Mãe e filha encontram pequena “mancha rosa” no chão e descobrem linda ave: “Foi um presente da natureza”
Por Larissa Soares em Proteção AnimalMithoo nem tinha penas quando foi encontrada caída no jardim de uma casa em Dubai.
Recém-nascida, vulnerável e longe do ninho, a filhote de ring neck parecia ter poucas chances de sobreviver sozinha.
Mas a ave acabou encontrando ajuda nas mãos de uma jovem apaixonada pela causa animal, que decidiu fazer tudo o que estivesse ao seu alcance para dar a ela uma segunda chance.
A história aconteceu com Alaiqa Malik, ativista animal que segue os passos da mãe, Ruksher Malik, também conhecida pelo trabalho de proteção aos animais.
Segundo Alaiqa, tudo começou quando os cães da família ficaram agitados no jardim.
“Nós vimos os cachorros enlouquecendo. Minha mãe conseguiu intervir”, contou ao GeoBeats.
Ao verificar o que havia chamado a atenção dos cães, elas encontraram uma ave recém-nascida caída no chão.
“Ela deve ter caído em algum momento. Eu realmente não sabia se ela sobreviveria”, relembrou.
Enquanto observava a filhote, Alaiqa percebeu que os pais ainda estavam por perto.
“Eu não sabia o que fazer, então comecei a pesquisar. Li muito sobre como cuidar de um filhote de papagaio.”
A partir daquele momento, a jovem mergulhou em estudos sobre alimentação, crescimento, desenvolvimento e necessidades específicas de aves recém-nascidas.
Ela descobriu que, sempre que possível, os filhotes devem permanecer visíveis para os pais. Por isso, improvisou um pequeno espaço seguro em uma árvore do jardim.
“Fiz um pequeno ninho para ela em uma de nossas árvores, em uma espécie de cestinha de flores com papel-toalha e folhas.”
A ideia era oferecer proteção sem afastar completamente a ave da presença dos pais.
Uma rotina de aprendizado
Os dias seguintes foram marcados por uma rotina intensa.
Alaiqa alimentava a filhote regularmente e continuava pesquisando para garantir que cada etapa do desenvolvimento acontecesse da forma mais adequada possível.
“Eu tive que continuar aprendendo todos os dias.”
Ela também fazia questão de alimentar a pequena do lado de fora da casa.
“Todos os dias os pais vinham me observar enquanto eu a alimentava.”
Com o passar das semanas, Mithoo começou a crescer. As penas apareceram aos poucos, os olhos se abriram e a ave passou a demonstrar cada vez mais energia.
Em determinado momento, porém, surgiu um contratempo. Alaiqa acredita que ofereceu frutas cedo demais para a filhote, o que acabou provocando um desconforto digestivo.
“Ela ficou com dor de barriga e não queria comer.”
Com acompanhamento veterinário e ajustes na alimentação, Mithoo voltou a se desenvolver normalmente.
A cada semana, mãe e filha comemoravam cada nova conquista.
Uma mãe de outra espécie
Ao longo do processo, a ligação entre a família e a ave ficou cada vez mais forte.
A própria Alaiqa brincava dizendo que sua mãe havia assumido um papel muito especial.
“Minha mãe era a mãe dela.”
Em outro momento, completou com uma frase que resume bem a experiência.
“As mães não precisam ser sempre da mesma espécie.”
Enquanto crescia, Mithoo demonstrava comportamentos típicos de um filhote saudável.
Ela balançava as asas quando estava satisfeita, explorava novos ambientes e passava cada vez mais tempo observando o mundo ao redor.
Mas havia um desafio importante pela frente. Quando chegou a idade em que deveria começar a voar, algo não aconteceu como o esperado.
“Percebemos que ela não sabia voar.”
A escola de voo
Foi então que Ruksher decidiu assumir uma nova missão. Ela transformou um cômodo da casa em uma espécie de escola de voo.
“Minha mãe a levou para um quarto fechado e basicamente lhe deu aulas de voo.”
As sessões aconteciam diariamente. Com paciência, incentivo e repetição, a filhote era estimulada a bater as asas e ganhar confiança.
No início, Mithoo preferia permanecer pousada nos ombros ou nas mãos das cuidadoras. Mas, aos poucos, começou a se aventurar.
Chegou a hora da despedida
Desde o início, Alaiqa tinha um objetivo muito claro. Ela não queria transformar Mithoo em uma ave doméstica.
Seu desejo era que a filhote pudesse retornar à natureza quando estivesse preparada.
“Eu não acredito em manter um pássaro preso em uma gaiola.”
Por isso, cada etapa do resgate foi planejada para aumentar as chances de independência da ave.
“Para mim, o mais importante era que ela fosse libertada.”
O veterinário responsável explicou que ela provavelmente estaria pronta para viver sozinha entre oito e dez semanas.
E esse momento finalmente chegou.
“Literalmente foi isso. Triste, mas feliz por ela estar livre.”
Sobre a espécie
Mithoo pertence à espécie popularmente conhecida como ring neck ou periquito-de-colar.
Segundo informações da Cobasi, trata-se de uma das aves mais conhecidas entre os criadores de psitacídeos.
A espécie costuma medir cerca de 40 centímetros de comprimento, incluindo a longa cauda, e apresenta uma aparência elegante, marcada pelo bico curvo e pela plumagem vibrante.
O nome ring neck vem justamente de uma característica bastante conhecida dos machos adultos.
Ao atingirem a maturidade, desenvolvem uma faixa escura ao redor do pescoço que lembra um colar.
Por serem aves leves e aerodinâmicas, também possuem grande habilidade de voo, algo essencial para a sobrevivência.
Personalidade
Além da aparência marcante, esses periquitos são conhecidos pela inteligência.
De acordo com a Cobasi, são aves sociais, ativas e capazes de reproduzir sons e até palavras quando convivem com humanos.
Na natureza, utilizam vocalizações para se comunicar e reconhecer integrantes do grupo.
Outra característica importante é a necessidade de interação. A espécie costuma se beneficiar de ambientes enriquecidos, estímulos frequentes e oportunidades para explorar o ambiente.
Larissa é jornalista e escreve para o Amo Meu Pet desde 2023. Mora no Rio Grande do Sul, tem hobbies intermináveis e acha que todos os animais são fofos e abraçáveis. Ela se formou em Jornalismo pela Universidade de Passo Fundo e é “mãe” de duas gatas.
