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'Elas pensam que são gatos também': Shih Ttzus que convivem com gatos imitam comportamentos felinos e atraem a atenção nas redes

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em Comportamento

Conviver diariamente com cerca de trinta gatos parece ter afetado as três cadelas de um sítio em Tubarão, Santa Catarina.

Luna, a vira-lata, precisa enfrentar batalhas contra grandes felinos que ocupam sua caminha.

Mas as outras duas Shih Tzus parecem não se preocupar tanto com isso, já que elas usam as camas aéreas, os móveis altos e até as janelas para relaxar.

“A convivência com os gatos teve efeitos colaterais nas minhas Shih Tzus”, brinca a tutora dos animais, que administra o perfil Patinhas de Miau.

Em um vídeo publicado no Instagram, é possível notar diversos comportamentos felinos nas cadelas.

Uma delas aparece caminhando tranquilamente pelas prateleiras instaladas na parede para que os gatos possam escalar.

Em outra cena, ela descansa sobre um móvel alto, um local escolhido por muitos felinos justamente por oferecer uma visão privilegiada do ambiente.

Também há registros das cachorrinhas acomodadas na janela, utilizando brinquedos destinados aos gatos, lambendo os companheiros felinos e até utilizando a caixa de areia.

"Em escala de zero a dez, quanto vocês acham que elas pensam que são gatos?”, brincou a tutora na legenda. “Como eu conto pra elas a verdade?"

Os seguidores caíram na gargalhada.

"Se identifica como gato, deixe ela", brincou uma pessoa.
"Pelo menos ela é funcional e higiênica", defendeu outra.

Outra, ainda, contou que vive algo parecido em casa:

"Minha caramelo é assim, chega a dar dó ela querendo fazer coisas de gatos e não conseguir."

Embora a situação pareça apenas engraçada, existe uma razão comportamental por trás desse tipo de convivência entre espécies diferentes.

Cães podem aprender observando outros animais

O comportamentalista Alexandre Rossi, conhecido como Dr. Pet, já falou sobre esse assunto durante sua participação no podcast É Nóia Minha?, apresentado por Camila Fremder.

Na ocasião, a apresentadora perguntou se sua cadela, Mabel, acreditava ser um gato, já que ela havia convivido com felinos desde filhote e costumava subir em móveis e dormir sobre o braço do sofá, comportamentos frequentemente associados aos gatos.

Segundo Alexandre Rossi, isso pode acontecer principalmente durante um período conhecido como socialização primária, fase em que filhotes aprendem como interagir com o mundo e formam boa parte de suas referências sociais.

O especialista explica que, durante essa etapa, animais podem desenvolver uma forte identificação com a espécie ao lado da qual crescem.

Isso não significa que deixem de reconhecer cães ou gatos como diferentes, mas passam a considerar aquele grupo como sua principal referência social.

Ele lembra que esse fenômeno acontece também na relação entre cães e humanos.

Filhotes criados desde muito cedo dentro de casa costumam estabelecer vínculos tão fortes com as pessoas que muitas vezes preferem a companhia delas à de outros cães.

Em alguns casos, sentem-se completamente confortáveis quando estão com a família humana e apresentam ansiedade quando ficam apenas com outros cães.

Alexandre Rossi também cita exemplos de cães criados para proteger rebanhos de ovelhas.

Nesses casos, o manejo é feito justamente para que eles convivam desde cedo com as ovelhas e passem a enxergar aquele grupo como sua família.

Assim, permanecem junto ao rebanho mesmo quando não há pessoas por perto.

No caso das Shih Tzus, a convivência diária com dezenas de gatos pode ter favorecido esse processo de identificação.

Ele também ressalta que alguns cães possuem habilidades naturais de equilíbrio e exploração que facilitam esse tipo de comportamento.

Ou seja, nem toda atitude semelhante à de um gato significa necessariamente que o cachorro acredita ser um felino, mas a convivência pode ampliar bastante essas características.

A aprendizagem por observação faz parte da natureza dos cães

Esse processo também é explicado pela Holiday Barn, instituição especializada em treinamento animal.

Segundo a organização, filhotes começam a aprender observando a própria mãe desde os primeiros dias de vida. As reações da cadela diante de pessoas, sons, objetos e situações servem como modelo para o desenvolvimento dos filhotes.

Por volta das cinco semanas de idade, entra em cena um comportamento conhecido como alelomimetismo, também chamado de aprendizagem social.

Trata-se da tendência natural de animais sociais imitarem indivíduos ao redor como forma de adquirir novas habilidades e compreender melhor o ambiente.

Esse tipo de aprendizagem continua durante toda a vida. Filhotes que convivem com cães adultos costumam aprender mais rapidamente comandos básicos, hábitos de higiene, formas de brincar e maneiras adequadas de interagir apenas observando o comportamento dos companheiros.

A Holiday Barn cita exemplos bastante comuns. Um filhote pode aprender a fazer suas necessidades no local correto seguindo um cão mais experiente. Outro pode descobrir como subir escadas observando um cachorro adulto realizar a tarefa repetidas vezes.

Segundo a instituição, esse mecanismo não se limita apenas à mesma espécie. Os cães também aprendem observando seres humanos e podem reproduzir ações, emoções e até atitudes demonstradas pelas pessoas com quem convivem diariamen

Larissa é jornalista e escreve para o Amo Meu Pet desde 2023. Mora no Rio Grande do Sul, tem hobbies intermináveis e acha que todos os animais são fofos e abraçáveis. Ela se formou em Jornalismo pela Universidade de Passo Fundo e é “mãe” de duas gatas.