“Essa cena me dói tanto”: Cachorrinha se encolhe no chão frio à espera de uma mão que mude sua vida

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em Cães

Sozinha, machucada e sem forças para reagir, uma cachorrinha preta passou a noite encolhida em uma calçada gelada de São Paulo.

A cachorrinha chamou a atenção de Gabriel Santos Chaves, responsável pelo projeto Casa do Vira-lata, que voltava para casa naquela madrugada de julho de 2021.

Do outro lado da rua, ele avistou a cadela deitada no chão frio. A cena o deixou imediatamente preocupado, já que o termômetro marcava 10ºC.

“Tá muito frio, por que você tá deitada no chão?”, disse ele à cadela.

Mas a cachorrinha quase não reagia.

Gabriel então buscou comida para oferecer. Mesmo assim, ela demonstrava pouco interesse.

“Ela tá gelada. Tá aqui, ó. Come um pouquinho?”

A situação comoveu não apenas Gabriel, mas também milhares de pessoas que acompanharam a história.

“Essa cena dói tanto”, escreveu uma pessoa.
“Que pecado, me corta o coração!”, comentou outra.
“Pra ela não querer comer é porque não está bem. Que bom que a resgatou”, observou outra.

Diante daquele quadro, Gabriel decidiu agir. Ele recolheu a cachorrinha e a levou para dentro de casa.

Foi então que descobriu que o problema era ainda mais grave do que imaginava. Além de estar debilitada pelo frio, ela tinha uma pata quebrada.

Naquela mesma noite, a prioridade era garantir que ela estivesse aquecida e segura.

Em um novo registro, Gabriel mostrou a cachorrinha já acomodada em uma cama confortável, cercada por cobertores.

“Eu tô com essa blusa, tô morrendo de frio. Ela tava deitada no chão”, disse.

Enquanto ajeitava a nova hóspede, continuava conversando com ela.

“Essa noite vai ser quentinha.”

A cadela recebeu água fresca, comida e, principalmente, um lugar protegido para descansar.

Gabriel também aproveitou para fazer uma reflexão sobre a situação dos animais abandonados:

“Rua não é o lugar deles, nunca vai ser o lugar deles.”

Ele destacou que cães e gatos encontrados nas ruas não pertencem àquele ambiente e muitas vezes são vítimas do abandono.

“Eles não são de rua, eles estão na rua.”

A partir daquele momento, começava uma longa jornada de recuperação. A cachorrinha recebeu o nome de Lívia e logo passou por avaliação veterinária. Os exames confirmaram que a lesão na pata exigiria um tratamento complexo.

Lívia passou não por uma, mas por três cirurgias ortopédicas. O tratamento exigiu paciência tanto da equipe quanto da própria cadela.

Durante um longo período, ela precisou utilizar estruturas externas para auxiliar na recuperação do membro lesionado.

Longa espera

O tempo foi passando e os meses viraram anos.

Enquanto muitos cães resgatados encontram rapidamente uma família, Lívia permaneceu aguardando sua oportunidade.

Segundo Gabriel, a condição física dela dificultava uma adoção imediata. Primeiro era necessário garantir que estivesse saudável e pronta para uma nova etapa.

Foram cerca de três anos desde aquela madrugada gelada até que uma notícia especial finalmente chegou.

Em 2024, Gabriel apareceu emocionado para conversar com a companheira de longa data.

“Lívia, hoje é o grande dia.”

Ao recordar a trajetória da cachorrinha, ele relembrou detalhes que jamais esqueceu. Mas a espera finalmente havia chegado ao fim.

“Hoje fazem três anos desse resgate.”

Gabriel então contou à cachorrinha aquilo que ela provavelmente nunca imaginou ouvir.

“Finalmente vai ter um lar. Uma casa. Uma cama. Um sofá.”

O destino reservou uma coincidência bonita para Lívia. A pessoa que decidiu adotá-la não era um desconhecido.

O novo tutor seria Diego, companheiro de Gabriel e alguém com quem a cachorrinha já havia criado uma forte conexão durante os anos de recuperação.

“Lívia vai viver um sonho aqui”, afirmou Gabriel.

Veja ela chegando no novo lar:

De acordo com o PetMD, cães idosos estão entre os animais menos adotados nos abrigos, apesar de terem muito a oferecer.

Muitos já possuem hábitos estabelecidos, costumam ser mais tranquilos e apresentam temperamentos mais previsíveis.

Outro ponto destacado pelos especialistas é que cães mais velhos continuam perfeitamente capazes de aprender novas rotinas, truques e comportamentos.

Além disso, muitos cães idosos já passaram da fase de comportamentos mais intensos típicos da juventude, como destruir objetos ou apresentar níveis muito altos de energia.

Isso faz com que sejam ótimos companheiros para pessoas que levam uma vida mais calma.

Larissa é jornalista e escreve para o Amo Meu Pet desde 2023. Mora no Rio Grande do Sul, tem hobbies intermináveis e acha que todos os animais são fofos e abraçáveis. Ela se formou em Jornalismo pela Universidade de Passo Fundo e é “mãe” de duas gatas.