“Agora tudo é festa”: Ave que viveu presa no escuro desde que nasceu, esbanja felicidade ao descobrir o mundo
Por Larissa Soares em Proteção AnimalUma maritaca chamada Canjica passou os primeiros meses de vida presa por uma linha enrolada na perna, escondida no telhado de uma casa e sem conseguir se movimentar direito.
Quando finalmente foi encontrada, estava pendurada por apenas uma perninha, extremamente magra e sem forças.
Hoje, semanas depois do resgate, a ave descobriu o que é brincar, explorar objetos, observar o movimento da casa e até comemorar pequenas novidades do dia a dia como se fossem grandes aventuras.
Resgate de Canjica
A história começou na Sexta-feira da Paixão de 2026, quando a criadora de conteúdo Carol Correa ouviu barulhos vindos do telhado enquanto tentava ajudar um pombo machucado no fundo de casa.
“Olhei pra cima e estava ela lá, presa, pendurada por uma perna só por uma linha agarrada ao pezinho.”
Sem pensar duas vezes, Carol correu para buscar uma escada. Não houve tempo para gravar nada. A prioridade era tirar a ave dali.
“Subi, cortei a linha e desamarrei o que nitidamente estava colado à sua pele. Como algo que cresce junto ao nosso corpo e deixa marcas eternas.”
Quando conseguiu resgatar a maritaca, ela percebeu que havia algo diferente. Apesar de não parecer tão filhote, a ave estava extremamente fraca, com os pés atrofiados e muito abaixo do peso.
Carol já havia cuidado de outras aves antes e imaginou que faria o mesmo desta vez até a recuperação e soltura. Só que Canjica exigia muito mais atenção.
“Ela não permanecia em pé de forma firme, os dedos enrolados, chorava muito.”
Uma sobrevivente
Depois da consulta veterinária, veio a confirmação do que Carol suspeitava. A linha provavelmente estava no ninho desde o nascimento da maritaca e acabou prendendo sua perna enquanto ela crescia.
Mesmo presa, os pais continuaram alimentando a filhote no telhado, o que permitiu que sobrevivesse por meses naquela situação.
“Ela nasceu e provavelmente tinha linha no ninho e agarrou.”
A consequência disso foi grave. Sem conseguir se locomover direito, Canjica desenvolveu problemas nos pés, desnutrição severa e muita dificuldade para realizar atividades básicas.
“Até hoje ela não consegue pegar nada com as mãos nem comer nada que não seja amassadinho.”
Carol contou que a ave quase morreu durante os primeiros dias de tratamento. Ainda assim, Canjica seguia resistindo.
“Mas ela era forte! Resistiu a tudo.”
Com o passar das semanas, os seguidores começaram a acompanhar cada pequena evolução da maritaca. O ganho de peso virou comemoração.
Os primeiros movimentos mais firmes também. E logo Canjica começou a mostrar um comportamento curioso e animado diante das descobertas mais simples.
“Ela viveu desde que nasceu no escuro amarrada no telhado sem poder sair. Tudo que ela conhece faz festa.”
Nas imagens compartilhadas por Carol, a maritaca aparece fascinada observando ambientes, pessoas e objetos. Ela interage, vocaliza, explora com cautela e demonstra interesse por tudo ao redor.
“Canjiquinha e suas descobertas. Ela faz tudo parecer maravilhoso.”
Dependente, mas cada vez mais forte
Mesmo apresentando melhora, a maritaca ainda depende bastante dos cuidados humanos. Carol contou que muitas vezes precisa complementar a alimentação durante a noite porque Canjica ainda não consegue comer sozinha adequadamente.
“Nem sempre ela se alimenta o bastante durante o dia, aí preciso completar para ela não dormir com fome.”
A falta de autonomia é uma das consequências do tempo que passou presa no ninho. Sem conseguir se movimentar como os irmãos, ela teve menos oportunidades de desenvolver habilidades básicas da espécie.
“Canjiquinha não tem autonomia como um pássaro normal, muito dependente para comer e se locomover.”
Ainda assim, Carol faz questão de destacar que a ave demonstra progresso constante.
“Ela está cada dia mais forte e ativa.”
Maritacas
De acordo com a Cobasi, a maritaca pertence à família dos psitacídeos, a mesma dos papagaios, araras e periquitos.
As maritacas são aves muito populares no Brasil e chamam atenção tanto pela coloração verde vibrante quanto pelo comportamento extremamente comunicativo.
Segundo especialistas, elas costumam sobrevoar juntas os locais onde vão descansar antes de anoitecer, sempre vocalizando bastante.
O som alto faz parte do comportamento natural da espécie. Muitas vezes elas voam em grupos de seis a oito indivíduos, mas em épocas de fartura alimentar esses bandos podem crescer bastante.
Além disso, são aves sociáveis e muito ativas. Gostam de interagir umas com as outras e passam boa parte do tempo explorando o ambiente.
Maritacas também gostam bastante de água e podem ser vistas se refrescando em rios e áreas úmidas. Na natureza, vivem em diferentes habitats da América do Sul, incluindo florestas, savanas e áreas cultivadas.
Larissa é jornalista e escreve para o Amo Meu Pet desde 2023. Mora no Rio Grande do Sul, tem hobbies intermináveis e acha que todos os animais são fofos e abraçáveis. Ela se formou em Jornalismo pela Universidade de Passo Fundo e é “mãe” de duas gatas.
