Cachorrinha dachshund dá de cara com filhote órfão e imediatamente o trata como seu bebezinho
Por Beatriz Menezes em Aqueça o coração
Uma cadela da raça dachshund acolheu um leitão órfão após o filhote ser resgatado em condições de abandono na Carolina do Norte.
O caso incomum chamou a atenção dos protetores que acolheram o filhote devido à rapidez com que a cadela adotou o porquinho, assumindo uma postura de cuidado e proteção típica de uma mãe com sua ninhada.
O filhote de porco, posteriormente batizado de Randolph, foi encontrado por funcionários de um motel Super 8 na cidade de Durham.
O animal estava completamente sozinho na varanda externa do segundo andar do estabelecimento comercial, exposto ao frio severo daquela região em dezembro de 2025.
Diante da situação de risco evidente, a gerência do hotel entrou em contato com Alešja Daehnrich, fundadora do Santuário Animal Blind Spot, uma organização especializada no resgate e reabilitação de espécies domésticas e de fazenda.
A equipe de resgate deslocou-se imediatamente até o endereço para recolher o leitão, constatando a extrema fragilidade do animal devido ao seu tamanho reduzido e à completa falta de suporte materno.
Por necessitar de atenção constante e alimentação assistida, Randolph foi levado diretamente para o interior da residência de Alešja, local onde os primeiros cuidados emergenciais, incluindo banhos aquecidos e estabilização térmica, foram realizados com sucesso pela equipe do santuário.
A introdução do porquinho ao novo ambiente doméstico desencadeou uma reação imediata em Nellie, uma cadela vira-lata com forte mistura de Dachshund que também havia sido resgatada anteriormente pela família.
Ao perceber a presença do leitão, Nellie demonstrou sinais visíveis de inquietação e começou a emitir sons característicos de busca por proximidade, fazendo todo o esforço possível para ultrapassar as barreiras físicas do cercado que os separavam no cômodo.
A tutora relatou ao portal The Dodo que a cadela demonstrou um comportamento de alta insistência para se manter perto do novo morador.
Diante dos sinais emitidos pela cadela, os responsáveis pelo santuário iniciaram um processo de aproximação gradativa e rigorosamente monitorada, uma vez que as diretrizes técnicas apontam que o convívio direto entre cães e suínos exige vigilância constante devido às diferenças marcantes no comportamento natural de cada espécie.
O porquinho foi confiando em Nellie pouco a pouco
Durante os primeiros contatos visuais e olfativos, Randolph demonstrou um receio com a aproximação da cadela.
No entanto, o comportamento dócil e persistente de Nellie fez com que o leitão mudasse de postura ao reconhecer o ambiente seguro oferecido pela presença canina.
A cadela passou a lamber o porquinho, a deitar-se ao lado dele e a supervisionar todos os seus movimentos no espaço de convivência diária.
A transição para o convívio integral consolidou uma relação de dependência mútua entre os animais, suprindo a necessidade de acolhimento do leitão órfão e o impulso natural de cuidado da cadela.
A gerência do santuário ressaltou que nunca tinha visto um caso assim entre animais de espécies diferentes.
“Estamos no ramo de resgate de animais há 18 anos e nunca vimos um cachorro tão protetor com um leitão quanto a Nellie", ressaltou Alešja.
O desfecho do resgate garantiu a Randolph a permanência definitiva em um abrigo estruturado para o seu desenvolvimento pleno, livre da exposição a intempéries climáticas e abandono.
A história ganhou repercussão internacional após ser documentada pela produtora do The Dodo, Rebecca.
O vídeo publicado no Youtube em 2 de julho conta com 263 mil visualizações, 8,2 mil curtidas e 277 comentários.
“O jeito como a Nelly ficou perto dele, tipo, ‘Não se preocupe, eu estou aqui com você’, derreteu meu coração completamente”.
“O relacionamento deles é tão bonito”.
“Os cães são incríveis. Deixa eu reformular: os animais são incríveis.”
Confira abaixo como Randolph se sente em casa junto com Nellie:
De acordo com informações do CRMV-SP, o instinto materno permite que animais de estimação e até selvagens cuidem de crias órfãs.
A médica veterinária Ana Lúcia Geraldi explica que o fenômeno é mesmo parte do instinto materno.
“Muitas fêmeas têm esse instinto super apurado e acabam produzindo leite”.
Mas segundo ela, para aceitar a cria de outra fêmea, a ama de leite precisa ser bastante dócil.
“Algumas são verdadeiras mãezonas. Outras não aceitam a adoção com facilidade”.
Quando há recusa, ela vem sempre da mãe adotiva e nunca dos filhotes, que se adaptam com facilidade.
Embora a intervenção e a crueldade humana sejam as maiores responsáveis pela separação da fêmea e seus filhotes, alguns fatores naturais contribuem para que a mãe rejeite sua prole.









