'O temido dia chegou': Prédio fica sem luz e jovem é obrigada a subir 19 andares com sua golden retriever nas costas
Por Larissa Soares em Cães
Tati sabia que subir até o 19º andar do prédio não seria a parte mais difícil daquele fim de tarde. Ex-atleta, maratonista e acostumada a uma rotina de exercícios, ela tinha preparo físico para enfrentar os lances de escada. O desafio era outro.
Com o prédio sem energia elétrica após um forte temporal no Rio de Janeiro, ela precisava levar Hope, sua golden retriever de assistência de 27 quilos, até o apartamento sem que a cadela precisasse subir todos aqueles degraus.
Hope convive com displasia de quadril e, apesar de ainda correr, passear e manter uma rotina ativa ao lado da tutora, esforços excessivos podem agravar a condição.
Foi por isso que Tati colocou a companheira nas costas e iniciou uma longa caminhada escada acima, registrando o momento que, segundo ela, representava exatamente o motivo pelo qual nunca deixou de treinar.
Ainda nos primeiros andares, respirando fundo entre uma pausa e outra, ela conversou com a cachorra, que permanecia completamente tranquila durante todo o percurso.
"O temido dia chegou. Aí, Hope, seis andares já foram. Vambora. Faltam só 13."
Pouco depois, ela voltou a falar enquanto seguia subindo.
"Aí, você treina pra quê? Você treina pra isso aqui. Dar a vida de princesa pra essa neném aqui. Tá sem luz no prédio por causa do temporal."
Mesmo cansada, Tati continuou carregando Hope sem cogitar outra alternativa. Para ela, preservar a saúde da cadela sempre foi prioridade.
"Sabe o que é isso? Uma cachorra que tem displasia. E que a gente luta pra dar uma boa qualidade de vida pelo maior tempo possível. Uma cachorra que literalmente salvou a minha vida. E esse é o mínimo que eu posso fazer por ela."
A publicação recebeu milhares de comentários. Muitos internautas se divertiram com a tranquilidade de Hope durante toda a subida.
"A carinha dela de mó paz", escreveu uma pessoa.
Muitos outros elogiaram a dedicação da tutora:
"Você é um ser humano da melhor qualidade. Você entendeu tudo."
Algumas pessoas também comentaram que esperariam a energia voltar antes de subir. Tati explicou que até considerou essa possibilidade, mas desistiu ao perceber que o temporal estava ficando cada vez mais forte.
Apesar do esforço, Tati afirma que tudo vale a pena, já que Hope transformou sua vida desde que passou a atuar como cão de assistência.
"Juntas, formamos uma dupla que se apoia em todas as aventuras da vida, desde os momentos mais desafiadores até os mais felizes", escreveu. "Ela não é apenas um cão. Ela é meu suporte diário e um exemplo incrível de como os cães podem transformar vidas.”
O que é a displasia de quadril?
A displasia coxofemoral, conhecida popularmente como displasia de quadril, é uma condição comum em cães de grande porte.
Segundo a médica veterinária Dra. Tiffany Tupler, em artigo publicado pelo PetMD, a doença se desenvolve durante o crescimento do animal e ocorre quando a articulação do quadril não se encaixa de forma adequada.
Isso faz com que a articulação fique mais frouxa do que o normal e, com o passar do tempo, favoreça o desgaste da cartilagem.
Embora alguns cães convivam durante anos sem demonstrar sinais, a evolução da doença pode provocar artrite, dor, perda de massa muscular e limitação dos movimentos.
Entre os sintomas mais comuns estão:
- Mancar sem histórico de trauma
- Dificuldade para levantar, subir escadas, entrar no carro ou pular em móveis
- Sentar em posições anormais
A especialista destaca que a doença pode atingir cães de qualquer porte, mas é muito mais frequente em raças grandes e gigantes. Golden retrievers, labradores e pastores alemães aparecem entre os animais com maior predisposição genética para desenvolver a condição.
Tratamento
O tratamento depende da idade do animal, do grau da doença e do nível de dor apresentado.
Em muitos casos, veterinários adotam uma abordagem combinando medicamentos, controle do peso corporal, fisioterapia e exercícios de baixo impacto para preservar a musculatura e reduzir o desconforto.
Em situações mais avançadas, procedimentos cirúrgicos também podem ser indicados. Entre eles estão a substituição total do quadril e outras técnicas ortopédicas que buscam melhorar a mobilidade e proporcionar mais conforto ao animal.
A Dra. Tiffany Tupler ressalta ainda que manter o peso ideal é um dos fatores mais importantes para cães com displasia.
O excesso de peso aumenta a sobrecarga nas articulações e acelera o processo degenerativo, enquanto uma rotina de acompanhamento veterinário permite ajustar o tratamento conforme a evolução da doença.
Larissa é jornalista e escreve para o Amo Meu Pet desde 2023. Mora no Rio Grande do Sul, tem hobbies intermináveis e acha que todos os animais são fofos e abraçáveis. Ela se formou em Jornalismo pela Universidade de Passo Fundo e é “mãe” de duas gatas.








