Abandonado, cachorrinho ganha o nome de Tristão por até hoje não compreender a solidão

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em Cães

Há três meses, um cachorro preto passa os dias deitado encolhido em uma calçada, tentando entender por que ficou sozinho.

O olhar abatido e a postura retraída chamaram atenção de moradores da região e também de Luciana Santos, voluntária da causa animal e responsável pela Palu Passeios e Banho e Tosa.

Foi ela quem começou a mostrar a rotina do cão nas redes sociais e deu a ele um nome que resume bem sua expressão diária: Tristão.

Tristeza pós abandono

Segundo Luciana contou em uma publicação feita no dia 30 de abril, o cachorro demorou muito tempo para permitir qualquer aproximação. Depois do abandono, ele passou a desconfiar das pessoas e evitava contato.

Quem começou a ajudá-lo foram duas moradoras conhecidas como dona Neide e dona Hilda, responsáveis por oferecer comida e acompanhar o cachorro na rua. Mesmo assim, conquistar a confiança dele não foi simples.

Luciana explicou que só recentemente Tristão passou a aceitar carinho. Ainda assim, o semblante triste continua chamando atenção de quem o conhece.

“Às vezes parece que ele está chorando”, disse ela ao mostrar o cachorro deitado na calçada, com os olhos lacrimejando e expressão cansada.

O jeito abatido acabou emocionando muita gente nas redes sociais. Nos comentários, seguidores lamentaram a situação do cão e demonstraram revolta com o abandono.

“O semblante dele é de tristeza mesmo. O abandono marca demais”, escreveu uma pessoa.

Outra comentou que não consegue entender como alguém consegue abandonar um animal e seguir a vida normalmente depois disso.

Apesar da tristeza estampada no rosto, Tristão começou aos poucos a criar pequenos vínculos com as pessoas que insistiram em cuidar dele.

Além de dona Neide e dona Hilda, uma família que vende churrasquinho na região também passou a fazer parte da rotina do cachorro.

Segundo Luciana contou em outra atualização publicada em 19 de maio, Tristão já aprendeu o horário em que pode ganhar um pedaço de churrasco durante a noite.

Mesmo vivendo na rua, ele passou a confiar nessas pessoas que fazem questão de garantir pelo menos um pouco de carinho e alimento todos os dias.

“Ele precisa ser cuidado e amado”, escreveu Luciana ao pedir uma família para o cachorro.

Nova família para Tristão

A publicação mobilizou seguidores interessados em ajudá-lo. Poucos dias depois, no dia 22 de maio, Luciana contou que já conversava com quatro possíveis adotantes. Mas fez questão de destacar que a prioridade era preservar o bem-estar do cão.

Enquanto isso, ele seguia na calçada acompanhado do pessoal do churrasquinho, esperando por uma mudança definitiva na vida.

No dia 23 de maio, surgiu mais uma atualização importante. Segundo Luciana, uma família já estava sendo avaliada para recebê-lo, mas antes disso seria necessário realizar exames e organizar o transporte do cachorro até o novo lar.

Agora, quem acompanha a história de Tristão torce para que ele receba logo o final feliz que tanto merece.

Caso parecido

E essa não é a primeira vez que um cachorro com olhar abatido emociona internautas até encontrar uma nova chance.

Em janeiro, outro cão chamado Boquinha também comoveu milhares de pessoas ao deixar um abrigo e finalmente ganhar uma família.

idoso, sem a maioria dos dentes e enfrentando problemas de pele causados por fungos, Boquinha parecia invisível dentro do abrigo. Enquanto outros cães latiam e disputavam atenção, ele apenas observava quieto.

Foi justamente essa postura mais retraída que tocou Diego Sedrez, que viu uma publicação sobre o cachorro e decidiu conhecê-lo pessoalmente.

Quando chegou ao abrigo, encontrou um cão frágil, tímido e com um olhar descrito por ele como de “tristeza profunda”.

Mesmo assim, a família não pensou duas vezes antes de levá-lo para casa.

“A pele e os dentes não importavam. A gente só queria que ele tivesse uma família no finalzinho da vida”, contou Diego.

Nos primeiros dias, Boquinha parecia perdido dentro da nova casa. Andava devagar, observava tudo com cautela e ainda demonstrava medo em alguns momentos.

A adaptação aconteceu aos poucos. Pitchula, a outra cachorrinha da família, respeitou o espaço do novo amigo até que ele começasse a se sentir seguro.

Então vieram as primeiras mudanças. Boquinha começou a tomar sol no quintal, passou a comer melhor e lentamente abandonou a expressão abatida que carregava no abrigo.

Em menos de uma semana, já brincava com Pitchula pela casa.

A família também decidiu dar um novo nome ao cão. Boquinha virou Plínio e ganhou uma rotina completamente diferente daquela que levava antes.

Segundo Diego, uma das maiores tristezas reveladas pelo abrigo era saber que cães idosos raramente são escolhidos para adoção. Muitos passam anos esperando por uma família sem nunca conseguir sair dali.

Por isso, a história de Plínio acabou servindo como incentivo para que mais pessoas olhassem com carinho para animais mais velhos, tímidos ou considerados “difíceis”.

Larissa é jornalista e escreve para o Amo Meu Pet desde 2023. Mora no Rio Grande do Sul, tem hobbies intermináveis e acha que todos os animais são fofos e abraçáveis. Ela se formou em Jornalismo pela Universidade de Passo Fundo e é “mãe” de duas gatas.