“Só queriam ele para guarda”: Cão chamado ‘Coragem’ é devolvido 4 vezes por ser muito medroso e história comove
Por Beatriz Menezes em Aqueça o coraçãoUm cachorro sem raça definida, batizado de Coragem, foi adotado no dia 16 de junho após registrar quatro devoluções consecutivas em uma organização não governamental de proteção animal.
O animal apresentava histórico de agressões físicas e privação de alimento por parte de seu primeiro responsável, fatores que desencadearam comportamentos de medo e crises de ansiedade.
No novo endereço, a convivência com felinos e outros caninos tem auxiliado na ambientação e na estabilização emocional do cão.
A tutora Carolina Souza compareceu à entidade com a intenção de acolher o animal com menores chances estatísticas de adoção.
Segundo ela, “as pessoas se interessaram por ele ser grande, queriam apenas para servir de guarda, mas quando viram que ele era medroso devolviam”.
Cada retorno ao abrigo agravava o quadro de insegurança e retraimento diante de novos ambientes e estímulos humanos.
Durante as primeiras vinte e quatro horas na nova residência, o cão permaneceu deitado no piso, com a cabeça baixa e a coleira posta, sem demonstrar interesse pela caminha disponibilizada.
De acordo com a tutora, na primeira noite dele aqui na nova casa, ele estava ansioso, triste e sem entender que agora estava seguro.
Diante da situação, os felinos da casa mudaram o hábito de repousar em seus próprios espaços e se posicionaram ao lado do recém-chegado.
Carolina detalhou a reação dos animais residentes ao relatar que os gatos passaram a noite inteira deitados ao lado dele no chão. A proximidade corporal possibilitou o relaxamento do cão logo nas primeiras horas no imóvel.
“Ele só conseguiu dormir e se acalmar com a presença dos gatos do lado dele. Eles não saíram de perto dele em nenhum minuto”, complementou a moradora.
No segundo dia de convivência, os registros indicaram avanços na adaptação. O cão passou a aceitar alimentos diretamente das mãos da tutora, movimentou a cauda em resposta a estímulos positivos e iniciou interações sociais com os demais cães da residência.
Em momentos pontuais de tensão, os gatos repetiram a conduta de aproximação, encostando a cabeça e permanecendo ao redor do cachorro.
A residência atual abriga outros trinta animais, divididos igualmente entre quinze felinos e quinze caninos.
Sobre a convivência coletiva, a tutora destacou que o animal está super apegado a todos, só consegue dormir com os outros do lado.
O histórico prévio incluía períodos em que o animal ficava amarrado sob chuva e passava dias sem água ou alimento, sendo agredido ao tentar revirar o lixo para se alimentar.
O primeiro vídeo conta com 3,6 milhões de visualizações, 526 mil curtidas e 5.677 comentários.
“Sem palavras, todo amor do mundo em volta de vocês”.
“Que apareçam mais pessoas como vcs. Adoção é entender os traumas e desafios e ser retribuído com o maior amor do mundo”.
“Graças a Deus você entrou na vida dele”.
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Assista abaixo:
A tutora informou que continuará compartilhando registros para documentar a evolução clínica e comportamental do cão no ambiente doméstico.
Após 72 horas ele já apresentou uma melhora na confiança apesar de estar parecer um pouco ansioso. O importante é que ele tem muitos amigos caninos e felinos para ajudar ele nessa jornada de cura.
Confira outro vídeo:
No perfil de Carolina há um destaque com vídeos mais recentes do dia a dia do cão. Recentemente ele começou a acordar alegre e balançando o rabo.
Comportamentos de medo e retração como os apresentados pelo cão Coragem são reflexos frequentes de traumas e de sucessivas rupturas de vínculo. Segundo a Dra. Kelly Ballantyne da Pet MD, "cães e gatos podem tentar escapar ou fugir de situações em que estão assustados, podem se tornar agressivos quando interagem com alguém ou se são forçados a sair de um esconderijo, podem congelar ou apresentar comportamentos de evitação".
O histórico de agressões e o abandono repetido intensificam a insegurança, fazendo com que o animal permaneça em constante estado de alerta no novo ambiente.
A recuperação de animais traumatizados exige tempo, respeito ao espaço do animal e intervenções graduais de dessensibilização.
A presença calma de outros animais e a oferta voluntária de recompensas auxiliam na formação de novas associações de segurança, embora especialistas alertem que qualquer avanço deve respeitar o ritmo individual do animal para evitar retrocessos.
No cotidiano, a adaptação demanda manejo estruturado e a compreensão de que o afeto precisa vir acompanhado de previsibilidade e paciência.
E métodos punitivos ou aversivos devem ser totalmente descartados, pois intervenções bruscas "podem prejudicar o vínculo recém-criado com o dono" e intensificar o comportamento de medo.
