"Ele devolveu o céu para ela": após 7 anos sem voar, arara Rajah encontra alguém disposto a mudar sua vida

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em Aqueça o coração

Rajah e Sarah, duas araras-canindé, chamam atenção por onde passam não apenas pela beleza exuberante.

As aves costumam acompanhar o cuidador, Lucas, em passeios pelas praias de Vilas do Atlântico, na Bahia, e deixam os banhistas hipnotizados enquanto voam livremente.

Mas a cena não chama atenção somente de quem está na praia. Nas redes sociais, os vídeos dos passeios rendem milhões de visualizações.

Em uma publicação recente, Lucas chega com as aves, que logo levantam voo. As duas podem ser vistas sobrevoando o mar e a faixa de areia, aproveitando as correntes de ar e circulando pelo local antes de voltar para perto dele.

No fim, as araras pousam no braço dele e aproveitam para descansar na sombra.

Nos comentários, a obediência das aves rendeu muitas brincadeiras.

“E meu cachorro não pode ver o portão aberto que vaza”, escreveu uma internauta.
“Tô sentindo um negócio aqui, acho que tô com inveja”, brincou outra pessoa.

Outros admitiram que gostariam de ser uma arara para sobrevoar a praia.

Também apareceram piadas sobre a ideia de que, no imaginário de quem mora fora do Brasil, levar uma arara de estimação para passear na praia seria uma atividade completamente comum por aqui.

Treinamento

O passeio, porém, não significa que as aves estejam autorizadas a interagir com qualquer pessoa que encontrem pelo caminho.

Lucas pede para quem mora ou passa pelas praias da região não interaja caso encontre Rajah ou Sarah durante um voo.

As araras, segundo ele, são de Vilas do Atlântico, mas podem sobrevoar também praias como Buraquinho, Ipitanga, Flamengo, Stella Maris e até Itapuã.

“Se você encontrar alguma por esse trajeto, não tente alimentar, chamar ou interagir. Elas não estão perdidas. Apenas admire a beleza delas voando de longe. Assim, você ajuda a manter os voos seguros e permite que elas sigam a rota normalmente”, escreveu.

Para Lucas, o objetivo é justamente permitir que elas tenham liberdade sem transformar essa liberdade em uma situação de risco.

O treinamento para que as duas possam sair e retornar contou com o trabalho da treinadora de aves Silvia Corbucci.

O voo livre exige preparação, conhecimento do comportamento das aves e treinamento adequado, especialmente quando envolve animais que convivem com pessoas.

A liberdade não significa simplesmente abrir uma porta e esperar que a ave volte. Existe todo um processo de construção de confiança e de condicionamento para que o animal compreenda os comandos e desenvolva uma referência segura para retornar.

História das aves

Ver Rajah sobrevoando o mar é emocionante quando se descobre a história dele. A ave chegou à vida de Lucas por meio da adoção depois de passar sete anos sem poder voar.

Durante esse período, a arara-canindé viveu confinada em uma gaiola, sem a oportunidade de desenvolver uma habilidade essencial para uma ave.

Quando passou aos cuidados de Lucas, ele precisava reaprender a usar as próprias asas, mas o desafio não era apenas físico. O longo período de confinamento também havia afetado o comportamento.

Rajah apresentava movimentos repetitivos com as asas e sinais de ansiedade, enquanto passava boa parte do tempo observando o lado de fora pela janela.

Lucas percebeu que oferecer espaço seria apenas uma parte do processo. As araras são animais sociais e, por isso, a companhia de outro indivíduo também poderia contribuir para que Rajah se sentisse mais segura.

Foi nesse momento que Sarah entrou para a família.

A presença da companheira mudou a vida da arara. Aos poucos, Rajah passou a mostrar mais confiança e a explorar o ambiente com maior tranquilidade.

Até que um dia, ao lado de Sarah, ele conseguiu realizar um voo.

Larissa é jornalista e escreve para o Amo Meu Pet desde 2023. Mora no Rio Grande do Sul, tem hobbies intermináveis e acha que todos os animais são fofos e abraçáveis. Ela se formou em Jornalismo pela Universidade de Passo Fundo e é “mãe” de duas gatas.