Cachorrinho que viu todos seus 15 ‘irmãozinhos’ serem adotados não entende por que ele foi o único a sobrar

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Um filhote chamado Justin Bieber chegou ao Instituto Eliseu em maio, depois de um grande resgate realizado em um bairro periférico de Santos, no litoral de São Paulo.

Cercado por irmãos de ninhada e outros filhotes resgatados nas semanas seguintes, ele cresceu em meio a corridas, brincadeiras e muito barulho.

Com o passar dos dias, 15 filhotes foram adotados. Justin, no entanto, sobrou.

A ‘creche’ no Instituto Eliseu

Justin foi resgatado quando tinha pouco mais de um mês de vida. Ele fazia parte de um grupo de 11 cães resgatados em uma comunidade onde diversas famílias convivem com dificuldades financeiras e com um número elevado de animais sem controle reprodutivo.

Entre aqueles onze filhotes resgatados estava Justin e mais quatro irmãos da mesma ninhada.

Os cinco receberam nomes inspirados em artistas da música pop, uma tradição divertida dos abrigos de usar temas para identificar os integrantes de uma mesma ninhada.

Pouco tempo depois, o abrigo recebeu mais um desafio: outros nove filhotes foram encontrados abandonados dentro de uma caixa de papelão.

Em poucas semanas, o espaço destinado aos cães jovens transformou-se em uma creche. Havia brincadeiras o dia inteiro, disputas por brinquedos, corridas pelo recinto e muito movimento.

Todos cresceram juntos, formando um grupo de dezesseis cães que dividiam o mesmo ambiente.

Quando os filhotes atingiram idade suficiente para serem adotados, o instituto começou a levá-los para feiras de adoção organizadas na cidade.

A estratégia deu resultado. Pouco a pouco, cada um dos filhotes foram adotados. Até que restou apenas Justin.

Recentemente, o Instituto Eliseu decidiu fazer um apelo para ajudá-lo a encontrar uma família, depois de perceber que ele já não tinha mais os companheiros de todos os dias.

“De repente, ele olhou pro lado e não tinha mais ninguém. Deve ser realmente muito triste ver todos seus irmãos sendo adotados e você sobrar”, lamenta o Instituto.

Segundo os responsáveis pelo abrigo, essa situação acontece com frequência. Em praticamente todas as ninhadas resgatadas existe um cão que acaba demorando mais para encontrar uma família.

Desta vez, porém, havia um detalhe que tornou a situação ainda mais marcante. Como eram muitos filhotes convivendo juntos desde muito pequenos, Justin estava acostumado à movimentação.

De uma hora para outra, aquele ambiente cheio de brincadeiras deu lugar ao silêncio de um espaço ocupado apenas por ele.

Além disso, Justin já participou de duas feiras de adoção sem despertar o interesse de nenhuma família.

Na publicação, muitos internautas disseram estar torcendo para que Justin também encontrasse uma família.

Outros afirmaram já ter entrado em contato com o setor de adoção da instituição e informado que haviam preenchido a ficha para iniciar o processo.

Enquanto aguarda uma definição, Justin continua recebendo todos os cuidados necessários dentro do abrigo.

O problema da superpopulação

Na época do resgate dos 11 cachorrinhos, a protetora Leila, do Instituto Eliseu, fez um desabafo sobre a realidade encontrada.

Segundo ela, o cenário era composto por cadelas parindo sucessivamente, tutores sem condições de manter tantos animais e uma situação que poderia ser evitada por meio de programas permanentes de castração.

Ela ressaltou que, sem políticas públicas eficientes de controle populacional, organizações independentes acabam assumindo uma responsabilidade que deveria ser compartilhada pelo poder público.

Também alertou que o crescimento contínuo da população de cães e gatos torna cada vez mais difícil atender todos os pedidos de ajuda.

Aquele grupo de onze filhotes poderia ter se transformado rapidamente em dezenas de novos animais vivendo nas ruas caso as fêmeas adultas não fossem atendidas.

Por isso, enquanto os filhotes foram encaminhados para receber cuidados, as cadelas adultas passaram a ser acompanhadas e, depois que interromperam a amamentação, todas foram castradas para evitar novas ninhadas.

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Larissa é jornalista e escreve para o Amo Meu Pet desde 2023. Mora no Rio Grande do Sul, tem hobbies intermináveis e acha que todos os animais são fofos e abraçáveis. Ela se formou em Jornalismo pela Universidade de Passo Fundo e é “mãe” de duas gatas.