Jovem descobre vocação de gato amoroso demais: ser pai presente de filhotes órfãos

Resgatado ainda filhote, Pulga desafiou a fama dos gatos machos e fez dos filhotes abandonados sua maior missão

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em Gatos

Quando a tutora de Pulga começou a resgatar filhotes abandonados, imaginou que teria trabalho com mamadeiras, medicamentos e a busca por famílias adotivas.

O que ela não esperava era que um dos gatos da casa assumisse espontaneamente a função de pai. A situação curiosa foi detalhada em um vídeo publicado no Instagram chamado @stthe.fanny.

Sempre que um novo filhote chegava, Pulga era um dos primeiros a se aproximar. Enquanto muita gente acredita que gatos machos costumam manter distância dos bebês, ele parecia determinado a fazer exatamente o contrário. Acompanhava os recém-chegados pela casa, permanecia por perto durante boa parte do dia e demonstrava um interesse que surpreendia até quem convivia com ele diariamente.

Com o passar do tempo, a tutora percebeu que aquilo não era apenas curiosidade. Pulga realmente gostava de cuidar dos filhotes.

Um pai que não podia ter filhos

Pulga chegou à família ainda pequeno e cresceu cercado por outros gatos. Segundo a tutora, ele sempre foi extremamente amoroso, além de ser arteiro, curioso e cheio de energia. Anos depois, quando atingiu a idade adequada, foi castrado, uma decisão importante para evitar a reprodução descontrolada e contribuir para o bem-estar animal.

Na época, ninguém imaginava que aquele gato preto encontraria outra forma de exercer aquilo que parecia ser sua maior vocação.

Sua história também carrega uma mensagem importante. Comprado por apenas cinco reais de uma moradora de rua na região da 25 de Março, em São Paulo, Pulga se tornou um símbolo da adoção de gatos pretos, animais que ainda enfrentam preconceitos e costumam permanecer mais tempo esperando por uma família.

Os resgates revelaram sua vocação

Tudo mudou quando os primeiros filhotes resgatados começaram a chegar à casa. Enquanto algumas gatas adultas pouco se interessavam pelos recém-chegados, Pulga fazia questão de participar da rotina dos bebês.

A tutora costuma brincar que a única coisa que ele não fazia era amamentar. De resto, parecia disposto a assumir todas as funções possíveis. O gato acompanhava os filhotes, permanecia por perto durante as brincadeiras e demonstrava um cuidado que rapidamente chamou a atenção dos seguidores.

O comportamento passou a se repetir com cada novo resgate. Bastava um filhote aparecer para que Pulga surgisse logo atrás, pronto para assumir mais uma vez o papel de padrasto oficial da casa.

O filhote que ficou

Mas havia uma parte difícil nessa história. Quando os primeiros filhotes encontraram famílias definitivas, a tutora percebeu uma mudança no comportamento de Pulga. O gato parecia menos animado e já não demonstrava a mesma energia de antes.

Foi nesse período que chegou um novo resgate, um filhote que ela costumava chamar carinhosamente de "mini divo". Desde o primeiro momento, os dois criaram uma ligação especial. Pulga passou a acompanhar o pequeno por todos os lados e a relação se tornou tão forte que a família acabou tomando uma decisão definitiva.

O filhote ficou.

Pela primeira vez, Pulga não precisaria se despedir de uma das crianças que havia ajudado a criar.

O que a ciência diz sobre gatos machos e filhotes?

Embora os cuidados com os filhotes sejam normalmente associados às fêmeas, pesquisadores já observaram que gatos domésticos podem formar relações sociais muito mais complexas do que se imaginava. Estudos indicam que fatores como personalidade, socialização precoce e convivência com outros gatos influenciam diretamente esses vínculos.

Os cuidados paternos diretos continuam sendo considerados incomuns, mas especialistas afirmam que alguns machos desenvolvem relações bastante próximas com filhotes que fazem parte do seu grupo social. Em ambientes estáveis, eles podem demonstrar tolerância, proteção e até comportamentos de cuidado, especialmente quando convivem constantemente com outros gatos.

Hoje, enquanto a casa abriga uma nova ninhada resgatada, Pulga continua repetindo o comportamento que o tornou conhecido. Basta um filhote começar a andar para que ele apareça por perto, observando cada movimento e tentando se aproximar.

Talvez ele nunca entenda que aqueles bebês não são seus.

Ou talvez isso simplesmente não importe.

Porque, para Pulga, ser pai parece ter muito menos relação com biologia do que com presença. E, se depender dele, sempre haverá espaço para mais um filhote em sua família.

Jornalista formada pela Universidade de Passo Fundo, apaixonada pela comunicação e pela arte de contar histórias. Escolheu o jornalismo justamente por acreditar no poder da informação e na importância de dar voz às pessoas e aos acontecimentos que marcam a comunidade.

Curiosa por natureza e movida pelo compromisso com a verdade, busca transformar fatos em narrativas claras, humanas e relevantes.

Acredita que comunicar vai muito além de informar: é conectar realidades, aproximar pessoas e registrar momentos que fazem parte da história de uma comunidade.