16 animais saíram dos ovos ao mesmo tempo.
Durante o processo, o biólogo realizou uma intervenção assistida em um dos exemplares que apresentava dificuldade para sair da casca.
Lempek explicou que essa é uma situação muito delicada porque não se pode forçar o animal a sair, sendo necessário ajudar com muita cautela e paciência para respeitar o tempo biológico do réptil.
A biologia dos teiús explica a autonomia observada nos recém-nascidos. Diferente de mamíferos ou aves, esses animais não possuem cuidado parental. Após a postura dos ovos em locais estratégicos para o controle de umidade, os adultos abandonam o ninho.
O período de incubação varia entre 60 e 90 dias e, ao nascerem, os filhotes já possuem o instinto de sobrevivência apurado.
Segundo o biólogo, os pais simplesmente colocam os ovos e vão embora, fazendo com que os filhotes nasçam precisando se virar para procurar comida sozinhos.
Após o nascimento completo da ninhada, Christian Raboch realizou o transporte dos animais para uma área de floresta preservada na região. A soltura estratégica visa manter o equilíbrio ambiental, uma vez que o teiú desempenha um papel fundamental no controle biológico.
A espécie se alimenta de pequenos roedores, aranhas e serpentes, auxiliando na regulação de populações que podem oferecer riscos aos seres humanos em áreas urbanas.
Embora o índice de sobrevivência até a fase adulta seja variável devido à predação natural, a devolução desses animais ao habitat é a conduta padrão em resgates de fauna silvestre.
O vídeo publicado em 18 de fevereiro obteve 1,2 milhão de visualizações, 135 mil curtidas e 2.658 comentários.
“Logo logo eles estarão correndo atrás de você”.
“Um mini Jurassic park!”.
“Eu morava no sítio. Minha mãe fica brava com eles pq comiam os ovos de nossas galinhas caipiras ... eu achava legal (era a refeição deles). Ainda sobravam uns ovos pra gente. Ficava tudo certo!!”.
Assista abaixo:
O trabalho de divulgação científica feito pelo biólogo busca conscientizar a população sobre a importância de não manipular ninhos encontrados em jardins sem orientação técnica.
O caso dos teiús reforça a presença constante da fauna silvestre em perímetros urbanos e a necessidade de profissionais capacitados para mediar o contato entre a população e os animais nativos da Mata Atlântica.
Atualmente, o biólogo continua utilizando suas plataformas digitais para documentar a rotina de resgates e reabilitação, transformando casos cotidianos em ferramentas de aprendizado sobre a biodiversidade brasileira.












