Cachorro caramelinho que via a vida passar através de uma pequena fresta recebe a notícia que tanto esperava
Por Rebecca Vettore em Proteção Animal
Vivendo em uma situação precária, Serelepe via o mundo do lado de fora apenas pelas frestas de um portão improvisado de madeira.
Foi assim que o filhote passou parte dos primeiros meses de vida, até cruzar o caminho de Vivian Espíndula da Cruz, conhecida nas redes sociais como Tia Vivi.
O cãozinho caramelo vivia praticamente sem contato com o mundo. A situação chamou a atenção da protetora, que há 12 anos dedica parte da vida ao resgate e à proteção de animais em situação de abandono e maus-tratos.
Depois do resgate, a história de Serelepe começou a mudar. Durante alguns meses sob os cuidados de Vivi, o filhote recebeu alimentação, cuidados veterinários e vacinação, além da oportunidade de descobrir como é viver com liberdade, carinho e companhia.
O nome combina com a nova personalidade do cãozinho. Serelepe é brincalhão, agitado, carinhoso e adora estar perto das pessoas.
Da vida atrás das frestas para uma nova chance
A realidade encontrada por Vivi durante o resgate de Serelepe representa uma situação que, infelizmente, faz parte da rotina de muitos animais em situação de abandono.
Para ela, resgatar não significa simplesmente retirar um cão de um local de risco. Existe uma responsabilidade que começa justamente depois desse primeiro momento.
"Quando um animal é resgatado por mim existe toda a preocupação com o pós-resgate", explica Vivi.

Segundo a protetora, o processo envolve acolher o animal, encontrar um lar temporário, alimentá-lo, ajudá-lo na recuperação, castrá-lo, vaciná-lo e, posteriormente, encontrar uma família responsável para adotá-lo.
Foi esse caminho que Serelepe percorreu.
Serelepe já está pronto para ser adotado
Aquele filhote que passava os dias observando a vida através de pequenas frestas agora está feliz e cheio de energia.
"Serelepe está feliz, é um doce de cachorro. Ama companhia, é carinhoso", conta Vivi.
O próximo capítulo dessa história começou a ser escrito quando uma família interessada apareceu para conhecê-lo. O cãozinho passará por um período de adaptação antes da adoção definitiva.
Para Vivi, esse cuidado é importante para aumentar as chances de a nova história dar certo.
"Eu sempre faço acompanhamento com a família, estando à disposição para toda dúvida e ajudar a construir uma linda história de amor", afirma.
E os seguidores já estão torcendo pelo final feliz. A publicação foi feita no dia 19 de agosto.
"Fofura amada, São Francisco, proteja e envie um adotante maravilhoso e responsável", escreveu uma seguidora ao conhecer a história de Serelepe.
Uma vida dedicada aos animais
A história desse cãozinho é apenas uma entre tantas que passaram pelas mãos de Tia Vivi.
Moradora de Santa Rosa, no Rio Grande do Sul, Vivi atua na causa animal há 12 anos. Ela também mantém a página @tiavivisr no Instagram, que reúne mais de 7 mil seguidores e compartilha histórias dos animais resgatados e do trabalho de proteção.
Sua relação com a causa começou na vida adulta, quando adotou sua primeira cachorra.
"Me descobri como protetora quando adotei a minha primeira cachorra", lembra Vivi.
Gordinha viveu ao lado da família dos dois meses aos 14 anos e, mesmo depois de partir, continua sendo uma inspiração para a protetora.
"A causa animal para mim é muito mais que uma bandeira que defendo, ela é um propósito de vida", resume.
Maus-tratos contra animais são crime
A história de cãozinho também chama a atenção para uma realidade que ainda afeta muitos cachorros e gatos: o abandono e os maus-tratos.
No Brasil, praticar abuso ou maus-tratos, ferir ou mutilar animais é crime previsto no artigo 32 da Lei nº 9.605/1998, conhecida como Lei de Crimes Ambientais.
Para Vivi, combater esse problema também passa pela conscientização e pela adoção de políticas públicas efetivas.
"Recebo diariamente muitos pedidos de ajuda e infelizmente nem sempre consigo ajudar", conta.
Adotar é assumir uma responsabilidade
Para quem decide adotar, alguns cuidados são fundamentais:
Castração: ajuda a evitar ninhadas indesejadas e contribui para o controle populacional.
Vacinação e vermifugação: devem estar em dia, conforme orientação veterinária.
Acompanhamento veterinário: consultas ajudam a prevenir e identificar problemas de saúde.
Alimentação adequada e água limpa: são essenciais para a saúde do animal.
Ambiente seguro: o tutor deve evitar fugas e situações de risco.
Tempo e atenção: cães precisam de convivência, brincadeiras, estímulos e carinho.
Responsabilidade: adotar significa assumir os cuidados durante toda a vida do animal.
No caso de Serelepe, a expectativa agora é que as frestas de madeira fiquem definitivamente no passado. Depois de conhecer o abandono, ele está descobrindo a liberdade, o carinho e a companhia.
Redatora do portal Amo Meu Pet.
Graduada em Jornalismo e com pós-graduação em Mídias Digitais pelo Senac, a Rebecca encontrou na comunicação sua vocação para contar histórias que tocam e emocionam.
Com mais de 10 anos de experiência na área, construiu uma trajetória colaborando com grandes portais de notícias como Folha de S.Paulo, UOL e Terra.
Hoje, une sua bagagem jornalística ao universo pet, dedicando-se a escrever conteúdos que dão voz ao mundo animal, conectam pessoas e transformam relatos em leituras inspiradoras.








