‘Eu sou um gênio': Tutor cria solução para coletar xixi para exame de cachorro que só faz necessidades na grama
Por Larissa Soares em Cães
Beatriz Haydée costuma compartilhar no TikTok as invenções do pai e brinca que é filha de uma espécie de fada artesã.
O homem cria engenhocas para praticamente qualquer situação doméstica. Até mesmo quando as cachorras da casa precisam de algo, ele cria soluções com os materiais que encontra.
Dessa vez, o desafio estava na coleta do exame de urina de uma das cadelas. Ela só fazia xixi na grama, o que tornava complicado colocar um recipiente convencional embaixo dela sem atrapalhar o momento ou fazer com que ela desistisse.
Mas nenhum desafio é impossível para o pai de Beatriz. Com um cabo de vassoura, uma embalagem de fatia de torta e fita adesiva, ele criou uma espécie de coletor de urina.
Na hora do teste, a engenhoca passou pela prova. Assim que a cachorrinha começou a urinar, ele posicionou a embalagem sob o animal e conseguiu coletar a amostra.
O resultado deixou o inventor bem satisfeito e orgulhoso da própria criatividade:
A solução chamou a atenção de milhares de pessoas e também de profissionais da área veterinária. Entre os comentários, muitas veterinárias aprovaram a criatividade e explicaram que a coleta por micção espontânea pode, sim, ser utilizada em determinadas situações.
"Sou veterinária, e te amo moço da geringonça de coletar xixi!", escreveu uma profissional.
"Como veterinária digo: GENIAL! Ao invés de ficar no meu consultório reclamando que é impossível, foi lá e fez!", disse outra.
"Eu paguei R$ 300,00 na coleta porque não tenho uma mente pensante assim", escreveu uma internauta, complementando que ela tinha a opção de coleta por micção espontânea.
A embalagem pode contaminar a urina?
A invenção também levantou uma dúvida importante entre os internautas: será que o recipiente utilizado poderia interferir no resultado do exame? A resposta depende principalmente de qual exame foi solicitado.
Luana Serpeloni Gorks, médica-veterinária clínica geral e ultrassonografista, explicou nos comentários que o método utilizado pelo pai é conhecido como coleta por micção espontânea. Nesse tipo de coleta, o animal urina naturalmente e a amostra é recolhida durante o processo.
Segundo a profissional, esse método pode ser totalmente adequado para determinados exames e ainda tem a vantagem de evitar procedimentos mais invasivos, reduzindo o estresse do animal.

Por outro lado, existe uma possibilidade maior de contaminação externa. Antes de chegar ao recipiente, a urina passa pela uretra e entra em contato com estruturas da região genital, onde existem bactérias que podem acabar na amostra.
Por esse motivo, a coleta espontânea não é a opção mais indicada quando o veterinário precisa realizar uma urocultura e um antibiograma.
Nesses casos, a cistocentese costuma ser preferida. O procedimento utiliza uma agulha estéril para coletar a urina diretamente da bexiga, geralmente com auxílio de ultrassom.
Dessa maneira, é possível obter uma amostra com menor risco de contaminação e aumentar a precisão da cultura bacteriana.
Isso não significa, porém, que toda coleta de urina precise ser feita por cistocentese. A escolha depende do objetivo do exame e da avaliação do médico-veterinário.
Para que serve o exame de urina?
A urinálise é uma ferramenta importante na medicina veterinária e pode fornecer pistas sobre diferentes aspectos da saúde do animal.
De acordo com o Laboratório de Diagnóstico Médico Veterinário da Texas A&M University, a análise de urina está entre os exames diagnósticos mais valiosos, acessíveis e econômicos utilizados na rotina veterinária.
Quando analisada em conjunto com exames de sangue e outros parâmetros, a urina pode ajudar a formar um panorama mais completo da saúde renal e metabólica.
Uma amostra adequada pode contribuir para a investigação de infecções do trato urinário, doenças renais, presença de proteínas na urina, diabetes, cálculos urinários, sangue na urina e outras alterações.
Por isso, a qualidade da amostra importa bastante. A universidade destaca que a urina é um material biológico sensível e instável, o que torna importantes os cuidados com coleta, armazenamento e transporte até o laboratório.
A coleta por micção espontânea também pode ser uma alternativa prática quando a cistocentese não é necessária ou não pode ser realizada. Idealmente, a amostra deve ser obtida durante o jato de urina e armazenada de acordo com as orientações da clínica ou do laboratório.
Cada exame pede um tipo de coleta
Existem diferentes maneiras de obter uma amostra de urina de um cão:
- A cistocentese, por exemplo, permite retirar diretamente o material da bexiga e costuma ser a opção preferida quando o objetivo é realizar uma cultura bacteriana.
- O cateterismo é outra possibilidade e envolve a introdução de um cateter pela uretra. É mais invasivo e costuma ser reservado para situações específicas.
- Já a captura livre, utilizada pela família da cachorrinha, consiste em recolher a urina enquanto o animal faz xixi naturalmente. É uma alternativa prática, mas apresenta maior possibilidade de contaminação externa.
Por isso, antes de tentar reproduzir a invenção do pai de Beatriz, é importante saber qual exame foi solicitado e seguir a orientação da clínica veterinária. O recipiente também precisa ser apropriado para a finalidade da análise e estar adequadamente limpo ou estéril conforme a orientação profissional.
Larissa é jornalista e escreve para o Amo Meu Pet desde 2023. Mora no Rio Grande do Sul, tem hobbies intermináveis e acha que todos os animais são fofos e abraçáveis. Ela se formou em Jornalismo pela Universidade de Passo Fundo e é “mãe” de duas gatas.







