Mulher avista 'anjo' branco flutuando entre gansos — e então percebe que ele não pertence àquele lugar

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em Proteção Animal

Uma ave de penas brancas foi vista tentando se enturmar em um grupo de gansos-do-Canadá, em uma reserva natural de Michigan, nos Estados Unidos.

O problema é que, ao contrário das aves que escolheram o local para viver, aquele era um pato doméstico que havia sido abandonado e tentava encontrar companhia entre os animais selvagens.

A presença do pato branco chamou a atenção de Brenna, naturalista de Crosswinds Marsh, uma reserva localizada no condado de Wayne.

Acostumada a observar a fauna da região, ela percebeu que havia algo diferente entre os gansos que circulavam pelo pântano.

Em meio às aves selvagens estava um pato-de-Pequim, facilmente reconhecido pela plumagem branca, pelo bico alaranjado e pelo porte robusto.

Brenna entrou em contato com o Michigan Duck Rescue and Sanctuary, organização especializada no resgate de patos, e relatou a situação a Matthew Lyson.

Como ele era a única pessoa disponível naquele momento, percorreu quase uma hora até a reserva para tentar retirar a ave do local e levá-la para um ambiente seguro.

Quando chegou, Matthew foi acompanhado por dois funcionários da manutenção até o ponto onde Angel, como foi chamado o pato, costumava ficar.

Aquela situação deixou o responsável pelo santuário tocado:

“Era, na verdade, uma cena triste sob certo aspecto: ver o Angel — um animal doméstico que havia sido abandonado — tentando fazer amizade com qualquer ser selvagem que o aceitasse”, escreveu em uma publicação.

O resgate

O resgate, porém, não seria tão simples. Angel não demonstrava interesse pela comida oferecida, o que dificultava uma das estratégias mais utilizadas para atrair animais domésticos abandonados.

Matthew passou cerca de 15 minutos observando os movimentos do pato e tentando descobrir qual seria a melhor maneira de se aproximar.

Um dos funcionários sugeriu que ele aguardasse um pouco, já que Angel provavelmente sairia da água em algum momento.

Depois de quase uma hora de viagem até a reserva, Matthew decidiu esperar. Pouco depois, os gansos desapareceram entre os juncos e, em seguida, o pato também sumiu de vista.

A movimentação acabou levando o grupo para uma área aberta do outro lado da vegetação. Matthew conseguiu deslocar o carro até uma estrada próxima, mas ainda precisaria caminhar algumas centenas de metros para chegar perto do bando.

Quando encontrou Angel novamente, o pato estava junto dos mesmos gansos que vinha acompanhando.

Captura difícil

A aproximação provocou uma nova fuga. Os gansos-do-Canadá perceberam a presença do homem e levantaram voo, percorrendo uma grande distância.

Angel também tentou acompanhá-los, mas não conseguiu decolar. Os patos-de-Pequim têm capacidade de voo limitada em comparação com outras aves aquáticas, principalmente por causa de seu corpo grande e pesado.

Mesmo sem conseguir simplesmente sair voando com os companheiros, Angel começou a correr, o que também dificultava a captura.

Matthew explicou que não teria condições de acompanhar o pato em uma perseguição prolongada devido às próprias limitações físicas.

Foi então que três mulheres que estavam deixando o parque apareceram no caminho. Matthew pediu que elas se aproximassem e se espalhassem para ajudar a distrair Angel.

As visitantes entenderam que algum tipo de resgate estava acontecendo e aceitaram participar da operação.

A estratégia funcionou. Com o pato mais distraído pela movimentação das mulheres, Matthew conseguiu chegar perto o suficiente para lançar a rede sobre ele.

Triste realidade dos patos abandonados

Um dos funcionários da manutenção contou ainda que dois patos-de-Pequim brancos haviam sido vistos juntos cerca de uma semana antes.

Alguns dias depois, porém, apenas Angel continuava no local. O outro pato havia sido encontrado morto, aparentemente vítima de um predador aéreo.

Sem o companheiro, Angel tentou acompanhar os gansos que frequentavam a região.

No Michigan Duck Rescue and Sanctuary, a equipe costuma destacar que o abandono de aves domésticas em parques, lagos e áreas naturais coloca esses animais em risco.

Embora um pato doméstico consiga nadar e encontrar determinados alimentos por conta própria, isso não significa que esteja preparado para viver sem os cuidados humanos aos quais foi acostumado.

“São criaturas vivas e sencientes que, tenho certeza, possuem alma de anjo. Elas sentem a dor da fome e de ferimentos exatamente como nós; a única diferença é que dependem de nós para cuidar delas”, escreveu.

Final feliz para Angel

Depois de ser capturado, o pato pareceu perceber que estava finalmente em um lugar seguro.

“Enquanto eu o carregava nos braços de volta para o carro, ele literalmente relaxou completamente contra o meu corpo, sentindo o alívio de saber que suas chances de sobrevivência haviam acabado de aumentar mil vezes mais”, relatou.

O estado físico do pato revelava há quanto tempo ele estava enfrentando dificuldades para sobreviver sozinho. Angel estava muito desnutrido mas, assim que recebeu acesso a comida em um ambiente protegido, comeu com vontade.

O pato mais popular dos EUA

O pato-de-Pequim é, geralmente, a primeira imagem que vem à cabeça quando se pensa em um pato. Trata-se de uma raça doméstica de grande porte, plumagem branca e patas e bico alaranjados.

Segundo informações do Cosley Zoo, os animais dessa raça estão entre os patos domésticos mais populares nos Estados Unidos e foram levados da China para o país durante o século XIX.

Veja algumas curiosidades:

  • Um dos personagens de animação mais conhecidos dessa raça é o Pato Donald.
  • Apesar de muitos patos serem excelentes voadores, o corpo do pato-de-Pequim é pesado e faz com que a raça tenha dificuldade para voar. Por isso, uma cerca relativamente baixa pode ser suficiente para mantê-los em segurança.
  • A espécie possui algumas características que ajudam os patos a permanecerem na água. O corpo conta com bolsas de ar que aumentam a flutuabilidade, enquanto as penas conseguem reter ar entre si e são cobertas por uma substância que ajuda a mantê-las impermeáveis. As patas palmadas também facilitam a movimentação na água.

Larissa é jornalista e escreve para o Amo Meu Pet desde 2023. Mora no Rio Grande do Sul, tem hobbies intermináveis e acha que todos os animais são fofos e abraçáveis. Ela se formou em Jornalismo pela Universidade de Passo Fundo e é “mãe” de duas gatas.